
Essa série, de 2005, em duas temporadas produzidas pela HBO, acredito que seja uma das melhores, se não a melhor série que retrata esse período histórico do último século antes de Cristo, no período de transição da República para o Império. O que mais chama a atenção é o trabalho e atenção que tiveram para reproduzir uma sociedade de mais de 2000 anos atrás. As roupas, a cidade cenográfica, tudo com bastante cuidado, a HBO contou com a parceria da BBC na produção para que tudo fosse reproduzido da maneira mais fiel quanto possível, dados os registros históricos disponíveis. Até por todo esse trabalho, a produção ficou extremamente cara, e acabou tendo somente duas temporadas das cinco inicialmente planejadas.
A República Romana foi um período que durou mais de 4 séculos, onde o poder era exercido pelo cônsul e este era aconselhado pelo Senado e tinha poderes limitados também pelo Senado. O fim da República tem início na ascensão de Júlio César, e é justamente esse período que é retratado na série.
A série mostra os fatos históricos, fala das batalhas, alianças políticas, traições, todas as coisas contadas nos livros de História, mas conta também o ponto de vista de pessoas comuns, no caso dois soldados, Tito Pulo e Lucius Vorenus, que são os principais personagens da série, mostrando momentos de suas vidas “comuns”, longe dos livros de História, mas também os colocando, como elementos de ficção, com papéis decisivos em vários fatos históricos, o que na minha opinião enriquece a narrativa e contribui para engajar o espectador com aquela sensação de querer ver o próximo episódio, ou mesmo ter empatia e torcer por estes personagens (com as figuras históricas não há muito como fazer isso, pois já se sabe de antemão o desenrolar de suas vidas). E é justamente o ponto de vista de dois “plebeus”, que não faziam parte da sociedade romana dos “patrícios”, que torna a série diferente, audaciosa e a faz valer a pena ser vista.
A separação entre as classes é muito nítida, e num primeiro olhar pode até chocar como os plebeus e escravos se submetem a praticamente tudo em favor das classes mais favorecidas, os patrícios, nobres proprietários de terras, “bem nascidos”. Matar um escravo era uma questão de se ressarcir o dono do escravo pelo prejuízo, e não tratado como homicídio. Haviam lugares que podiam ser frequentados por plebeus, e outros somente pelos nobres. As roupas usadas por cada um identificavam facilmente a classe à qual pertenciam. Guardadas as devidas proporções, avançamos enquanto sociedade nesses 21 séculos em alguns desses pontos, em outros nem tanto…
A religiosidade romana também é retratada de maneira muito interessante, retratando alguns detalhes do paganismo politeísta, onde existiam vários deuses cultuados, cada um com sua função bem definida e rituais que deviam ser seguidos. Os personagens faziam oferendas, tinham pequenos altares, e os próprios ritos civis, políticos e militares tinham um viés religioso também. Outra característica que é marcante também é a questão da sensualidade e sexualidade, explorada em vários momentos durante a trama, e que acaba garantindo mais audiência, como a HBO bem sabe…
É uma bela série para quem gosta de História e de uma produção bem-feita, realmente uma pensa ter tido somente duas temporadas, gostaria de ter visto mais, acho que seria bem interessante.
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