Lagos Plitvice, Croácia

20 12 2020
Águas incrivelmente verdes nesse que é o Parque Nacional mais famoso da Croácia

Se por algum motivo nas suas andanças pelo mundo você passar pela Croácia, um lugar imperdível (além de Dubrovnik, mas aí é outro post) é o Parque Nacional dos Lagos Plitvice. Fomos para lá quando estávamos em Zagreb, no verão europeu de 2019, passeando pela região da antiga Iugoslávia (passamos também pela Eslovênia, Bósnia e Hezergovina, além de Montenegro).

Contratamos um tour privado, por indicação do nosso anfitrião no AirBnB que ficamos por lá. O parque fica a pouco mais de 100 km da capital Zagreb, e no caminho ainda paramos num museu militar à céu aberto, com resquícios da guerra dos anos 90.

Tanques croatas usados na guerra
Blindados croatas
Jato militar croata

Embora não fosse um lugar que normalmente visitaríamos, pelo lado histórico é interessante, e estava no meio do caminho. Paramos também em uma pequena vila cortada por um rio e cachoeiras, ar bem “interiorano”, como dizemos por aqui.

Ainda no caminho para Plitvice
Casas construídas literalmente em cima das cascatas
Vontade de um banho de rio… mas não rolou

Depois de pouco mais de uma hora de viagem de carro, chegamos ao Parque Nacional dos Lagos Plitvice. É um conjunto de 16 lagos de águas cristalinas, ligados por cachoeiras, com uma coloração inacreditável. Parque bem organizado, com entrada controlada e com a proibição total de se entrar na água em nenhum ponto. Até porque se fosse permitido, provavelmente os lagos perderiam a coloração que é seu grande atrativo. O Parque é bem organizado, bem sinalizado, mas extremamente lotado no verão. Boa parte do caminho lá dentro é feito a pé, e há ônibus e barcos também. Não deixar de usar protetor solar e boné, indispensáveis. Em alguns pontos há lanchonetes e banheiros, com estrutura razoável.

As primeiras vistas, quando vindo de cima, já são impressionantes
Todos os lagos são cercados por caminhos de madeira por onde os turistas podem passar
Águas transparentes na borda, e o azul-esverdeado no centro
Do alto de uma das cachoeiras
Dá muita vontade de entrar nessa água, ainda mais no calor
Às vezes dá a impressão de que jogaram tinta na água
Ao final, passamos em frente a uma das mansões do então ditador Tito, dentro do parque

Um belo passeio, em um dos lugares dentre os mais bonitos em que estive. Vale a pena, e a organização e o turismo explorados com consciência permitem que se mantenha dessa forma.

Espero que tenha gostado, até a próxima!





Moscou, Rússia

29 11 2020

Essa foi uma passagem de 2 dias praticamente obrigatória após eu ficar quase uma semana em São Petersburgo, semana da qual falei em outro post.

À beira do rio Mockba (Lê-se “moskva”, significa Moscou). com o Kremilin ao fundo

A primeira grande surpresa foi ainda em São Petersburgo, quando fui tomar o trem, no qual iria passar a noite e acordar em Moscou. Os meus anfitriões foram gentilmente me acompanhar até a estação. Chegando lá, o nome que estava na porta da estação era um, e o nome que constava na minha passagem, comprada pela Internet com bastante antecedência, era outro. Mesmo em cirílico, eu conseguia ver que eram nomes bem diferentes. Disse à Katia, minha anfitriã, que estávamos no lugar errado. Ela olhou minha passagem e foi categórica: “Não, está certo. Aquele nome ali na parede é o nome histórico, antigo dela. O novo nome é esse que está na sua passagem.”. O nome “novo” não constava em nenhum lugar na estação, e então eu perguntei como eu saberia se ela não tivesse me dito. Ela pensou um pouco e disse “Você não saberia!”. Na mesma hora me lembrei de um colega que havia estado em Moscou e me disse que ficou 3 horas numa estação tentando descobrir qual era o trem dele. Naquele momento deixei de achar um exagero e o entendi…

Bom, sabendo que estava no lugar certo, fui acompanhado pela Katia e pelo Romain até a plataforma e embarquei no trem para minha viagem overnight.

Trem que me levou de São Petersburgo a Moscou

Minha passagem era para um assento/cama, num espaço com 3 outras pessoas, 3 russos que não falavam inglês. A conversa não fluiu, obviamente. Só consegui dizer que eu era brasileiro, e olhe lá, nem fiquei tão certo de que isso foi entendido 100%…

Eram apenas dois dias em Moscou, que – eu já sabia – não é uma cidade muito amigável para turistas sozinhos que não falam russo. Aluguei um AirBnB em um edifício histórico, monumento cultural, o Edifício da Praça Kudrinskaya, um dos arranha-céus chamados de Seven Sisters (“Sete Irmãs”), construídos na época stalinista. O anfitrião, Daniel, espanhol, mas nascido na Colômbia, trabalhava na Zara em Moscou. Cheguei logo cedo, ele havia dito que não estaria em casa, mas a namorada dele (que ele me havia dito que não falava muito bem inglês) estaria lá para me receber. Desci na estação de trem, peguei o metrô e fui para a estação Barrikadnaya, próxima ao prédio.

Minha casa em Moscou

Chegando lá, fui tocar o interfone, ninguém atendia. Após insistir algumas vezes, uma senhora de dentro do prédio, com uniforme, veio falar comigo. Em russo. “Ya ne govoryu po russki” (eu não falo russo), disse pra ela, e falei o nome do Daniel. “Your name?”, ela me perguntou em inglês carregado de sotaque. “Cristiano”, respondi. Fez sinal que a seguisse para dentro do prédio e me deu a chave. A “namorada” havia sido expulsa pelo Daniel naquela manhã, então não havia quem me recebesse… tenso.

Chegando no apartamento, conectei no wi-fi e liguei (Skype) para o Daniel. Ele perguntou se estava tudo bem, e só voltaria pra casa à noite. Ok, saí pra explorar a cidade, já que só teria dois dias para isso. As coisas mais emblemáticas e bonitas para se ver lá são a Praça Vermelha e o Kremlin, sede do governo, além da Catedral de São Basílio, ali do lado. As estações de metrô são um espetáculo à parte, verdadeiras obras de arte por todos os lados. Caminhei ao longo do Rio Mockba(“moskva”), tirei uma foto com o Parque Gorki ao fundo (quem ouvia rock no início dos anos 90 deve perceber a referência…) , fui ao Museu Pushkin, também imperdível.

Na Praça Vermelha, em frente ao Kremlin
Catedral de São Basílio, na Praça Vermelha
Chama eterna, logo antes da troca da guarda
Ritual da troca da guarda

Uma frustração foi não ter podido visitar o mausoléu de Lênin, que fica na Praça Vermelha. Os dias que eu estava lá eram dias de comemoração do “Dia da Rússia”, então havia várias coisas fechadas em função das comemorações, desfiles e etc. A data que cheguei era tarde para assistir ao desfile mas muito cedo para o mausoléu já ter reaberto… Paciência, tenho que voltar lá qualquer dia.

Catedral Cristo Salvador (ortodoxa), próxima ao Kremlin
Estação de metrô
Pintura comemorativa de 30 anos da Revolução, em estação do metrô
Estação de metrô
Mosaico em estação de metrô, em comemoração à vitória na 2a Guerra Mundial
Mosaico simbolizando o povo, em estação de metrô
Cópia do David de Michelângelo, no museu Pushkin

Ao voltar pra casa após meus primeiros passeios, ainda não havia ninguém no apartamento. Daniel chegou depois, com um amigo turco. Disse que eles iam sair para um bar, perguntaram se eu gostaria de ir. Eu já sabia de ouvir falar, que pubs em Moscou eram bem chatos em relação à vestimenta dos clientes. Estava de jeans e com minha bota de caminhada, perguntei se havia algum problema e ele disse que não. Disse que não iriam voltar tarde, pois trabalhariam na manhã seguinte. Aceitei. Fomos de taxi, ficamos dando várias voltas, descemos e seguimos andando. Senti que o turco também não estava muito à vontade. Ao entrarmos numa travessa, o Daniel entrou numa porta que parecia ser um estabelecimento de orientais, com gôndolas com produtos, parecendo um daqueles pequenos mercados coreanos no Bom Retiro em São Paulo. Entramos atrás dele, era apenas um corredor. Ao final do corredor, um segurança revistava quem passava, e encaminhava para uma escada em caracol para o que parecia um porão. Devo confessar que fiquei meio tenso. Mas após descer a escada, havia lá em baixo um bar muito legal, Mendeleev, recomendo! Ficamos lá por um bom tempo, ambiente legal, decoração lembrava algo de medieval, música ambiente. Depois saímos andando, passamos por um mercado 24hs, e fomos para outro bar, esse mais tipo balada eletrônica. Ao entrarmos nesse, Daniel passou primeiro, e quando eu fui entrar o segurança me barrou com a mão espalmada no meu peito. “Niet!”(não!), disse ele. Daniel voltou e conversou, dizendo (acho) que eu estava com ele. Nessa hora o segurança saiu da frente e veio um senhor baixinho (metade da altura do segurança), olhou sério na minha cara e disse: “Next time, change your shoes!” (da próxima vez, mude seus sapatos). Senti ali a tal preocupação com o modo de vestir dos clientes. Entramos, ficamos na balada por um tempo (gostei menos dessa, preferia o bar), e depois pegamos um táxi e fomos para casa.

Mercado 24hs

Depois da segunda noite lá, acordei cedo para ir para o aeroporto, pegar o voo com conexão em Amsterdã, e depois Brasil. Precisei da ajuda do Daniel para agendar um táxi na madrugada (ainda não existia Uber na época), já deixou acertado o valor e tudo, porque o taxista – adivinha! – não falava nada de inglês… E assim terminou minha circulada pela Europa no verão de 2013…





São Petersburgo (parte 2)

20 09 2020

Segue o post sobre minha visita a São Petersburgo, na Rússia, em junho de 2013… A primeira parte está aqui.

O Hermitage

Um dia tem que ser separado para visitar o Hermitage, um dos museus mais famosos do mundo, consta que tem a maior coleção de pinturas do mundo, e em acervo total só perde para o Louvre, em Paris. O edifício em si é uma peça de arte à parte. Foi construído no século XVIII pela Czarina Catarina, foi usado como Palácio de Inverno dos Czares até a Revolução Russa em 1917. Fotos são restritas (ao menos eram em 2013 quando estive lá), vale a pena dar uma olhada no vídeo oficial abaixo, 4 minutos somente. Visitar um palácio é sempre garantia de uma arquitetura deslumbrante, salas com mobílias da época imperial, uma bela viagem pela História da Rússia, que eu conhecia muito pouco.

Passeio de barco

Como estava no verão, havia passeios de barco pelo rio Neva que corta a cidade. É um passeio diferente, e há muita gente na rua durante a madrugada toda, já que a noite não chega a ficar totalmente escura. O ponto alto do passeio é a abertura da ponte levadiça, toda iluminada. Passeio 100% pra turista, mas eu curti, provavelmente um dos passeios que eu consideraria imperdível estando lá. Mas, esse passeio só ocorre no verão, por motivos óbvios. Provavelmente seriam viagens completamente diferentes se fossem feitas no verão (cheguei a pegar 37 graus durante o dia) ou no inverno (temperaturas negativas, e escuridão 18 horas por dia).

Ponte levadiça no passeio de barco na white night
Foto tirada no passeio noturno de barco
Palácio Peterhof

O Palácio de Verão do Czar Pedro, o Grande, assim como todo o centro histórico de São Petersburgo, faz parte do Patrimônio Mundial da UNESCO. Foi um palácio construído inspirado no palácio de Versailles, morada da família real francesa, na época a referência máxima de requinte, sofisticação e modernidade. A cidade fica a 30 km de São Petersburgo, e fui convidado para uma excursão para lá com uma turma que estava aprendendo russo com uma ucraniana, que se ofereceu como guia. Quem me convidou foi um dos alunos, Roberto, um italiano simpático que estava no mesmo AirBnB que eu. Na turma ainda haviam mais duas holandesas, pelo que me lembro.

O passeio foi muito agradável, o dia estava quente e ensolarado e nos permitiu aproveitar bastante. O único dissabor foi um quase furto que sofri, quando estava no meio de uma aglomeração assistindo a uma apresentação de música tradicional, e senti uma mão tentando entrar no bolso da minha bermuda. Dei um pulo assustado, o rapaz que estava tentando me roubar disfarçou e saiu andando, mesmo comigo gritando em inglês com ele. Finalmente não aconteceu nada, mas fica a lição para ficar atento a esse tipo de coisa, seja qual for o país onde você se encontra.

O Palácio em si e os jardins são lindos, é um passeio que vale muito a pena.

Peterhof
Jardins de Peterhof
Jardins de Peterhof

Museu Militar

Para quem gosta de História, como eu, o Museu Militar de São Petersburgo é uma parada obrigatória. Armas e armaduras medievais, tanques, mísseis, e até o carro militar com o qual Lênin desfilou ao vencer a Revolução Russa no início do século passado.

Besta medieval
Armaduras medievais
Carro usado por Lenin na revolução

Por último, como costumo fazer nas minhas viagens, procuro por restaurantes e lugares em que não haja muitos turistas. Às vezes consigo, às vezes não. Por indicação da minha anfitriã, fui a um lugar chamado Cat Café, de comida georgiana. Sem menu ou atendimento em inglês. Experiência divertida, comida muito boa, valeu a pena. Já em Moscou (fica para outro post) acabei comendo coisas sem saber até hoje do que se tratavam… Meu russo ainda é muito ruim, mas depois de uma semana vendo as placas no alfabeto cirílico, ao menos pronunciar alguma coisa eu já sabia… marcas famosas sendo escritas em russo também ajudam, como pode ser visto nas fotos abaixo. Reconhece?

Pronúncia ocidental, alfabeto cirílico

Espero que tenha gostado do relato, foi uma das viagens mais marcantes que já fiz, e valeu a pena ter esperado tanto para conseguir fazê-la.

Abraço e até uma próxima!





São Petersburgo (parte 1)

13 09 2020

Essa era uma viagem de sonho para mim. Por muitos anos adiei tentando encontrar um jeito barato de ir para a Rússia, e em especial para essa cidade. Mas acabei desistindo de esperar por uma oportunidade barata, e montei um roteiro pelo qual passei por Amsterdan, Estocolmo, Helsinki, Tallin, São Petersburgo e Moscou, em junho de 2013. Nessa viagem fiz trechos de navio (Estocolmo – Helsinki e Helsinki – Tallin) e de trem (Tallin – São Petersburgo e São Petersburgo – Moscou), viagem inesquecível.

Com sua arquitetura ímpar, construída e pensada para ser a capital do Império Russo, numa tentativa (de certa forma) de “ocidentalizar” o Império. Tudo ali foi pensado para ser ostentação, mostrar o poder do império, ser um pólo cultural, de influência, relevância política e cartão postal da grande Rússia.

Igreja do Sangue derramado, a mais emblemática de São Petersburgo

Para esta viagem fiquei num AirBnB (host: Katia, com quem tinha acertado minha chegada) na Avenida Nevsky, que é uma avenida bem localizada. O prédio ficava um pouco afastado da região central, mas dava pra caminhar um tanto ou pegar um ônibus na própria avenida, bem tranquilo. Cheguei na cidade de trem, vindo de Tallin (Estônia), e já fui direto para o endereço. Chegando no prédio, confesso que tomei um susto: cara de prédio abandonado, interfone que não funcionava… precisei esperar alguém sair do prédio para que eu entrasse… o apartamento ficava no quarto andar. Olhei para o elevador (daqueles antigos, de estrutura vazada), e tive a certeza de que também não funcionava… lá fui eu com mochilão subir as escadas. Lá chegando, fui recebido pelo Romain, marido da Katia. O apartamento me surpreendeu positivamente: super bonitinho e organizado, decorado, parecia uma casa de bonecas.

Meu quarto em São Petersburgo

O apartamento era grande, com vários quartos, e o meu era esse da foto acima. Havia um outro quarto que eles também anunciavam no AirBnB, com várias camas, e acabei conhecendo alguns dos hóspedes que estavam lá por aqueles dias.

A época que escolhi para essa viagem foi providencial: junho, início do verão, temperaturas altas e dias mais longos. Nesse período é onde acontecem as white nights, ou “noites brancas”. O Sol praticamente não se põe, às duas da manhã parece finalzinho de tarde… isso é muito legal para se aproveitar os passeios, os moradores locais aproveitam bastante para compensar o período de inverno rigoroso e de noites longas. Por outro lado, pode ser complicado se tiver dificuldade para dormir com claridade, pior se estiver num quarto sem cortinas ou com cortinas finas, como era o meu caso no quarto acima… rs

Uma cidade, vários nomes…

São Petersburgo nem sempre foi chamada assim… No início do século XVIII, durante uma guerra com os suecos, a cidade (que se chamava Nyen) foi capturada e passou a ser russa. Uma fortaleza foi construída (Fortaleza de Pedro e Paulo) numa ilha no Rio Neva, e ali seria o início da cidade fundada pelo Czar Pedro I (Pedro, o grande), que tinha, como já disse anteriormente, o objetivo de trazer para lá a capital do Império Russo, buscando uma certa “ocidentalização” da Rússia. Por conta disso, não foram poupados esforços (e dinheiro) para fazer uma cidade deslumbrante do ponto de vista arquitetônico, rivalizando com as principais capitais do continente.

Na estação de trem, nomes da cidade ao longo do tempo: São Petersburgo (1703), Petrogrado (1914), Leningrado (1924), e novamente São Petersburgo (1991)
Fortaleza de Pedro e Paulo, numa ilha no Rio Neva

Em 1914, por conta da I Guerra Mundial, alguns nomes de influência germânica sofreram modificações, e o nome da cidade foi um deles, passou a se chamar Petrogrado (“cidade de Pedro”). Esse nome durou até 1924, quando da morte de Lênin, quando o governo decidiu mudá-lo para Leningrado (“cidade de Lênin”). O nome foi mantido até 1991, após a desintegração da União Soviética, quando foi feito um plebiscito e os moradores optaram por retornar ao antigo nome, São Petersburgo.

Monumento aos defensores de “Leningrado”, durante o cerco nazista na II Guerra Mundial
Fortaleza e os túmulos dos Czares

A Fortaleza de Pedro e Paulo, que deu origem à cidade, é aberta à visitação e acho que também é um ponto imperdível. O ponto que chama mais a atenção é a Catedral de São Pedro e São Paulo, cuja torre tem cerca de 120 metros de altura. Existem outros prédios no complexo, como a antiga prisão, antiga casa da moeda, o museu da tortura, mas a catedral é o que chama mais a atenção, pela beleza arquitetônica e pelo fato de que lá dentro estão os túmulos de vários Czares (alguns deles são considerados santos pela Igreja Ortodoxa Russa), dentre eles Pedro, o grande, e os últimos Romanov, executados na Revolução Russa em julho de 1918.

Entrada da Fortaleza de Pedro e Paulo
Interior da Catedral
Túmulo de Pedro, o grande

É muito interessante estar lá e entender um tanto da História de um país que é para nós tão distante, em termos geográficos, históricos e culturais. Os seis dias que passei em São Petersburgo foram inesquecíveis, e com tanta coisa que acabei tendo que separar as informações, e devo continuar em um próximo post… aguarde que tem mais em breve.

Continua na parte 2





Dubrovnik

30 08 2020
A “Pérola do Adriático”, segundo George Bernard Shaw

… ou seria King’s Landing? Ou Porto Real?
Acho que para quem não assistiu à série Game of Thrones não vai entender…

Dubrovnik é uma cidade no litoral da Croácia, no Mar Adriático, e que foi cenário para várias cenas da série. Como somos (Laura e eu) fãs dá série, isso pesou bastante para escolhermos a cidade como um de nossos destinos, em junho de 2019. Queríamos uma praia na Croácia, e procuramos evitar Split que é o ponto mais popular por lá. Embora Dubrovnik também seja uma cidade bem cheia de turistas, a vontade de visitar pontos das filmagens falou mais alto.

Chegamos lá de avião, vindo de Zagreb, e ficar na janela do lado esquerdo foi bem legal, pudemos ver todo o litoral enquanto o avião se aproximava.

Dubrovnik vista do avião

Final de junho, bastante calor, bom período para estarmos lá. Mas essa também é a opinião de muitos turistas, então, fomos preparados para uma cidade lotada. Ficamos hospedados em um AirBnB dentro da parte histórica (murada) da cidade, uma boa escolha pra ficar mais no clima de cidade medieval, bem no meio da área turística, mesmo pagando um pouco mais por isso, e também tendo os turistas fazendo barulho durante a noite toda. O prédio em que ficamos era um edifício que, se não era da era medieval, era bem próximo… portas grandes e pesadas de madeira maciça, uma cisterna logo no hall de entrada. Uma vez dentro do apartamento, todas as facilidades da vida moderna… rs

Laura e a porta do nosso prédio em Dubrovnik
Rua em Dubrovnik

Como costumavam ser as cidades medievais, a parte histórica/turística de Dubrovnik é uma cidade toda murada, o que dá um charme adicional. Há inúmeros portais de entrada na cidade, que “cresceu para fora das muralhas, em particular nas encostas e ao longo do litoral. Dubrovnik fica numa parte da Croácia que é uma “tripa” de litoral, limitado pelo mar por um lado, e pela Bósnia e Hezergovina do outro, nas montanhas. Essa “tripa” inclusive é separada da outra parte da Croácia por uma parte da Bósnia, ua situação interessante. Quando saímos de Dubrovnik para irmos para Sarajevo, fomos de ônibus e cruzamos as fronteiras algumas vezes pelo caminho…

Croácia em amarelo, Bósnia em branco (Dubrovnik é uma faixa vermelha ao sul)

Mesmo para quem conhece outras cidades medievais, como é o meu caso, a arquitetura ainda impressiona, e essa proximidade com o mar deixa a cidade mais simpática e colorida. Por ser uma cidade extremamente turística, fomos super bem tratados, bem acolhidos, com a exceção de uma vendedora em uma loja de quinquilharias que estava muito de mau humor…

Dubrovnik à noite
Um dos portões de entrada da cidade antiga em Dubrovnik

Os passeios que fizemos foram praticamente todos dentro da cidade antiga, há um modo de circular por cima das muralhas, dando a volta completa (se for no verão, leve água, pare para descansar, tome sorvete nos pontos de parada, vá com calma). Essa caminhada proporciona belas vistas da cidade e da baía. Há alguns lugares que fazem menção a Game of Thrones, como a escadaria da vergonha e a “Baía da Água Negra”. Há passeios programados guiados pelos locais de filmagem, mas acabamos fazendo sozinhos mesmo.

“Escadaria da vergonha”, na série e ao vivo
Baía (da “Água Negra” em Game of Thrones)

E a praia?

O único passeio que fizemos fora das muralhas da cidade foi quando pegamos um Uber e fomos a Cava, onde há o Coral Beach Club, uma praia bonita, tranquila aparentemente frequentada somente por turistas. As coisas ali eram bem caras, mas tinha toda a infra, com espreguiçadeiras, toalhas, banheiros, etc

Coral Beach Club, em Cava
Mar Adriático: check!

Um bom lugar para se passar algumas horas, relaxar, tomar banho de mar (não podia voltar sem dar um mergulho no Mar Adriático!). Nos despedimos da Croácia em grande estilo, com aquela sensação gostosa mas um pouquinho frustrante de que poderíamos ter ficado um tantinho mais… mas ainda tínhamos mais destinos antes de voltar pra casa…