Kotor e Podgorica, Montenegro

14 02 2021

No verão europeu de 2019, fizemos nossa passagem pela região dos Bálcãs, que há muito estava na minha lista de desejos, e a última etapa foi na pouco conhecida e pouco falada República de Montenegro, logo após nossa passagem por Sarajevo, na Bósnia e Herzegovina.

Kotor: Cidade medieval, murada e “espremida” entre as montanhas e o Mar Adriático

Ficamos hospedados na capital do país, Podgorica (pronuncia-se “podgoritza”), mas como tínhamos apenas dois dias por lá, acabamos pegando um ônibus e indo passar um dia inteiro em Kotor, no litoral.

Podgorica é uma cidade pequena, com menos de 200 mil habitantes, e não vimos muita coisa por lá. Fomos visitar a catedral ortodoxa, que realmente é muito bonita, vale a pena, e fora isso entramos em algumas lojas para bisbilhotar, ver os preços (a moeda é o Euro, mas as coisas são extremamente baratas). Uma coisa que chamou a minha atenção foi um copo à venda numa loja, fabricado pela Nadir Figueiredo, no Brasil, e estava sendo vendido lá pelo equivalente a menos de R$ 6 ( 0.95 euros ), e o conjunto de 6 copos por menos de R$ 30. No Brasil, custam respectivamente R$ 13 e R$ 50… vai entender…

Copos “made in Brazil” em loja de Montenegro, mais baratos do que no Brasil…

A catedral ortodoxa de Podgorica é um espetáculo à parte: bastante diferente das igrejas católicas com que estamos acostumados por aqui. Com muito dourado, imagens de santos misturadas com figuras históricas da Igreja Ortodoxa Sérvia, decoração impecável.

Catedral Ortodoxa de Podgorica, “Catedral da Ressurreição de Cristo”
Altar central da catedral
Interior da catedral
Pintura no interior da catedral, representando a consagração da mesma

Em Montenegro, o litoral é banhado pelo Mar Adriático, e ficamos sabendo de duas cidades que podíamos visitar: Budva e Kotor. Budva pareceu ser mais badalada e muvucada, então acabamos optando por Kotor. Foi uma boa escolha. Uma cidade cercada por uma muralha medieval, que começa no nível do mar e vai circundando a cidade, até as montanhas.

Muralha medieval de Kotor, que sobe até as montanhas

As ruas, como são normalmente nas cidades medievais, são todas estreitas, as construções todas também da época medieval (a cidade é tombada como patrimônio cultural mundial pela UNESCO. A cidade fica numa baía, e obviamente aproveitei também para tomar um banho de mar por lá.

Mergulhando na baía de Kotor, no Mar Adriático
Ruas estreitas na cidade, herança medieval
Baía de Kotor
Praça ao lado da muralha de Kotor
Igreja ortodoxa em Kotor, construção do século XII

No geral, gosto muito de conhecer e passear em cidades com as construções medievais conservadas, como Dubrovnik, Ljubljana, entre outras onde já estive. Uma sensação gostosa de viagem no tempo, embora no geral a exploração turística seja bem forte. Se você consegue sair um pouco da muvuca e encontrar locais mais tranquilos, é bem legal.

E em Montenegro terminamos nossa viagem no verão europeu de 2019, em que viemos de Paris e fomos descendo: Eslovênia, Croácia, Bósnia e Herzegovina e finalmente, Montenegro. Sensação de que, pra variar, seriam necessários mais dias para aproveitar mais, conhecer mais lugares, explorar e conhecer um pouco mais… mas, fica pra próxima.





Ljubljana, Eslovênia

10 01 2021
Panorâmica de uma noite de verão em Ljubljana, com o castelo no alto

Essa cidade (pronuncia-se “liubliana”) é uma verdadeira jóia, uma cidade pequena, com um centro histórico extremamente bem-cuidado, vale a pena uma visita, sem dúvida. Estivemos lá no verão (europeu) de 2019, quando demos uma volta pelos Bálcãs (Eslovênia, Croácia, Bósnia e Herzegovina, além de Montenegro.

O símbolo da cidade é o dragão, criatura que segundo a lenda, habitava a cidade. O dragão pode ser visto em qualquer loja de souvenirs, e na ponte sobre o rio Ljubljanica, que corta a cidade. A maior atração da cidade é, sem dúvida, o castelo. Subimos até lá pelo funicular, embora fosse possível à pé ou de carro. O castelo possui uma visita guiada, onde a estória da cidade é contada por atores, desde a época das ocupações romanas até eventos contemporâneos. Além dessa visita, há vários eventos culturais que ocorrem por lá.

O interior do castelo é mantido quase que intacto na sua originalidade. A construção do castelo data do século XI, e foi construído no alto da colina onde as primeiras fortificações romanas estavam, em posicionamento estratégico para ter uma visão privilegiada de eventuais ataques e aproximações de inimigos.

Vista do centro histórico a partir do castelo
Vista da cidade a partir do castelo
Pátio interno do castelo
Armadura medieval em exposição no castelo
Lateral externa do castelo
Bandeira de Ljubljana, que fica no castelo (note o brasão, torre com o dragão)
Uma das celas para prisioneiros no castelo
Torre do castelo

Visitar um castelo medieval é sempre muito legal, na minha opinião, em especial para nós, que crescemos em países em que não existe esse tipo de coisa, a não ser nos contos de fadas. Mas, além do castelo, a cidade (o centro histórico onde ficamos) é bem simpática, com muitas construções antigas e ruas estreitas, que seguem ao longo do rio. Na margem do rio há vários restaurantes e bares, com mesas externas, preços não absurdos e um ótimo ambiente, alguns com música ao vivo (Isso no verão, quando estivemos lá! Em meses mais frios deve ser bem diferente).

Há também os vendedores de artesanato à margem do rio, durante a noite, e uma feira dos agricultores locais, durante o dia. Passamos somente 2 noites por lá, e acho que foi o suficiente. Haveriam outras coisas para explorar na Eslovênia (em especial ouvimos sobre um castelo construído nas rochas, o Castelo de Predjama), mas teriam que ficar para uma próxima vez, já que naquela viagem nossos planos eram passar mais dias na Croácia e na Bósnia, sobre as quais escrevi em outros posts.

O símbolo da cidade, em uma das pontes
Prefeitura da cidade
Fonte na beira do rio, castelo no alto ao fundo
Início de noite em Ljubljana
Feira dos agricultores da região

No nosso passeio pelos países que formavam a antiga Iugoslávia, foi nossa primeira parada. Bem interessante, meio que fora dos roteiros “normais”, acho que é um país que tem muito a ser explorado turisticamente, talvez para uma próxima oportunidade…

Despedida, foto da nossa última noite em Ljubljana, na beira do rio




Lagos Plitvice, Croácia

20 12 2020
Águas incrivelmente verdes nesse que é o Parque Nacional mais famoso da Croácia

Se por algum motivo nas suas andanças pelo mundo você passar pela Croácia, um lugar imperdível (além de Dubrovnik, mas aí é outro post) é o Parque Nacional dos Lagos Plitvice. Fomos para lá quando estávamos em Zagreb, no verão europeu de 2019, passeando pela região da antiga Iugoslávia (passamos também pela Eslovênia, Bósnia e Hezergovina, além de Montenegro).

Contratamos um tour privado, por indicação do nosso anfitrião no AirBnB que ficamos por lá. O parque fica a pouco mais de 100 km da capital Zagreb, e no caminho ainda paramos num museu militar à céu aberto, com resquícios da guerra dos anos 90.

Tanques croatas usados na guerra
Blindados croatas
Jato militar croata

Embora não fosse um lugar que normalmente visitaríamos, pelo lado histórico é interessante, e estava no meio do caminho. Paramos também em uma pequena vila cortada por um rio e cachoeiras, ar bem “interiorano”, como dizemos por aqui.

Ainda no caminho para Plitvice
Casas construídas literalmente em cima das cascatas
Vontade de um banho de rio… mas não rolou

Depois de pouco mais de uma hora de viagem de carro, chegamos ao Parque Nacional dos Lagos Plitvice. É um conjunto de 16 lagos de águas cristalinas, ligados por cachoeiras, com uma coloração inacreditável. Parque bem organizado, com entrada controlada e com a proibição total de se entrar na água em nenhum ponto. Até porque se fosse permitido, provavelmente os lagos perderiam a coloração que é seu grande atrativo. O Parque é bem organizado, bem sinalizado, mas extremamente lotado no verão. Boa parte do caminho lá dentro é feito a pé, e há ônibus e barcos também. Não deixar de usar protetor solar e boné, indispensáveis. Em alguns pontos há lanchonetes e banheiros, com estrutura razoável.

As primeiras vistas, quando vindo de cima, já são impressionantes
Todos os lagos são cercados por caminhos de madeira por onde os turistas podem passar
Águas transparentes na borda, e o azul-esverdeado no centro
Do alto de uma das cachoeiras
Dá muita vontade de entrar nessa água, ainda mais no calor
Às vezes dá a impressão de que jogaram tinta na água
Ao final, passamos em frente a uma das mansões do então ditador Tito, dentro do parque

Um belo passeio, em um dos lugares dentre os mais bonitos em que estive. Vale a pena, e a organização e o turismo explorados com consciência permitem que se mantenha dessa forma.

Espero que tenha gostado, até a próxima!





Sarajevo, Bósnia e Herzegovina

2 08 2020

“Is there a time for keeping your distance

A time to turn your eyes away

Is there a time for keeping your head down

For getting on with your day”

Miss Sarajevo – U2

Sarajevo, na antiga Iugoslávia (para os mais velhos), atual capital da Bósnia e Herzegovina (esse é o nome completo do país, e não somente Bósnia, lá aprendi que são duas regiões distintas separadas pelas montanhas: Bósnia a parte mais alta, Herzegovina a parte mediterrânea), foi um dos nossos destinos do verão de 2019. Eu sempre tive muita curiosidade de conhecer essa região, por uma série de motivos que na verdade norteiam a minha vontade e o meu prazer de viajar: conhecer e conversar com pessoas de culturas diferentes, belezas naturais, e, acima de tudo um lugar cuja história recente me deixava muito curioso, por conta da guerra nos anos 90, final da minha adolescência e início da minha vida adulta. Eu me lembrava das notícias da época, mas gostaria de ver, andar pelas ruas, conversar com pessoas que viveram aquela época, ouvir sobre o que estaria por trás das notícias que cruzavam o Atlântico. Após passarmos por Paris, Ljubljana(Eslovênia), Zagreb e Dubrovnik (Croácia), chegamos em Sarajevo… Depois de vários dias pulando de um AirBnB para outro, em Sarajevo optamos por usar minha pontuação e ficarmos no Novotel, acima da média para o que estamos acostumados.

Latin Bridge, local do assassinato que iniciou a I Guerra Mundial

Sarajevo é uma cidade que fica em um vale, cortada por um rio, e essa geografia tem papéis importantes nos acontecimentos históricos por lá. A Latin Bridge (foto acima) é uma ponte onde o herdeiro do Império Austro-Húngaro foi assassinado, sendo este o estopim para o início da I Guerra Mundial em 1914. E o fato da cidade ficar em um vale favoreceu a ação dos atiradores sérvios durante a Guerra da Bósnia nos anos 90 (nota: os Sérvios e Croatas a chamam de “Guerra Civil”, os Bósnios a chamam de “Agressão”, uma demonstração de que as feridas ainda estão por lá). Uma guerra por território que se transformou na tentativa dos Sérvios (cristãos ortodoxos) de através de uma “limpeza étnica” eliminar os Bósnios (muçulmanos).

A atmosfera, ao menos no setor mais turístico central, é muito acolhedora. Cuidados básicos com cobranças a mais dos turistas, como em quase qualquer lugar, é recomendável, em especial com taxistas. As construções, em especial as mais próximas ao rio, estão cheias de buracos de balas, o que impressiona. A culinária é um capítulo à parte, muita influência do oriente médio(o que no Brasil chamamos de árabe/turca/síria), misturada com a culinária mediterrânea, muito carneiro, falafel, kafta, molhos… os doces são um capítulo á parte, prove a melhor Baklava do mundo no Baklava ducan Sarajevo. No geral, come-se bem e barato (informação de junho/2019, com o Euro valendo cerca de R$ 4,50, e o BAM – moeda local – valendo R$ 2,25).

Locais que devem ser visitados necessariamente:

  • Latin Bridge
  • Catedral Ortodoxa
  • Baščaršija(Leia-se Bacharchia), bairro central e turístico
  • Túnel de Sarajevo
  • Mesquita Gazi Husrev-beg
  • Sebilj, fonte (de água) feita de madeira, estilo Otomano
Interior da Mesquita Gazi Husrev-beg

As mesquitas são muito bonitas, é bom sempre se informar sobre estarem abertas à visitação turística ou não, e os horários. Um cuidado especial deve ser tomado em relação à vestimenta, sapatos devem ser deixados de fora, e mulheres devem necessariamente cobrir os cabelos. Em geral são fornecidos véus ou lenços se as turistas precisarem. Em todas as mesquitas há fontes de àgua onde os fiéis se lavam antes de entrar na mesquita, no geral os turistas não as utilizam.

O Túnel de Sarajevo tem uma estória que vale a pena contar: no início do cerco a Sarajevo pelas tropas sérvias (que durou inacreditáveis 4 anos!), o presidente da França esteve no aeroporto da cidade, em conversas com as forças sérvias para negociar que o aeroporto pudesse ficar seguro para ações humanitárias da ONU (e não negociou o cerco em si). Com essa zona “livre”, os habitantes de Sarajevo que resistiam ao cerco fizeram um túnel de quase 1 km saindo de uma casa e atravessando por baixo do aeroporto, por onde abasteceriam a cidade por anos com mantimentos, armas, transportavam feridos, até animais. Essa casa e parte do túnel são visitáveis ainda hoje. É uma estória impressionante de luta e resistência. Consta que embora os espiões sérvios soubessem da existência do túnel, o deixaram pois achavam que estariam evacuando a cidade, quando na verdade o utilizavam para fortalecer suas forças de resistência.

Prédios com marcas de balas de mais de 20 anos atrás

Durante o cerco, os atiradores nas montanhas e locais altos alvejavam os pedestres. Consegue imaginar uma rua onde ao invés de placas “Cuidado, veículos”, havia placas “Cuidado, atiradores”? Pois então…

Fotos do cerco expostas na visita ao túnel

Além de Sarajevo

Tivemos a sorte de contratar a Funky Tours (encontrada via Trip Advisor), com a guia Armina (que foi uma excelente guia e nos ensinou tudo a respeito do país e da guerra) para um passeio de um dia para Međugorje (leia-se Mêdiugori), um local de peregrinação cristã onde há relatos de aparição de Nossa Senhora. Esse tour incluía algumas paradas que valeram muito a pena, num parque com cachoeiras (Kravica Waterfalls) e numa cidade chamada Mostar, que por si só já valeria ficar um ou dois dias por lá.

Mostar é aparentemente uma cidade turística, e sua principal atração é uma ponte, destruída da guerra e reconstruída posteriormente, e onde há competições de salto no rio. Durante nossa passagem por lá haviam homens “treinando” para pular e pedindo obviamente uma contribuição dos turistas. Alguns pagaram, mas demoramos uns bons minutos lá e nada de pulo…

Ponte em Mostar, com o candidato a saltador lá em cima, turistas com câmeras a postos…
Cachoeira no caminho de volta de Međugorje

Međugorje é uma cidade que praticamente vive em função dos peregrinos, que vêm de todas as partes do mundo, e me lembrou muito de Aparecida do Norte, guardadas as devidas proporções. Uma catedral com uma grande área externa, local amplo para caminhar, com várias imagens religiosas pelo caminho. Como lugares assim ao redor do mundo, tem uma energia muito boa, um ambiente muito gostoso também. O principal atrativo da cidade é subir até a colina das aparições.

Área externa da Catedral em Međugorje
Colina das aparições

Uma outra parada interessante e rápida foi em uma cidade pequena chamada Počitelj, cidade toda feita de pedra, construída na Idade Média pelos turcos, foi destruída pela guerra e reconstruída após seu fim.

Počitelj

Para terminar, ao longo do dia agradável que tivemos com Armina, ela nos recomendou dois filmes que retratam partes humanas da guerra dos anos 90: No man’s land (Terra de Ninguém), um filme bósnio que se passa numa trincheira da guerra, e In the land of blood and honey (Na terra do amor e ódio), filme da Angelina Jolie. Ambos filmes muito bons, que assistimos quando voltamos de viagem. De uma maneira geral ficamos com a impressão de que as feridas da guerra ainda permanecem lá, a convivência entre os “diferentes” muçulmanos, cristãos e cristãos ortodoxos ainda é tensa, o governo é meio que dividido entre 3 presidentes, cada um eleito por uma das 3 divisões do país… pense num arranjo que não tem como dar certo no longo prazo…

Sarajevo foi uma experiência muito boa, conheci uma cidade sobre a qual tinha bastante curiosidade, sentimos e respiramos um pouco de sua história, e foi para mim para a lista de cidades preferidas ao redor do mundo.

Espero que tenham gostado, até a próxima!