Costa Amalfitana, Itália

29 08 2021
Costa Amalfitana, vista da Vila Rufolo

No verão europeu de 2007, fui à primeira vez à Europa, e um dos lugares pelos quais passei e que são inesquecíveis é na Itália, a chamada Costa Amalfitana, região costeira ao sul de Nápoles, e possui uma das mais famosas vistas do Mar Mediterrâneo, com suas cidades que vão se estendendo pelas montanhas, montando um cenário já retratado tantas vezes no cinema quando um pano de fundo pede uma cena digamos assim, “mediterrânea”.

A região é formada por diversas cidades pequenas, sendo as mais famosas Amalfi (da qual a Costa empresta o nome), Ravello, Positano e Cetara. A opção para chegar lá foi de carro a partir de Nápoles, com direito a uma parada para conhecer a cidade de Pompéia, soterrada pela erupção do Vesúvio no ano de 79 d.C. (passagem que fica para um outro post). Essa passagem por Ravello e Amalfi foi parte dessa minha primeira ida à Itália, quando passei também por Florença, Roma e Veneza.

Praça central de Ravello

A cidade de Ravello fica no alto da encosta, mas de lá consegue se acessar as vilas costeiras facilmente, até caminhando. Foi em Ravello onde fiquei hospedado, no B&B I Limoni (B&B significa “Bed & Breakfeast”, ou “cama e café da manhã”), que é uma pequena propriedade onde se plantam limões na encosta, e os proprietários alugavam suítes para turistas. A propriedade fica literalmente de frente para o mar, com uma das vistas mais deslumbrantes que uma hospedagem já me proporcionou.

Vista da varanda do quarto

Para se locomover por ali, é divertido caminhar pelas ruas estreitas, morro acima e morro abaixo. Porque, se for de carro (desaconselhável especialmente na alta temporada de verão, difícil estacionar), vai ficar fazendo zigue-zagues o dia todo pelas poucas estradas que cortam as cidades da costa.

Rua onde fica o B&B I Limoni
Rua em Ravello
Rua em Amalfi

É muito comum que os turistas fiquem cansados de tanto caminhar pelas ladeiras, mas é impressionante ver como os locais (até os mais velhos) perambulam com desenvoltura por ali, até mesmo carregando sacolas de compras, bem mais pesadas do que nossas pequenas mochilinhas do dia-a-dia. A culinária é um espetáculo à parte, massas italianas com frutos do mar em geral, realmente um dos melhores lugares para se comer bem. E o povo é extremamente amável, simpático e orgulhoso da sua terra, como mostra na placa abaixo, numa das ruas da cidade, de frente à praia:

“O dia do juízo, para os amalfitanos que irão para o Paraíso,
será um dia como todos os outros”

Estrada “serpenteando” entre as propriedades
na encosta
Vista noturna da baía
Vista da lua da varanda do B&B

Uma excelente região para passar alguns dias, experimentar uma praia no Mediterrâneo que não seja (ao menos não era na época) badalada como outras, mas com belas paisagens e lugares para fotos e momentos inesquecíveis. Povo amável e receptivo, muito boa comida e imagens para guardar para sempre na memória…





Cuba

22 08 2021
Interior de restaurante em Havana

Minha primeira viagem à América Central, e acho que ela tinha que ser para Cuba. Primeiro, porque (quem acompanha os posts aqui já deve ter notado) fujo um pouco do “óbvio”, ou lugares mais comuns para os quais as pessoas costumam viajar (vide Nepal, Butão, Rússia, Venezuela, Bósnia, entre outros…). E segundo, porque Cuba sempre teve algo que me atraiu, tem obviamente a questão política, que não vem ao caso nesse post, mas também uma cultura riquíssima e um povo muito receptivo, além de praias lindas com águas “caribenhamente transparentes”, enfim, tudo para ser uma viagem muito legal.

Fui em abril de 2015 com um grande amigo (Alex) para essa viagem, fomos de Copa Airlines com conexão no Panamá, descemos em Havana onde ficamos hospedados em uma casa de família (sem AirBnB, foi uma indicação de um amigo que tinha ido anteriormente). Ficamos alguns dias lá, e uns outros em Cayo Largo, uma ilha pequena com praias e resorts. A cidade de Havana traz aquela sensação de estar parado no tempo há uns 60 anos, por conta dos veículos e da arquitetura, como se tudo tivesse parado realmente no tempo quando se iniciou o bloqueio econômico que até hoje impede que os cubanos tenham legalmente acesso a bens de consumo há muito normais em quaisquer outros países do mundo.

El Malecón, famoso calçadão à beira-mar em Havana.
Ao fundo, Castillo de San Salvador de la Punta, antigo forte militar, hoje abriga um museu.

As figuras dos heróis da Revolução estão em toda a parte. Em especial na Plaza de la Revolución, parada obrigatória para os turistas, uma das maiores praças do mundo (cerca de 760 mil metros quadrados), onde alguns prédios governamentais ostentam as figuras de Che Guevara e Camilo Cienfuegos. Além disso, o Museu da Revolução também é imperdível para se ouvir a História do ponto de vista deles.

138 bandeiras cubanas em um monumento, propositalmente colocado em frente ao prédio da
representação dos interesses americanos (já que os EUA não têm embaixada lá)
Placa explicativa do monumento das 138 bandeiras
Prédio do Ministério do Interior
Chama eterna em homenagem aos heróis da Pátria, no Museu da Revolução

É muito fácil caminhar pela cidade, misturar-se aos locais e ficar dentro da atmosfera cubana. Os principais artigos cubanos para consumo do turista são os famosos charutos, o rum e a música. Nos sentimos bastante seguros ao caminhar, e mesmo sendo reconhecidos obviamente como turistas, não fomos assediados e nem tentaram nos enganar em nenhum momento. Fomos visitar a fábrica de charutos, onde o processo é totalmente manual, e os trabalhadores montam os charutos um a um. Na chamada Havana Vieja, há a Basílica Menor de San Francisco de Asís, construção do século XVI.

Praça em Havana Vieja
Basílica Menor de San Francisco de Asís, em Havana Vieja
Totalmente ambientado em Havana Vieja
(só falta o crachá escrito “turista”)
La bodeguita del medio, bar famoso pelos autógrafos de famosos e anônimos nas paredes
Lendo o Granma, jornal oficial do Partido Comunista Cubano, na varanda da casa onde nos hospedamos

Há uma separação clara entre os locais que são frequentados pelos turistas e pelos locais, inclusive no dinheiro utilizado. Enquanto os cubanos usam o Peso Cubano, os turistas usam os CUCs (ou peso conversível), que equivale ao dólar. Ainda era assim quando estivemos lá, mas parece que agora em 2021 foi feita uma unificação das moedas e essa separação não existe mais.

Em Cayo Largo, lugar para descansar e desligar totalmente: praias, mergulhos, mojitos e é só. Inclusive um local onde pela primeira vez fui a uma praia de nudismo. Sensação boa de poder mergulhar mais, assim, livremente, se consegue me entender… não, não tenho fotos, somente das outras praias…

Praias desertas, areia branca e água transparente
Mar caribenho é isso aí…
Nadando na Playa Paraíso, em Cayo Largo
Praia próxima ao nosso hotel em Cayo Largo
Bom para mergulho e snorkeling também

Uma frustração nessa viagem foi eu não ter reservado um mergulho autônomo com antecedência, acreditei que poderia fazer a reserva quando chegasse lá, mas não consegui, estavam todos os passeios lotados. Coisas que vamos aprendendo ao longo das viagens, sempre procuro fazer as reservas localmente para evitar atravessadores e também colaborar com os locais, mas dessa vez não deu certo, teve que ficar para uma próxima vez…





Florença, Itália

15 08 2021

Essa cidade na região da Toscana é uma das poucas que visitei mais de uma vez, e devo dizer que vale muito, muito a pena, especialmente para quem gosta de História e de Arte. Sem tentar fugir do clichê, é literalmente um museu a céu aberto. Berço das obras renascentistas, é uma cidade deslumbrante, para onde quer que olhe. E está a menos de duas horas de trem de Roma, custa literalmente muito pouco dar uma escapada pra lá caso esteja na região. O centro histórico ou cidade antiga é cheio de hotéis e locais de visitação, a maioria imperdíveis, e dá pra fazer tudo a pé mesmo.

Estátua réplica de David, na Piazzale Michelângelo

A presença de David, o herói bíblico imortalizado por Michelângelo numa que é talvez a mais famosa escultura do mundo (talvez rivalizando com a Pietà e a Vênus de Milo) está em toda parte, nas praças, nos anúncios, souvenirs, no famoso avental com o dorso dele (e outras partes). O original, que é realmente impressionante pelo tamanho e pela riqueza de detalhes, fica no museu da Galleria dell’Accademia , e fotos são estritamente proibidas. Para os olhos somente. Se quiser fotos, tem que comprar as oficiais.

Há uma praça chamada Piazza della Signoria, onde chegou a ficar o David original (hoje só tem mais uma cópia), que fica no centro, que é repleta de estátuas, e fica na frente do Palazzo Vecchio, com sua torre do relógio do século XIV, só essa praça já valeria a visita à cidade.

Palazzo Vecchio, visto da Piazza della Signoria

Do outro lado do rio, há a Piazza Michelangelo, de onde se tem uma bonita vista da cidade antiga e (claro!) mais uma estátua de David. Outro ponto icônico da cidade é a Ponte Vecchio, uma ponte em arcos medievais que existe desde a época do Império Romano, originalmente de madeira mas desde sempre conhecida pelo comércio que fica em cima dela.

Vista da cidade a partir da Piazza Michelangelo
Ponte Vecchio, a mais famosa da cidade

Passeando pelas ruas você pode se perder imaginando como as pessoas viviam ali na Renascença, tanto os famosos quanto as pessoas comuns. As famílias ricas, que pagavam os artistas para fazerem obras a seu serviço, os cientistas, tão perseguidos pela Inquisição… e de repente, você se depara com a casa onde viveu Galileu Galilei:

Placa faz alusão ao ex-morador ilustre, e tem um retrato dele na parede

Um museu imperdível (além da Galleria dell’Accademia e da Galleria Ufizzi) é o Museu Dell’Opera di Santa Maria del Fiore, com várias esculturas de Michelângelo e Donatello. Fica atrás da Catedral de Santa Maria del Fiore (Catedral de Florença), famosa pelo seu domo, na mesma praça em que ainda ficam o Batistério de San Giovanni e a torre da catedral, com entrada separada. O bastistério é uma construção octagonal, e três dos seus oito lados se abrem com três grandes portas que são famosas pelas suas decorações, realizadas entre os séculos XIV e XVI. São três portas de bronze muito bonitas e grupos de mármore e bronze sobre elas, e que ilustram histórias bíblicas.

Madalena de Donatello
Catedral e a torre
Catedral e o famoso domo
Torre da Catedral
Vista do alto da torre
Porta do batistério

Uma coisa engraçada que ocorreu na nossa ida à Florença em 2017 foi em relação à hospedagem. Programamos passar somente uma noite na cidade, então fiz a reserva usando pontuação da rede de hotéis e acabei selecionando um muito bem localizado, a menos de 300 metros do batistério. Chegamos cedo na cidade, e no melhor estilo mochilão, fomos ao hotel somente para deixar a bagagem, já que o check-in era só à tarde. Quando voltamos para o check-in, apresentamos os documentos e também a minha carteira do programa de pontos da rede. Na época eu viajava muito a trabalho, então tinha o status mais alto. Quando o rapaz viu o meu cartão, checou no computador e pediu que esperássemos um pouco, pois iriam preparar a suíte presidencial, uma cortesia pela minha categoria(!!!!!). Era uma suíte com 120 metros quadrados, uma sala de estar, dois banheiros, uma cama gigantesca e um monte de mimos… definitivamente não era o tipo de hospedagem com a qual estávamos acostumados… valeu a noite!

Ah, um último detalhe a respeito da cidade: o restaurante Zazá, onde comi um gnocchi ao molho trufado que foi uma das melhores refeições que fiz em viagens até hoje… fica a dica…





Olhando para nossos limites…

1 08 2021
Imagem daqui

Durante essa semana voltou a se falar muito sobre pessoas que chegam a seu limite, em função da ginasta Simone Biles ter desistido de várias provas nas Olímpiadas onde ela era franca favorita, dizendo que não estava mentalmente bem para competir, e que deveria priorizar a sua saúde mental ao invés de colocar-se em risco nas provas (sim, a ginástica de alto desempenho é algo fisicamente perigoso se não for praticado corretamente). Ao ser questionada a respeito de todas as expectativas que haviam sobre sua performance, as medalhas e tal, praticamente “deu de ombros”, respondendo algo como “As expectativas são dos outros, isso portanto é problema deles, eu devo cuidar de mim.”.

Ainda mais exacerbada em tempos de redes sociais, comunicação e acesso a informações em tempo real, a cobrança que colocamos em geral nos atletas é algo que consideramos normal. Mas deveria ser? Fico particularmente incomodado em Olimpíadas, em especial quando se trata de esportes individuais, e um atleta que atinge a 5a, 6a posição, ou mesmo prata ou bronze, e tenta se justificar, dizendo que devia ter feito melhor, que não estava em um bom dia, etc. Quando na verdade não se trata disso, mas trata-se somente do fato de que ele se esforçou, eventualmente foi ao seu limite, mas um outro competidor (ou outros) foi melhor, e isso não deveria ser um problema. Atletas de alto desempenho, para chegarem a uma disputa olímpica, ultrapassaram centenas, milhares de outros atletas que por diversos motivos não chegaram até ali. E o fato de perder, às vezes literalmente por centésimos de segundo, uma final, uma semifinal ou mesmo estar entre os 10, 20 melhores atletas da sua modalidade no mundo inteiro, não deveria ser um problema, algo pelo que haveria a necessidade de se desculpar.

Uma declaração que foi meio contrário a esse “senso comum” foi a do nadador Bruno Fratus ao ganhar a medalha de bronze, dizendo que na final só entrou na piscina e ficou pensando em “Vai ser feliz, independente do que ocorra aqui!”. Acho que isso é bem mais saudável, e me parece que foi o que ocorreu no caso da Rayssa, medalhista de 13 anos do skate, e da Rebeca Andrade (que até agora levou 2 medalhas, pode levar mais uma), da ginástica, que deixaram a pressão de lado, buscaram fazer o seu melhor e aproveitar o momento de estar entre as melhores do mundo. No caso da Rayssa, praticamente só se divertindo, conforme ela mesma disse.

Fazendo um paralelo com nossas próprias vidas, tanto no campo pessoal quanto profissional, o quanto no dia-a-dia não nos esforçamos para satisfazer expectativas de outros, miramos objetivos que não são nossos, e nos esquecemos de simplesmente ter um propósito, e mesmo nos permitirmos ter prazer e diversão ao longo do caminho. A vida cobra muita coisa a toda hora, de todos nós, para conseguirmos objetivos, atingirmos metas, ser aprovado em processos seletivos, desde antes da vida adulta. E muitas vezes não nos permitimos repensar o caminho, fazermos mudanças e questionarmos os propósitos. “Está valendo a pena?”, “Quero mesmo fazer isso?”, “Estou fazendo isso por que quero ou porque outros querem?” e outras várias perguntas. Na vida profissional, somos cobrados para ter uma carreira de sucesso, conseguir ir subindo e evoluindo, precisando estar sempre atualizado… Mas, aqui também, como nas Olimpíadas, não há lugar para todos no topo. E isso não deveria ser um problema. Cada um deveria tratar da vida, da carreira, das conquistas e frustrações de uma maneira mais leve. Vamos ganhar algumas batalhas e perder outras, sempre. Mais importante do que os objetivos deveria ser o caminho percorrido, e, principalmente, o que você consegue tirar ao longo dele. Não deixar que o peso do mundo permaneça em nossas costas, ninguém deveria precisar lidar com isso, jamais. As novas gerações estão tendo um peso ainda maior, por conta da velocidade das coisas, da disponibilidade de informações e acesso a tudo muito rápido, a cobrança tende a ser maior ainda…

Imagem daqui

Que possamos ter mais leveza em tudo, para o bem da nossa saúde, para o bem das pessoas que convivem conosco, e para o bem da sociedade como um todo e das próximas gerações… Às vezes, o peso de que precisamos nos livrar não está no corpo, fisicamente falando, e nem nos pertence…