Cataratas do Iguaçu

14 03 2021
Quedas d’água impressionantes

Embora seja um dos destinos mais procurados por estrangeiros no Brasil, levou bastante tempo até eu ir finalmente conhecer esse ponto turístico, um dos mais exuberantes que já vi, em termos de natureza. Foi em novembro de 2019, uma das últimas viagens que fizemos antes da pandemia.

Sempre gostei de cachoeiras, vejo uma beleza ímpar de equilíbrio da natureza nas águas caindo, e pensar que estão nesse ciclo por séculos e séculos, água escorrendo, desgastando as pedras ao longo do tempo, e assim ainda permanecerá por muito tempo. Mas sempre dou preferência àquelas cachoeiras onde se pode entrar para um banho (banho de cachoeira é realmente uma das coisas preferidas a se fazer na vida, ao menos para mim). Obviamente esse não era o caso das quedas na foz do Iguaçu, onde fica o Parque Nacional, na fronteira do Brasil com a Argentina. Existe o passeio do lado argentino, e o passeio do lado brasileiro. Além da trilha ao longo do rio, que termina na maior das quedas, há o passeio de barco onde vc pode chegar bem perto de algumas das quedas. Não são as maiores, mas o banho que você toma (dentro do barco, de roupa e tudo) é inesquecível, vale a pena.

Chegando perto do banho…
Última foto enquanto ainda estava seco…

A sensação é indescritível, não dá pra explicar por fotos, então coloquei aqui um vídeo para passar parcialmente a impressão que tive… pode dar uma olhada aqui.

Só por esse passeio de barco a viagem já teria valido a pena. Sensação única, muito boa. Mas além disso, havia as trilhas tanto do lado brasileiro quanto do lado argentino. As quedas em sua maioria estão do lado argentino, o que proporciona a quem está do lado brasileiro a melhor vista.

Olhando para as quedas, a partir do lado brasileiro
O volume de água é algo realmente impressionante
Foto 100% turista “clássica”, ao final da trilha no lado argentino
Tucano que consegui “capturar” na trilha do lado argentino
Espetáculo da Natureza interminável, emoldurado pelo arco-íris

É uma passeio que deve ser feito ao menos uma vez na vida, acho que em poucos lugares do mundo há algo comparável. Se estiver com receio das trilhas, elas são todas tranquilas, sinalizadas, com corrimão, pontos de descanso, niveladas, completamente acessíveis a todos. Os passeios são bem organizados, tanto do lado brasileiro quanto do lado argentino. Acho que tem que passar no mínimo dois dias por lá, para conhecer os dois lados.

Espero que tenha gostado, até uma próxima!





Kotor e Podgorica, Montenegro

14 02 2021

No verão europeu de 2019, fizemos nossa passagem pela região dos Bálcãs, que há muito estava na minha lista de desejos, e a última etapa foi na pouco conhecida e pouco falada República de Montenegro, logo após nossa passagem por Sarajevo, na Bósnia e Herzegovina.

Kotor: Cidade medieval, murada e “espremida” entre as montanhas e o Mar Adriático

Ficamos hospedados na capital do país, Podgorica (pronuncia-se “podgoritza”), mas como tínhamos apenas dois dias por lá, acabamos pegando um ônibus e indo passar um dia inteiro em Kotor, no litoral.

Podgorica é uma cidade pequena, com menos de 200 mil habitantes, e não vimos muita coisa por lá. Fomos visitar a catedral ortodoxa, que realmente é muito bonita, vale a pena, e fora isso entramos em algumas lojas para bisbilhotar, ver os preços (a moeda é o Euro, mas as coisas são extremamente baratas). Uma coisa que chamou a minha atenção foi um copo à venda numa loja, fabricado pela Nadir Figueiredo, no Brasil, e estava sendo vendido lá pelo equivalente a menos de R$ 6 ( 0.95 euros ), e o conjunto de 6 copos por menos de R$ 30. No Brasil, custam respectivamente R$ 13 e R$ 50… vai entender…

Copos “made in Brazil” em loja de Montenegro, mais baratos do que no Brasil…

A catedral ortodoxa de Podgorica é um espetáculo à parte: bastante diferente das igrejas católicas com que estamos acostumados por aqui. Com muito dourado, imagens de santos misturadas com figuras históricas da Igreja Ortodoxa Sérvia, decoração impecável.

Catedral Ortodoxa de Podgorica, “Catedral da Ressurreição de Cristo”
Altar central da catedral
Interior da catedral
Pintura no interior da catedral, representando a consagração da mesma

Em Montenegro, o litoral é banhado pelo Mar Adriático, e ficamos sabendo de duas cidades que podíamos visitar: Budva e Kotor. Budva pareceu ser mais badalada e muvucada, então acabamos optando por Kotor. Foi uma boa escolha. Uma cidade cercada por uma muralha medieval, que começa no nível do mar e vai circundando a cidade, até as montanhas.

Muralha medieval de Kotor, que sobe até as montanhas

As ruas, como são normalmente nas cidades medievais, são todas estreitas, as construções todas também da época medieval (a cidade é tombada como patrimônio cultural mundial pela UNESCO. A cidade fica numa baía, e obviamente aproveitei também para tomar um banho de mar por lá.

Mergulhando na baía de Kotor, no Mar Adriático
Ruas estreitas na cidade, herança medieval
Baía de Kotor
Praça ao lado da muralha de Kotor
Igreja ortodoxa em Kotor, construção do século XII

No geral, gosto muito de conhecer e passear em cidades com as construções medievais conservadas, como Dubrovnik, Ljubljana, entre outras onde já estive. Uma sensação gostosa de viagem no tempo, embora no geral a exploração turística seja bem forte. Se você consegue sair um pouco da muvuca e encontrar locais mais tranquilos, é bem legal.

E em Montenegro terminamos nossa viagem no verão europeu de 2019, em que viemos de Paris e fomos descendo: Eslovênia, Croácia, Bósnia e Herzegovina e finalmente, Montenegro. Sensação de que, pra variar, seriam necessários mais dias para aproveitar mais, conhecer mais lugares, explorar e conhecer um pouco mais… mas, fica pra próxima.





Ljubljana, Eslovênia

10 01 2021
Panorâmica de uma noite de verão em Ljubljana, com o castelo no alto

Essa cidade (pronuncia-se “liubliana”) é uma verdadeira jóia, uma cidade pequena, com um centro histórico extremamente bem-cuidado, vale a pena uma visita, sem dúvida. Estivemos lá no verão (europeu) de 2019, quando demos uma volta pelos Bálcãs (Eslovênia, Croácia, Bósnia e Herzegovina, além de Montenegro.

O símbolo da cidade é o dragão, criatura que segundo a lenda, habitava a cidade. O dragão pode ser visto em qualquer loja de souvenirs, e na ponte sobre o rio Ljubljanica, que corta a cidade. A maior atração da cidade é, sem dúvida, o castelo. Subimos até lá pelo funicular, embora fosse possível à pé ou de carro. O castelo possui uma visita guiada, onde a estória da cidade é contada por atores, desde a época das ocupações romanas até eventos contemporâneos. Além dessa visita, há vários eventos culturais que ocorrem por lá.

O interior do castelo é mantido quase que intacto na sua originalidade. A construção do castelo data do século XI, e foi construído no alto da colina onde as primeiras fortificações romanas estavam, em posicionamento estratégico para ter uma visão privilegiada de eventuais ataques e aproximações de inimigos.

Vista do centro histórico a partir do castelo
Vista da cidade a partir do castelo
Pátio interno do castelo
Armadura medieval em exposição no castelo
Lateral externa do castelo
Bandeira de Ljubljana, que fica no castelo (note o brasão, torre com o dragão)
Uma das celas para prisioneiros no castelo
Torre do castelo

Visitar um castelo medieval é sempre muito legal, na minha opinião, em especial para nós, que crescemos em países em que não existe esse tipo de coisa, a não ser nos contos de fadas. Mas, além do castelo, a cidade (o centro histórico onde ficamos) é bem simpática, com muitas construções antigas e ruas estreitas, que seguem ao longo do rio. Na margem do rio há vários restaurantes e bares, com mesas externas, preços não absurdos e um ótimo ambiente, alguns com música ao vivo (Isso no verão, quando estivemos lá! Em meses mais frios deve ser bem diferente).

Há também os vendedores de artesanato à margem do rio, durante a noite, e uma feira dos agricultores locais, durante o dia. Passamos somente 2 noites por lá, e acho que foi o suficiente. Haveriam outras coisas para explorar na Eslovênia (em especial ouvimos sobre um castelo construído nas rochas, o Castelo de Predjama), mas teriam que ficar para uma próxima vez, já que naquela viagem nossos planos eram passar mais dias na Croácia e na Bósnia, sobre as quais escrevi em outros posts.

O símbolo da cidade, em uma das pontes
Prefeitura da cidade
Fonte na beira do rio, castelo no alto ao fundo
Início de noite em Ljubljana
Feira dos agricultores da região

No nosso passeio pelos países que formavam a antiga Iugoslávia, foi nossa primeira parada. Bem interessante, meio que fora dos roteiros “normais”, acho que é um país que tem muito a ser explorado turisticamente, talvez para uma próxima oportunidade…

Despedida, foto da nossa última noite em Ljubljana, na beira do rio




Lagos Plitvice, Croácia

20 12 2020
Águas incrivelmente verdes nesse que é o Parque Nacional mais famoso da Croácia

Se por algum motivo nas suas andanças pelo mundo você passar pela Croácia, um lugar imperdível (além de Dubrovnik, mas aí é outro post) é o Parque Nacional dos Lagos Plitvice. Fomos para lá quando estávamos em Zagreb, no verão europeu de 2019, passeando pela região da antiga Iugoslávia (passamos também pela Eslovênia, Bósnia e Hezergovina, além de Montenegro).

Contratamos um tour privado, por indicação do nosso anfitrião no AirBnB que ficamos por lá. O parque fica a pouco mais de 100 km da capital Zagreb, e no caminho ainda paramos num museu militar à céu aberto, com resquícios da guerra dos anos 90.

Tanques croatas usados na guerra
Blindados croatas
Jato militar croata

Embora não fosse um lugar que normalmente visitaríamos, pelo lado histórico é interessante, e estava no meio do caminho. Paramos também em uma pequena vila cortada por um rio e cachoeiras, ar bem “interiorano”, como dizemos por aqui.

Ainda no caminho para Plitvice
Casas construídas literalmente em cima das cascatas
Vontade de um banho de rio… mas não rolou

Depois de pouco mais de uma hora de viagem de carro, chegamos ao Parque Nacional dos Lagos Plitvice. É um conjunto de 16 lagos de águas cristalinas, ligados por cachoeiras, com uma coloração inacreditável. Parque bem organizado, com entrada controlada e com a proibição total de se entrar na água em nenhum ponto. Até porque se fosse permitido, provavelmente os lagos perderiam a coloração que é seu grande atrativo. O Parque é bem organizado, bem sinalizado, mas extremamente lotado no verão. Boa parte do caminho lá dentro é feito a pé, e há ônibus e barcos também. Não deixar de usar protetor solar e boné, indispensáveis. Em alguns pontos há lanchonetes e banheiros, com estrutura razoável.

As primeiras vistas, quando vindo de cima, já são impressionantes
Todos os lagos são cercados por caminhos de madeira por onde os turistas podem passar
Águas transparentes na borda, e o azul-esverdeado no centro
Do alto de uma das cachoeiras
Dá muita vontade de entrar nessa água, ainda mais no calor
Às vezes dá a impressão de que jogaram tinta na água
Ao final, passamos em frente a uma das mansões do então ditador Tito, dentro do parque

Um belo passeio, em um dos lugares dentre os mais bonitos em que estive. Vale a pena, e a organização e o turismo explorados com consciência permitem que se mantenha dessa forma.

Espero que tenha gostado, até a próxima!





Dubrovnik

30 08 2020
A “Pérola do Adriático”, segundo George Bernard Shaw

… ou seria King’s Landing? Ou Porto Real?
Acho que para quem não assistiu à série Game of Thrones não vai entender…

Dubrovnik é uma cidade no litoral da Croácia, no Mar Adriático, e que foi cenário para várias cenas da série. Como somos (Laura e eu) fãs dá série, isso pesou bastante para escolhermos a cidade como um de nossos destinos, em junho de 2019. Queríamos uma praia na Croácia, e procuramos evitar Split que é o ponto mais popular por lá. Embora Dubrovnik também seja uma cidade bem cheia de turistas, a vontade de visitar pontos das filmagens falou mais alto.

Chegamos lá de avião, vindo de Zagreb, e ficar na janela do lado esquerdo foi bem legal, pudemos ver todo o litoral enquanto o avião se aproximava.

Dubrovnik vista do avião

Final de junho, bastante calor, bom período para estarmos lá. Mas essa também é a opinião de muitos turistas, então, fomos preparados para uma cidade lotada. Ficamos hospedados em um AirBnB dentro da parte histórica (murada) da cidade, uma boa escolha pra ficar mais no clima de cidade medieval, bem no meio da área turística, mesmo pagando um pouco mais por isso, e também tendo os turistas fazendo barulho durante a noite toda. O prédio em que ficamos era um edifício que, se não era da era medieval, era bem próximo… portas grandes e pesadas de madeira maciça, uma cisterna logo no hall de entrada. Uma vez dentro do apartamento, todas as facilidades da vida moderna… rs

Laura e a porta do nosso prédio em Dubrovnik
Rua em Dubrovnik

Como costumavam ser as cidades medievais, a parte histórica/turística de Dubrovnik é uma cidade toda murada, o que dá um charme adicional. Há inúmeros portais de entrada na cidade, que “cresceu para fora das muralhas, em particular nas encostas e ao longo do litoral. Dubrovnik fica numa parte da Croácia que é uma “tripa” de litoral, limitado pelo mar por um lado, e pela Bósnia e Hezergovina do outro, nas montanhas. Essa “tripa” inclusive é separada da outra parte da Croácia por uma parte da Bósnia, ua situação interessante. Quando saímos de Dubrovnik para irmos para Sarajevo, fomos de ônibus e cruzamos as fronteiras algumas vezes pelo caminho…

Croácia em amarelo, Bósnia em branco (Dubrovnik é uma faixa vermelha ao sul)

Mesmo para quem conhece outras cidades medievais, como é o meu caso, a arquitetura ainda impressiona, e essa proximidade com o mar deixa a cidade mais simpática e colorida. Por ser uma cidade extremamente turística, fomos super bem tratados, bem acolhidos, com a exceção de uma vendedora em uma loja de quinquilharias que estava muito de mau humor…

Dubrovnik à noite
Um dos portões de entrada da cidade antiga em Dubrovnik

Os passeios que fizemos foram praticamente todos dentro da cidade antiga, há um modo de circular por cima das muralhas, dando a volta completa (se for no verão, leve água, pare para descansar, tome sorvete nos pontos de parada, vá com calma). Essa caminhada proporciona belas vistas da cidade e da baía. Há alguns lugares que fazem menção a Game of Thrones, como a escadaria da vergonha e a “Baía da Água Negra”. Há passeios programados guiados pelos locais de filmagem, mas acabamos fazendo sozinhos mesmo.

“Escadaria da vergonha”, na série e ao vivo
Baía (da “Água Negra” em Game of Thrones)

E a praia?

O único passeio que fizemos fora das muralhas da cidade foi quando pegamos um Uber e fomos a Cava, onde há o Coral Beach Club, uma praia bonita, tranquila aparentemente frequentada somente por turistas. As coisas ali eram bem caras, mas tinha toda a infra, com espreguiçadeiras, toalhas, banheiros, etc

Coral Beach Club, em Cava
Mar Adriático: check!

Um bom lugar para se passar algumas horas, relaxar, tomar banho de mar (não podia voltar sem dar um mergulho no Mar Adriático!). Nos despedimos da Croácia em grande estilo, com aquela sensação gostosa mas um pouquinho frustrante de que poderíamos ter ficado um tantinho mais… mas ainda tínhamos mais destinos antes de voltar pra casa…