“Causos” de viagem – parte 5

28 02 2021

Sequência de “causos” marcantes ocorridos nas minhas viagens… já publiquei a parte 1, parte 2, parte 3 e parte 4, ainda não leu?

imagem daqui

Nepalês perdido no aeroporto em Abu Dhabi

Esse ocorreu na viagem de volta do Nepal, especificamente na conexão em Abu Dhabi. Grande parte dos passageiros que estavam por ali no mesmo voo eram nepaleses que estavam indo aos Emirados para trabalharem, em especial na construção civil. Pessoas simples, na sua maioria. Após passarmos pela imigração (que tem uma estória interessante, aqui), um rapaz veio me abordar, falando em (provavelmente) nepalês e apontando para a etiqueta de bagagem na sua mão. Ele estava visivelmente nervoso, com jeito de perdido. Nessas situações me dá um desespero de não poder ajudar. Imaginei que ele estava preocupado em passar pelo saída do saguão (tinha um ponto de controle de segurança) porque ele esperava pegar sua bagagem primeiro. Mas a sinalização (que provavelmente ele não conseguia ler) indicava a retirada de bagagem fora do saguão. Tentei fazer mímica, gestos, sinalizando para ele que ele poderia passar pelo posto de controle. Ele foi, mas ainda bem desconfiado… Fiquei sem saber o resto da estória, se ele conseguiu pegar sua bagagem e chegar bem. Saí de lá pensando no desespero de ter que sair do seu país por não ter opção, ir para um lugar estranho, onde você não saiba se comunicar, para ter um trabalho sabe-se lá em que condições…

Quase assaltado nos jardins do palácio do Czar

Essa ocorreu quando estava em São Petersburgo, na Rússia, no Palácio Peterhof, residência de verão do Czar Pedro, “o Grande”. Nem todas as lembranças de viagens são agradáveis, e essa não é das melhores. Era um dia de verão, eu estava caminhando pelos jardins lotados, tirando fotos e vendo monumentos. Parei no meio de uma aglomeração de pessoas assistindo a uma apresentação musical de uma banda tradicional russa. Distraído, senti algo na minha coxa, quando olhei, tinha um rapaz ao meu lado colocando a mão no bolso da minha bermuda, na altura da coxa. Quando, vi, instintivamente bati na mão dele, que ficou completamente sem graça, disfarçou simulando que estava batendo na própria perna para limpar algo. Gritei com ele em inglês, bravo, e ele saiu andando no meio da multidão… Boa experiência para lembrar de sermos cuidadosos, em qualquer lugar do mundo pode haver pessoas mal-intencionadas.





Sevilha, Espanha

21 02 2021
Plaza de España, em Sevilha

Em março de 2017 estivemos na Espanha, e dentre os lugares visitados escolhemos Sevilha. Uma parada obrigatória para quem estiver com planos de passar pelo sul da Espanha, na região da Adaluzia. A arquitetura, o clima, a comida, tudo é muito bonito e acolhedor, destaque para a belíssima Plaza de España, construída para uma feira na década de 1920, numa mistura de estilos única, referências a todas as regiões da Espanha em murais e azulejos. Essa praça foi usada como cenário para um “espaçoporto” em ao menos um filme da saga “Star Wars”.

Mural representando Barcelona
Mural representando Cádiz
Mural com Dom Quixote
Praça ao final da tarde
Vista lateral da praça
Torre da praça iluminada à noite
Fonte da praça iluminada

Um outro passeio imperdível em Sevilha é o tour pelo telhado da Catedral de Sevilha. A catedral é a terceira maior do mundo, atrás somente da Basílica de São Pedro no Vaticano e da Basílica de Nossa Senhora Aparecida, em Aparecida do Norte. Consta que é o único passeio do tipo no mundo, onde você consegue ver os detalhes da arquitetura gótica de uma maneira única.

Vitral na roseta principal, dá pra ver de pertinho
Detalhes no passeio pelo telhado
Vista do pátio interno da catedral
Torre dos sinos da catedral
Um dos pares de sinos da catedral
Vista do alto da torre da catedral
Passeando pelo telhado
Vista do lado de dentro da catedral, cidade ao redor
Detalhe da calha

Bem ao lado da catedral fica Alcazar, os Alcáceres Reais de Sevilha, que junto com a catedral são considerados patrimônios da humanidade pela UNESCO. O Alcazar é um complexo de palácios construídos em diferentes épocas, com vários jardins. Ainda hoje é utilizado como hospedagem para a família real e para personalidades que visitam a cidade. Ele também foi usado como cenário para o Reino de Dorne na série Game of Thrones.

Interior de Alcazar, forte influência moura na arquitetura
Um dos salões em Alcazar
Interior de Alcazar
Interior de Alcazar
Detalhe do teto de um dos salões em Alcazar
Interior de Alcazar
Vista dos jardins de Alcazar
Fonte no jardim de Alcazar
Vista dos jardins de Alcazar
Jardins de Alcazar “Reino de Dorne” em Game of Thrones

Uma cidade muito simpática, que certamente fica na lista para uma segunda visita numa próxima oportunidade. Depois dali ainda demos uma circulada rápida por cidades da região, mas fica para um outro post…





Kotor e Podgorica, Montenegro

14 02 2021

No verão europeu de 2019, fizemos nossa passagem pela região dos Bálcãs, que há muito estava na minha lista de desejos, e a última etapa foi na pouco conhecida e pouco falada República de Montenegro, logo após nossa passagem por Sarajevo, na Bósnia e Herzegovina.

Kotor: Cidade medieval, murada e “espremida” entre as montanhas e o Mar Adriático

Ficamos hospedados na capital do país, Podgorica (pronuncia-se “podgoritza”), mas como tínhamos apenas dois dias por lá, acabamos pegando um ônibus e indo passar um dia inteiro em Kotor, no litoral.

Podgorica é uma cidade pequena, com menos de 200 mil habitantes, e não vimos muita coisa por lá. Fomos visitar a catedral ortodoxa, que realmente é muito bonita, vale a pena, e fora isso entramos em algumas lojas para bisbilhotar, ver os preços (a moeda é o Euro, mas as coisas são extremamente baratas). Uma coisa que chamou a minha atenção foi um copo à venda numa loja, fabricado pela Nadir Figueiredo, no Brasil, e estava sendo vendido lá pelo equivalente a menos de R$ 6 ( 0.95 euros ), e o conjunto de 6 copos por menos de R$ 30. No Brasil, custam respectivamente R$ 13 e R$ 50… vai entender…

Copos “made in Brazil” em loja de Montenegro, mais baratos do que no Brasil…

A catedral ortodoxa de Podgorica é um espetáculo à parte: bastante diferente das igrejas católicas com que estamos acostumados por aqui. Com muito dourado, imagens de santos misturadas com figuras históricas da Igreja Ortodoxa Sérvia, decoração impecável.

Catedral Ortodoxa de Podgorica, “Catedral da Ressurreição de Cristo”
Altar central da catedral
Interior da catedral
Pintura no interior da catedral, representando a consagração da mesma

Em Montenegro, o litoral é banhado pelo Mar Adriático, e ficamos sabendo de duas cidades que podíamos visitar: Budva e Kotor. Budva pareceu ser mais badalada e muvucada, então acabamos optando por Kotor. Foi uma boa escolha. Uma cidade cercada por uma muralha medieval, que começa no nível do mar e vai circundando a cidade, até as montanhas.

Muralha medieval de Kotor, que sobe até as montanhas

As ruas, como são normalmente nas cidades medievais, são todas estreitas, as construções todas também da época medieval (a cidade é tombada como patrimônio cultural mundial pela UNESCO. A cidade fica numa baía, e obviamente aproveitei também para tomar um banho de mar por lá.

Mergulhando na baía de Kotor, no Mar Adriático
Ruas estreitas na cidade, herança medieval
Baía de Kotor
Praça ao lado da muralha de Kotor
Igreja ortodoxa em Kotor, construção do século XII

No geral, gosto muito de conhecer e passear em cidades com as construções medievais conservadas, como Dubrovnik, Ljubljana, entre outras onde já estive. Uma sensação gostosa de viagem no tempo, embora no geral a exploração turística seja bem forte. Se você consegue sair um pouco da muvuca e encontrar locais mais tranquilos, é bem legal.

E em Montenegro terminamos nossa viagem no verão europeu de 2019, em que viemos de Paris e fomos descendo: Eslovênia, Croácia, Bósnia e Herzegovina e finalmente, Montenegro. Sensação de que, pra variar, seriam necessários mais dias para aproveitar mais, conhecer mais lugares, explorar e conhecer um pouco mais… mas, fica pra próxima.





Contato (filme, 1997)

7 02 2021
Uma cientista dedica a vida fazer contato com algum tipo de inteligência extraterrestre

Esse filme de 1997 permanece na lista de meus filmes preferidos. É uma história baseada no livro homônimo escrito por Carl Sagan, um dos maiores divulgadores científicos do século XX, reconhecido pelo seu trabalho e pela divulgação da ciência junto ao público em geral. O filme está disponível para locação e compra aqui, no Youtube. Vale muito a pena.

É uma estória de ficção científica, e praticamente tudo o que acontece no filme tem forte embasamento científico, até pelo fato do texto original ser de um cientista. Mas é uma narrativa que trata de muito mais do que ciência, trata de uma vida dedicada à ciência de uma maneira obcecada (paralelos entre a protagonista e o próprio Sagan são inevitáveis), traz questionamentos entre ciência e fé, outro tema que Sagan também tratou bastante durante a vida. Traz questões filosóficas que nos intrigam desde sempre, e que ainda seguirão intrigando por muito tempo. E traz ainda um tanto de poesia, principalmente ao tratar da relação da protagonista com o pai, falecido na infância dela. Acho que essa mistura, e essa questão do pensamento aberto, sem limitações, e o questionamento de tudo, é o que me atrai nesse filme.

Tudo gira em torno de Ellie, interpretada por Jodie Foster, uma astrônoma brilhante e obcecada pelo projeto de conseguir contato com formas de vida alienígenas. Desde a infância, incentivada pelo pai, ela se comunicava com pessoas em lugares distantes, com equipamento radioamador. Ela enfrenta muito ceticismo e até é vítima de piadas ao longo da carreira por conta do que seria o desperdício do seu potencial como cientista ao se dedicar a algo tão “improvável e sem importância”. As coisas começam a mudar quando ela finalmente consegue encontrar algo, e mudam mesmo quando ela percebe que aos poucos é deixada de lado por oportunistas, inclusive por pessoas que nunca acreditaram em seu trabalho e até mesmo agiam para boicotá-lo. Um momento marcante é justamente quando uma das pessoas que boicotaram e desacreditaram o trabalho dela anteriormente, chega a ela e diz: “Eu gostaria que o mundo fosse um lugar justo e pessoas idealistas como você fossem recompensadas, mas infelizmente o mundo não é assim”. Ao que ela responde: “Achei que éramos nós que fazíamos o mundo”.

Extremamente cética, pragmática, prática e sempre buscando evidências científicas para tudo, no desenrolar da estória Ellie é confrontada até o limite da sua crença na ciência e na metodologia científica (outro tema caro a Sagan). Quando as notícias sobre o contato com os extraterrestres se espalham, é mostrado no filme quais seriam as consequências, pessoas se matando, pessoas querendo ser levadas para outro planeta, fanáticos religiosos agredindo os cientistas, coisas de todo o tipo. Olhando para o mundo como estamos hoje, não discordo nem um pouco dessa hipótese do filme.

O que realmente aconteceria na Terra se houvesse um contato extraterrestre algum dia? Deixando de lado os devaneios hollywoodianos de guerras contra invasões alienígenas e afins. É um questionamento interessante, se fizermos um paralelo com o que conhecemos ao longo da História: sempre quando houve algum contato entre civilizações com um abismo entre elas, o que ocorreu? Como nossas inúmeras religiões tentariam explicar essa nova descoberta? Como continuar valorizando os cientistas humanos se eventualmente conhecermos uma civilização muito mais avançada? Uma descoberta dessas inevitavelmente abalaria tudo em que acreditamos até hoje enquanto civilização, e certamente daria início a uma nova era, em todos os sentidos. Para o bem ou para o mal? Só saberemos quando for História…

O filme é bonito, gosto muito das mensagens que ele passa. Não é uma ficção científica com grandes efeitos especiais, mas eles aparecem quando necessário, e perfeitamente de acordo com a realidade, cientificamente falando. Certamente vai ficar na lista de filmes preferidos durante um bom tempo…