Essa foi uma passagem de 2 dias praticamente obrigatória após eu ficar quase uma semana em São Petersburgo, semana da qual falei em outro post.

A primeira grande surpresa foi ainda em São Petersburgo, quando fui tomar o trem, no qual iria passar a noite e acordar em Moscou. Os meus anfitriões foram gentilmente me acompanhar até a estação. Chegando lá, o nome que estava na porta da estação era um, e o nome que constava na minha passagem, comprada pela Internet com bastante antecedência, era outro. Mesmo em cirílico, eu conseguia ver que eram nomes bem diferentes. Disse à Katia, minha anfitriã, que estávamos no lugar errado. Ela olhou minha passagem e foi categórica: “Não, está certo. Aquele nome ali na parede é o nome histórico, antigo dela. O novo nome é esse que está na sua passagem.”. O nome “novo” não constava em nenhum lugar na estação, e então eu perguntei como eu saberia se ela não tivesse me dito. Ela pensou um pouco e disse “Você não saberia!”. Na mesma hora me lembrei de um colega que havia estado em Moscou e me disse que ficou 3 horas numa estação tentando descobrir qual era o trem dele. Naquele momento deixei de achar um exagero e o entendi…
Bom, sabendo que estava no lugar certo, fui acompanhado pela Katia e pelo Romain até a plataforma e embarquei no trem para minha viagem overnight.

Minha passagem era para um assento/cama, num espaço com 3 outras pessoas, 3 russos que não falavam inglês. A conversa não fluiu, obviamente. Só consegui dizer que eu era brasileiro, e olhe lá, nem fiquei tão certo de que isso foi entendido 100%…
Eram apenas dois dias em Moscou, que – eu já sabia – não é uma cidade muito amigável para turistas sozinhos que não falam russo. Aluguei um AirBnB em um edifício histórico, monumento cultural, o Edifício da Praça Kudrinskaya, um dos arranha-céus chamados de Seven Sisters (“Sete Irmãs”), construídos na época stalinista. O anfitrião, Daniel, espanhol, mas nascido na Colômbia, trabalhava na Zara em Moscou. Cheguei logo cedo, ele havia dito que não estaria em casa, mas a namorada dele (que ele me havia dito que não falava muito bem inglês) estaria lá para me receber. Desci na estação de trem, peguei o metrô e fui para a estação Barrikadnaya, próxima ao prédio.

Chegando lá, fui tocar o interfone, ninguém atendia. Após insistir algumas vezes, uma senhora de dentro do prédio, com uniforme, veio falar comigo. Em russo. “Ya ne govoryu po russki” (eu não falo russo), disse pra ela, e falei o nome do Daniel. “Your name?”, ela me perguntou em inglês carregado de sotaque. “Cristiano”, respondi. Fez sinal que a seguisse para dentro do prédio e me deu a chave. A “namorada” havia sido expulsa pelo Daniel naquela manhã, então não havia quem me recebesse… tenso.
Chegando no apartamento, conectei no wi-fi e liguei (Skype) para o Daniel. Ele perguntou se estava tudo bem, e só voltaria pra casa à noite. Ok, saí pra explorar a cidade, já que só teria dois dias para isso. As coisas mais emblemáticas e bonitas para se ver lá são a Praça Vermelha e o Kremlin, sede do governo, além da Catedral de São Basílio, ali do lado. As estações de metrô são um espetáculo à parte, verdadeiras obras de arte por todos os lados. Caminhei ao longo do Rio Mockba(“moskva”), tirei uma foto com o Parque Gorki ao fundo (quem ouvia rock no início dos anos 90 deve perceber a referência…) , fui ao Museu Pushkin, também imperdível.




Uma frustração foi não ter podido visitar o mausoléu de Lênin, que fica na Praça Vermelha. Os dias que eu estava lá eram dias de comemoração do “Dia da Rússia”, então havia várias coisas fechadas em função das comemorações, desfiles e etc. A data que cheguei era tarde para assistir ao desfile mas muito cedo para o mausoléu já ter reaberto… Paciência, tenho que voltar lá qualquer dia.






Ao voltar pra casa após meus primeiros passeios, ainda não havia ninguém no apartamento. Daniel chegou depois, com um amigo turco. Disse que eles iam sair para um bar, perguntaram se eu gostaria de ir. Eu já sabia de ouvir falar, que pubs em Moscou eram bem chatos em relação à vestimenta dos clientes. Estava de jeans e com minha bota de caminhada, perguntei se havia algum problema e ele disse que não. Disse que não iriam voltar tarde, pois trabalhariam na manhã seguinte. Aceitei. Fomos de taxi, ficamos dando várias voltas, descemos e seguimos andando. Senti que o turco também não estava muito à vontade. Ao entrarmos numa travessa, o Daniel entrou numa porta que parecia ser um estabelecimento de orientais, com gôndolas com produtos, parecendo um daqueles pequenos mercados coreanos no Bom Retiro em São Paulo. Entramos atrás dele, era apenas um corredor. Ao final do corredor, um segurança revistava quem passava, e encaminhava para uma escada em caracol para o que parecia um porão. Devo confessar que fiquei meio tenso. Mas após descer a escada, havia lá em baixo um bar muito legal, Mendeleev, recomendo! Ficamos lá por um bom tempo, ambiente legal, decoração lembrava algo de medieval, música ambiente. Depois saímos andando, passamos por um mercado 24hs, e fomos para outro bar, esse mais tipo balada eletrônica. Ao entrarmos nesse, Daniel passou primeiro, e quando eu fui entrar o segurança me barrou com a mão espalmada no meu peito. “Niet!”(não!), disse ele. Daniel voltou e conversou, dizendo (acho) que eu estava com ele. Nessa hora o segurança saiu da frente e veio um senhor baixinho (metade da altura do segurança), olhou sério na minha cara e disse: “Next time, change your shoes!” (da próxima vez, mude seus sapatos). Senti ali a tal preocupação com o modo de vestir dos clientes. Entramos, ficamos na balada por um tempo (gostei menos dessa, preferia o bar), e depois pegamos um táxi e fomos para casa.

Depois da segunda noite lá, acordei cedo para ir para o aeroporto, pegar o voo com conexão em Amsterdã, e depois Brasil. Precisei da ajuda do Daniel para agendar um táxi na madrugada (ainda não existia Uber na época), já deixou acertado o valor e tudo, porque o taxista – adivinha! – não falava nada de inglês… E assim terminou minha circulada pela Europa no verão de 2013…

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