Monte Roraima (parte 3 – final)

1 11 2020
Todas as botas reunidas, no alto do Maverick – ponto mais alto do Monte Roraima

Esse post é continuação da série: “Monte Roraima” – parte 1 e parte 2.

No segundo dia que passamos caminhando lá em cima do monte, visitamos alguns dos lugares mais impressionantes, com vistas inesquecíveis, certamente um dos pontos mais bonitos em que estive na vida. Existem vários pontos diferentes a serem visitados no Roraima, mas como só tínhamos 3 dias, tivemos que escolher: fomos ao mirante chamado “La Ventana” (“A janela” em espanhol), ao conjunto de piscinas naturais chamadas de “Jacuzzi”, onde rolou o banho do dia (esse foi dos melhores), e nos despedimos subindo no topo do “Maverick”, ponto mais alto do Monte Roraima, que ficava de frente ao nosso acampamento.

La Ventana é um dos pontos mais visitados, que pode proporcionar as melhores vistas e fotos, de um verdadeiro abismo incessantemente sendo coberto e descoberto pela neblina. Lá tirei algumas das melhores fotos, do abismo e do Kukenán, monte vizinho ao Roraima:

Em “La Ventana”, Kukenán ao fundo
Dá pra ver as nuvens, mas não o chão lá embaixo…
O Kukenán
O abismo é impressionante
Eu até que fiz um esforço para tentar ver o final do abismo
A sensação de estar entre as nuvens é sem igual
Não conheço a moça, era de outro grupo, mas foi uma das fotos mais bonitas que eu tirei, e ilustra a nossa pequenez diante do espetáculo da Natureza
As “jacuzzi” foram formadas pela ação do tempo ao longo dos anos
Melhor banho da viagem

Subindo para o Maverick, já no final da tarde, o tom era de despedida, pois iríamos na manhã seguinte iniciar o caminho de volta. Mas nem por isso deixou de ser divertido e com belas imagens lá de cima, a começar pelço nosso próprio acampamento:

Nosso acampamento, as barracas laranjas
Dá pra ver o local privilegiado e isolado em que acampamos

Chegando lá em cima, estava chovendo e com neblina pesada. Ficamos lá esperando melhorar, e fomos recompensados, com direito a árco-íris inclusive.

Vista do alto do Maverick
Sensação de missão cumprida, e gostinho de quero mais
Antes de ir embora, um totem de pedra como sinal de respeito e agradecimento

No dia seguinte, levantamos acampamento e descemos a montanha, mais uma vez sob chuva (que ficou indo e vindo todos os dias em que estávamos lá em cima, não podia ser diferente na descida), e fizemos uma caminhada longa, pois iríamos acampar na margem do Kukenan, o local do primeiro acampamento da caminhada da vinda (o último lugar com cerveja, lembra?). Nesse dia a caminhada ficou mais chata e com menos fotos por conta da chuva, e teve o que foi o momento mais tenso de toda a viagem: o Rio Kukenan, que atravessamos tranquilamente na ida, estava muito cheio, sem termos como passar. Ficamos junto com vários grupos até a água baixar e termos condição de passar com o auxílio de cordas. Ficamos bastante tempo, e acabamos iniciando a travessia com o rio ainda alto, mas para evitar passar a noite daquele lado do rio, onde não havia muito espaço para acampar todos os grupos.

Mesmo nos momentos tensos, o negócio é dar risada… certo?
Pra completar, uma cascavel no meio da trilha, após passarmos o rio

Aqui vale um comentário sobre o grupo de guias que estava conosco: eles permaneceram dando ajuda a todos os outros grupos, só saímos do rio quando todos haviam passado. Já outros guias acabaram deixando alguns pra trás e já se adiantaram para montar o acampamento, que ficava a uns 200, 300 metros dali. A noite já estava começando, ficando escuro, e inclusive ajudamos alguns “perdidos” de outros grupos que ficaram pra trás. Acabamos ficando com os “piores” locais para armar as barracas, justamente porque nossos guias ficaram por último. Prefiro um grupo de guias que preze pela segurança em primeiro lugar, sempre.

Depois da tensão da travessia, hora de celebrar a nossa última noite de acampamento. Dessa vez não pedi uma cerveja só não, já pedimos 2 caixas e dividimos com o grupo de guias na comemoração, com cerveja quente mesmo:

Turma na última noite, já acampando no caminho de volta
Último amanhecer na trilha, desmontando acampamento
A mochila, companheira da caminhada toda, com o Kukenán ao fundo

O último dia de caminhada teve (mais uma vez!) chuva, muita chuva. Os caminhos pelos quais viemos estavam bem diferentes, alguns até viraram pequenos cursos d’água ou corredeiras. Vários tombos, caminhando com cuidado, devagar… ao final o tempo abriu e me permitiu tirar uma bela foto do final da trilha:

“Cuide hoje, para que possa voltar amanhã”, diz a placa no final da trilha

E assim foi… um lugar mágico, com paisagens únicas, diferentes de quaisquer outras em qualquer outro lugar do mundo. Lugar quase mágico, que me deixou com uma sensação de querer voltar um dia. A caminhada pesada, o esforço que fez parte de toda essa experiência, tudo isso soma ainda uma sensação de superação, de ter cumprido uma jornada grande, que precisou contar com nossos próprios esforços físicos.

E se alguém se empolgou e quer montar uma expedição pra lá, pode me chamar, quem sabe já não é hora de conseguir voltar pra lá? Já se vão quase 10 anos…





Monte Roraima (parte 2)

25 10 2020
Monte Roraima, visto do acampamento próximo à sua base

Esse post é continuação do Monte Roraima (parte 1).

Ao terceiro dia de expedição, finalmente era a hora de subir a montanha. O paredão de centenas de metros, para o qual ficamos olhando de longe por dois dias, estava ali pertinho. O dia praticamente inteiro seria de subida (sem escalada) pela trilha na encosta da montanha. Uma coisa que nos chamava a atenção era a frequência com que a neblina cobria e descobria a montanha, e ao longo daquele dia (e dos próximos) sentiríamos aquilo bem de perto.

Como todos os dias, acordamos cedo, arrumamos as coisas, tomamos café da manhã e… começar a caminhar! Aliás, todas as refeições ficavam por conta dos carregadores, uma turma nota 1000, conforme pudemos constatar ao longo dos dias (mais detalhes à frente). Não tenho fotos dessa subida, porque foi o dia em que começamos a sentir na pele – literalmente – o clima da região. Choveu bastante, em praticamente toda a nossa subida. Vários momentos em que eu sentia a água escorrendo pelo pescoço, por dentro do anorak impermeável, descendo pelo corpo todo, molhando até as meias. É daqueles momentos em que você tem certeza de que gosta desse tipo de passeio, ou não. No meu caso, só me dava vontade de continuar caminhando e chegar ao topo. Vinha água do céu, escorria pela lateral da montanha, formando pequenas cascatas, vinha pela lateral quando ventava, enfim, de todos os lados.

Ao terminar a subida fomos premiados por um tempo melhor, com neblina mas sem chuva. A sensação de chegar lá em cima é indescritível. Logo na subida já vimos um helicóptero caído. Explico: qualquer resgate que tenha que ocorrer na região tem que ser feito de helicóptero. Alguns dias antes da nossa chegada um turista havia se acidentado no final da subida, e para seu resgate chamaram o helicóptero. Consta que o piloto oficial estava ausente no dia, e mandaram o reserva. A aproximação do topo é crítica por conta da neblina e ventos. Resultado, o helicóptero caiu e ficaram os dois (turista e piloto) aguardando o próximo. Ficamos sabendo que além daquele haviam mais dois abandonados lá em cima, um do exército brasileiro, e outro da Rede Globo, que caiu com o então apresentador do “Globo Ecologia”, Danton Melo, em 1998. Melhor mesmo é ir caminhando, e não precisar de resgate… Pelo sim, pelo não, eu particularmente havia contratado um seguro viagem que cobria o resgate de helicóptero, pelo qual sem o seguro seriam necessários uns R$ 2 mil, na época.

Primeira foto no alto do Monte Roraima
Turma “explorando” o helicóptero na chegada no monte

Uma vez lá em cima, seguimos caminhando até nosso ponto de acampamento. E a lógica é a seguinte: quem chega primeiro pega os melhores locais. Na medida em que acampamentos vão sendo desmontados e liberados, os guias comunicam-se entre si. Dessa forma, se seus guias são bem relacionados entre os pares, boas chances de conseguir um bom acampamento. Caso contrário… Felizmente, nossos guias eram bem relacionados e conseguimos (segundo nos disseram) um dos melhores pontos, na encosta de uma das formações rochosas lá em cima. Com mais de 30km2 de área, tem bastante lugar para acampar…

As primeiras formações já impressionam e aumentam a expectativa do que está por vir nos próximos dias
Um dos pontos de acampamento, não o nosso (note na “caverna” próxima ao topo)

O visual lá em cima por onde caminhamos é bem diferente da chamada “savana” por onde havíamos passado nos dias anteriores. Muita rocha vulcânica, escura, e vegetação rala. Conforme falei anteriormente, algumas plantas e animais são endêmicos, ou seja, só existem lá em cima e em nenhum outro lugar do mundo. Um famoso habitante que encontramos logo no primeiro dia foi o “sapinho do Roraima” (Oreophrynella quelchii), um sapo pequeno (veja foto) que não salta, e faz a alegria dos turistas para fotos.

Sapinho do Roraima
Oreophrynella quelchii é o nome científico dele
Vista a partir do nosso acampamento, no cair da tarde

Chegamos no local de acampamento no final da tarde (alguns guias já vão na frente para garantir e montar o acampamento), com a proteção parcial de formações rochosas, de frente para o Maverick (ponto mais alto do Roraima) e com a vista para várias pequenas lagoas onde seria o local do banho para aquela noite.

Barraca já montada, tudo certo para o descanso
Claro que tem que ter bagunça no acampamento com a turma
Nascer do Sol no nosso acampamento do topo

Uma vez acampados lá em cima, íamos passar 3 noites. Poderíamos manter o mesmo acampamento ou ir para outros lugares, dependendo do que preferiríamos explorar. Optamos por permanecer no mesmo local de acampamento por todas as noites. Uma coisa curiosa a respeito dessa viagem: para usar o banheiro, nos acampamentos são feitos buracos e depois tampados. No topo isso não é possível por ser tudo de rocha, então é necessário usar sacos (adaptados numa cadeira de plástico furada), juntar cal e fechar o saco, que vai ser levado embora pelos carregadores. Nada pode ser deixado lá em cima…

No primeiro dia explorando o topo, fomos para o chamado Vale dos Cristais, onde o chão é coberto por – adivinhe! – cristais, passamos no marco da Tríplice Fronteira (Brasil, Guiana e Venezuela), e terminamos o dia no chamado “El foso”, um lago com uma pequena cascata. Local de banho, que pode ser acessado pela forma rápida (pulando lá de cima) ou lenta (dando a volta e entrando por baixo. Eu optei pela forma lenta, não estava com pressa… E ao longo do caminho visuais incríveis com formas esculpidas pela natureza ao longo dos anos que nos fazem imaginar animais, figuras humanas ou quaisquer outras que a imaginação permitir.

Consegue ver um elefante?
Pense num trekker feliz…
Formações incríveis ao longo do caminho
Às vezes parece que estamos em outro planeta
No Vale dos Cristais
No marco da Tríplice Fronteira
Chegando em “El Foso”
Dava pra encarar um mergulho lá de cima, mas preferi
dar a volta para o banho lá embaixo
Entrada d’El Foso, por baixo

Nesse dia pegamos um pouco de chuva ao longo das caminhadas, mas nada que atrapalhasse muito. Voltamos ao acampamento cansados, mas com muita energia e expectativa pelo dia seguinte, mais um dia inteiro caminhando pelo topo do Roraima.

Achei que esse relato caberia em 2 posts, mas acabei me estendendo um pouco… termina na parte 3, até lá!





Monte Roraima (parte 1)

18 10 2020

Essa foi uma das trilhas mais fantásticas que fiz até hoje. 8 dias de caminhada, cerca de 11 km por dia em média, na tríplice fronteira Brasil-Venezuela-Guiana, com algumas das paisagens mais diferentes e deslumbrantes que já vi pessoalmente. Fui no Carnaval de 2011, e gostaria muito de voltar lá no futuro. O lugar é um dos poucos no planeta em que quase não há intervenção humana, tudo em um meio natural de beleza exuberante e impressionante. A geografia do local permitiu existir ali um certo isolamento do resto do mundo, o que proporcionou que algumas espécies da fauna e flora sejam endêmicas, ou seja, só existem lá e em nenhum outro lugar do mundo. É indescritível a sensação de ver o imenso paredão se aproximando, e no dia seguinte estar andando sobre uma das montanhas mais antigas da Terra. Essa montanha inclusive inspirou Sir Arthur Conan Doyle (o criador de Sherlock Holmes) a escrever seu romance O Mundo Perdido, onde uma expedição alcança um platô no meio da selva onde ainda existem dinossauros e espécies pré-históricas. Felizmente, essa parte é ficção, ou então eles se escondem muito bem…

No alto do Roraima, com seu “irmão” Kukenán ao fundo

O Monte Roraima é um platô (uma elevação, tipo um planalto no alto de um “paredão” de rocha) de mais de 30km2 de área, cerca de 1000 metros de altura e 2800 de altitude, uma área imensa para explorar. O ponto de “subida” é pelo lado venezuelano, e é possível acampar lá em cima por vários dias, em locais diferentes, de acordo com o que se programar para visitar.

A primeira coisa para uma expedição desse formato é o planejamento. Fui com uma amiga, Fabiana, e fizemos contato diretamente com um operador local, a Roraima Mystic Tours. O serviço foi excelente, embora mais recentemente vi alguns relatos de problemas com essa operadora. As operadoras brasileiras são no geral mais caras, precisam contar com algum suporte local, e no final das contas, acho que as empresas locais sempre merecem o nosso apoio, em qualquer lugar. Claro que é uma decisão pessoal, há questões de confiança, de comodidade envolvidas, etc. Por conta de problemas na economia da Venezuela, não era possível na época fazermos transferência para a reserva, a reserva foi feita “na confiança” por parte do operador local. Outra coisa importante de se decidir é que época ir. Pelo clima do local, lá chove. Sempre. Não tem muito como escapar disso. Consta, conforme nos disseram à época, que fevereiro é das épocas com menos chuva, por isso acho que o Carnaval é uma boa escolha.

Escolhemos fazer o pacote de 8 dias, sendo 2 dias de caminhada até a base do monte, subida do monte no terceiro dia, 3 noites acampando lá em cima, mais dois dias de caminhada de volta. Das coisas que vimos e que deixamos de ver, acho que 3 noites/4 dias lá em cima seria o mínimo para valer o esforço. De novo, é uma opinião pessoal.

A logística para se chegar até lá também demanda preparação, e pode ser considerado o início da aventura… Pegamos um avião em São Paulo, conexão em Manaus e descemos em Boa Vista. Pelos poucos horários de voo, chegamos em Boa Vista no início da madrugada, fomos direto para o hotel (Uiramutam Palace), para sairmos pela manhã. Na manhã seguinte fomos até a rodoviária da cidade e pegamos um táxi para nos levar até a fronteira, que fica na cidade de Pacaraima. Os taxistas de Boa Vista não tinham autorização para ir para a Venezuela, então fizemos esse trecho de pouco mais de 200km nesse táxi. Fui surpreendido positivamente pelo estado da rodovia, meus conceitos pré-estabelecidos esperavam uma estrada de terra, ou esburacada, mas é na verdade uma pista simples, mas (na época, 2011) bem cuidada, então a viagem correu sem percalços. Chegando em Pacaraima, fiz pela primeira vez na vida um cruzamento de fronteira à pé. Primeiro passamos na Polícia Federal, carimbamos os passaportes, aí caminhamos até o outro lado da fronteira, para o posto venezuelano.

Mochileiro na fronteira

Do lado venezuelano, novo carimbo no passaporte, e ficamos esperando por algum carro para nos levar até Santa Elena de Uiarén, a primeira cidade do lado de lá. Lá chegando fomos direto à agência Mystic Tours para fazer o acerto. Fomos orientados pela agência a trocar o dinheiro numa determinada rua (não nas casas de câmbio, pois as taxas eram irreais), mas para tomar cuidado, nos deram direitinho a taxa que deveríamos negociar. O dinheiro (bolivares) já estava extremamente desvalorizado, e acho que deve ter piorado bastante. O nosso pacote completo (guias, carregadores, todas as refeições, barracas, etc) saiu na época por menos de R$ 800.

No início da noite tivemos o briefing na agência para explicar como seria a expedição. Tínhamos a opção de contratar um carregador extra para nossa própria mochila (além dos carregadores que iam levar todo o equipamento e comida para todo o grupo), mas decidimos encarar sem (eu com 17 kg e Fabiana com 12 kg de mochila). Conhecemos também o resto do grupo, todos brasileiros: Tania com seu filho Khalil, Emerson amigo deles, todos de São Paulo, e Marcela e Thiago, de Boa Vista. Como sempre acontece em viagens desse tipo, um pessoal super alto astral, super gente boa, demos realmente muita sorte com o grupo. Dormimos no Hotel Michelle, indicado pela agência. Bem simples, mas com água quente, serviu bem.

Dia seguinte, turma cheia de energia, fomos levados de carro até o local de início da trilha, em Paraitepuy. O primeiro dia são 16km de caminhada quase tudo plano, e fizemos acampamento no Rio Kukenan, já com uma vista para o Monte Roraima, ainda longe. Esse ponto é o último lugar onde é possível comprar cerveja (quente!), em um pequeno quiosque mantido pelos índios, o último sinal de civilização… rs Tive que tomar uma lata ao menos. Ao montar acampamento, tempo para o banho, no rio.

Local de acampamento no Rio Kukenán
No acampamento, já com vista para o Roraima e o Kukenán

No dia seguinte, atravessamos o rio (água pelas canelas) e seguimos por mais 7km até a base da montanha. Já é um dia com bastante subida, uma bela variação de altitude, e vendo a aproximação do nosso alvo, o imenso paredão ficando cada vez maior. Tivemos sorte de não pegarmos chuva, apenas uma garoa refrescante nesses primeiros dois dias de caminhada. Bastante calor, bastante cansaço, mas com uma energia indescritível para nos prepararmos para o próximo dia, finalmente a subida ao topo.

Acampamento no pé do Roraima (à direita), e a vista para o Kukenán (ao fundo)
Vista do Monte Roraima a partir do acampamento
As nuvens ficam permanentemente cobrindo e descobrindo a montanha

Segunda noite de acampamento, mais um dia com banho de rio antes de dormir, da água que corre lá de cima do paredão. A sensação de superação e de contato total com a Natureza são coisas que me movem a fazer viagens como essa. Às vezes as pessoas veem as fotos, ouvem meus relatos e não entendem o que me move. Não sei se há explicação, mas realmente é uma parte da vida sem a qual eu não conseguiria passar, eu acho.

Gostou do relato até aqui? A parte da subida ao topo e os 3 dias de exploração lá em cima ficam para o próximo post, aguarde!

Continua no post Monte Roraima (parte 2).





Fernando de Noronha

16 08 2020

Se no Brasil existe um pedacinho do Paraíso, certamente fica nesse lugar…

Esta ilha é realmente paradisíaca e indescritível em suas maravilhas… A cor de suas águas hipnotiza e aparenta se tratar de uma miragem, dada sua beleza! Para quem gosta de praia e um lindo mar é um passeio imperdível dentre aqueles mais sonhados… as referências datam de outubro de 2005, quando estive por lá…

A ilha, vista do avião ao chegar

Pôr-do-sol

Praia da Conceição no Bar do Meio: tive a experiência de acompanhar o pôr-do-Sol ao som de Pink Floyd num bar que fica na Praia do Meio (Bar do Meio) e foi no primeiro dia da viagem. Experiência para ficar realmente deslumbrado com a beleza do local.

Pôr-do-sol no Forte do Boldró: Com vista para os Morros Dois Irmãos, o local fica bastante movimentado a partir das 17hs, com turistas procurando a bela paisagem. Há no local um barzinho com música ao vivo. Fui na última noite na ilha.

Pôr-do-Sol
Pôr-do-Sol

Caminhada – Praias do mar de dentro

Seguindo por uma trilha indispensável aos que gostam de caminhar: iniciando pela trilha da Costa Azul, com saída na praia da Conceição até a praia do Bode. O ponto mais difícil para a passagem está nas pedras entre as praias da Conceição e do Boldró. Ao longo dessa trilha, vários pontos bonitos para fotografar e também acompanhar os mergulhos certeiros dos atobás no mar, muito próximo à praia, para capturar peixes. Segue pela trilha Esmeralda, saindo da praia da Cacimba do Padre até a Baía do Sancho. No final da praia da Cacimba do Padre estão localizados os morros dois irmãos, um dos mais conhecidos símbolos de Noronha. A partir daí, chega-se à Baía dos Porcos (não sem antes perder preciosos momentos num mirante à sua direita, de onde se observa bem de perto aquela que é é considerada a segunda praia mais bonita do Brasil – na minha opinião, o lugar mais bonito da ilha). A Baía dos Porcos, apesar das pedras ao seu redor, permite a prática de snorkel e se observa uma rica fauna marinha, principalmente entre as pedras. Na maré baixa, forma-se um aquário natural nos corais, repleto de peixes, cuja entrada para mergulho é proibida, mas a visão que se tem de cima dele é deslumbrante. Seguindo pelo último trecho da trilha para a Baía do Sancho, considerada a praia mais bonita do Brasil. Na época de chuvas (não era o caso na época), há a formação de uma cachoeira no paredão ao seu redor. Muita vida marinha e um mar bem tranqüilo para a prática de snorkelling. Há escadas entre as rochas que permitem o acesso à baía (escadas de metal incrustadas numa fenda entre as rochas, certa dificuldade em se utilizar delas). Ao topo, tem-se uma visão bonita da baía, e um acesso ao imperdível mirante da baía dos Porcos, um lugar emocionante com uma vista simplesmente indescritível de tão bela. Ao final do dia, o pôr-do-sol na baía do Sancho, também muito belo…

Baía dos Porcos

Baía do Sueste

Fui de ônibus circular na rodovia BR-363 até lá. Local de alimentação das tartarugas marinhas. Uma praia bela com um mangue ao fundo (o único em ilha oceânica do Brasil) e com muita vida em suas águas. A prática de snorkel é freqüente, porém não vi nenhuma tartaruga, como a maioria dos turistas, mas vi um filhote de tubarão e uma arraia grande, além de várias espécies de peixes que se tornaram conhecidos ao longo dos outros dias. Do Sueste, caminha-se até a ponta das Caracas, um mirante belo para se apreciar o mar e aves marinhas que voam muito próximas de nós (atobás, fragatas, entre outros). Dali seguem mais uns 15 minutos de caminhada até a praia do Leão, local de desova das tartarugas e considerada a 3a praia mais bonita do Brasil. De dezembro a junho o acesso a ela é interditado por ser época da desova. Ao final dessa praia, há uma agradável e transparente piscina natural muito rasa formada entre as rochas e corais, com muita vida marinha.

Mergulho

Certamente um local maravilhoso para aqueles que gostam de outras sensações no mar… as fotos subaquáticas foram muitas, mas quando não sai mal enquadrada, sai fora de foco, os peixes não colaboram, não ficam quietos… mas deu pra salvar algumas…

Mariquita, um dos peixes mais comuns por lá

Fiz à época os mergulhos autônomos com a operadora Atlantis (a mais recomendada). No primeiro dia fomos em dois pontos: o Buraco do Inferno e Cagarras rasas. Conhecemos vários peixes, arraias, uma moréia verde e uma pintada, em uma água translúcida num mergulho muito bom.

Raia encontrada em mergulho livre

Fomos também, em outro dia, ao Canal da Rata onde encontramos uma tartaruga verde; e Cagarras fundas, com mar bem agitado devido à chegada de um suel (fenômeno que causa muita agitação do mar e alta da maré) na ilha.

Frade, bastante comum também

No geral, em qualquer lugar na ilha em que haja água, você pode colocar um snorkel e sair nadando, praticando mergulho livre (sem cilindro) e certamente você encontrará muita vida marinha, risco de esbarrar em tartarugas, tubarões-lixa, raias, e vários outros amigos…

Peixe-borboleta

Atalaia

Trilha da Praia do Atalaia, um lugar com formações rochosas que formam uma grande piscina natural (um verdadeiro aquário) na maré baixa, com muitos peixes ornamentais, corais e esponjas. O acesso ao local é controlado pelo Ibama, que permite um número reduzido de pessoas por vez com tempo controlado de flutuação na piscina. Mais um passeio recomendável e imperdível.

Atalaia
Praia do Atalaia

A praia do Leão é considerada uma das mais bonitas do Brasil, e é o local onde fica o “berçário” das tartarugas… dependendo da época do ano, o acesso é proibido.

Praia do Leão

Baía do Sancho

Voltando à praia do Sancho, depois de visitá-la via caminhada, desta vez de ônibus pela BR e de lá uma carona até a entrada da baía. Descemos pela fenda após mais preciosos momentos no mirante da Baía dos Porcos. O mar agitado e o guarda do IBAMA desaconselhavam o banho de mar e o snorkelling. Para chegar ao Sancho, existem 3 meios: de barco, pela trilha vindo da vizinha Baía dos Porcos, e pelo alto do “paredão” que a cerca, descendo por fendas e escadas entre as rochas. Vale a pena ir para lá dos 3 jeitos, só para ter uma desculpa para visitar mais vezes esse lugar maravilhoso…

Chegando à Praia do Sancho
Praia do Sancho, considerada a mais bonita do Brasil

Passeio de Barco

Fiz o passeio de barco pelo mar de dentro (embarcação Naonda, R$ 70/pessoa). Nesse passeio, saímos do porto e fomos até as ilhas secundárias, e depois até o outro extremo na Ponta da Sapata. No caminho, passamos por todas as praias deste lado de ilha e durante algum tempo fomos acompanhados pelos golfinhos rotadores, que chegam muito próximo ao barco, proporcionando uma emoção única, além de belas fotos. No passeio passamos pela Baía dos Golfinhos, somente do lado de fora dela, pois o acesso não é permitido, não se chega nem por terra nem por mar, o mais próximo que se chega é do alto de um paredão de pedra, no Mirante dos Golfinhos

Golfinhos acompanhando o barco

Mirante dos golfinhos

É preciso separar um dia para acordar bem cedo e ir ao mirante dos golfinhos – que permite uma vista da Baía dos Golfinhos – para ver o seu rodopio matinal. Por volta das 6hs eles chegam em grupos à baía dando um espetáculo para quem lá está. Um binóculo ajuda bem, eles não costumam brincar tão perto assim…

A volta

A volta dá uma sensação forte de tristeza, aquele é um local de extrema concentração de belezas naturais. Certamente, para quem curte a natureza em sua forma intocada, irá desfrutar belas paisagens, águas, animais e muito mais!!!

Dicas gerais:

– Lugares imperdíveis: praticamente todos… não deixe de passar pelos mirantes, tirar muitas fotos, colocar o snorkel e a máscara para qualquer lado, certamente vai ver coisas lindas por lá…

– Procure se programar para ficar uma semana, para que possa conhecer praticamente toda a ilha e até repetir um ou dois passeios preferidos. Assistir ao pôr-do-sol cada dia em um lugar para encontrar o preferido também é uma bela pedida…

– Vale a pena contratar um pacote? Na época, não valia a pena. Os pacotes faziam conjugado com Recife ou Natal, e isso limitava os dias na ilha (ainda por cima conta que você perde horas consideráveis no dia de chegada e no dia de partida). Contratei somente o voo e hospedagem. Os passeios podiam ser facilmente contratados na ilha, sem necessidade de agendamento prévio, e muitos deles davam para fazer sozinho. Isso foi há 15 anos, algo pode ter mudado…

– No avião, para ir a Noronha vindo do Recife, fiquei à esquerda (no caso do Boeing da Varig, assentos ABC), e o avião se aproxima da ilha por este lado, mas entra pelo outro, o que proporciona uma volta completa com uma vista muito bonita ao redor da ilha.

– Andar de ônibus ou caminhar é uma boa pedida, fiquei a semana sem sentir uma grande necessidade de alugar um buggy, quando necessário conseguimos umas caronas amigas, pedidas assim, na estrada mesmo.