“Causos” de viagem – parte 7

11 06 2021

Sequência de “causos” marcantes ocorridos nas minhas viagens… já publiquei a parte 1, 2, 3, 4, 5 e 6, ainda não leu?

Ficando sem passaporte na fronteira da Estônia com a Rússia

O passaporte, junto dinheiro e cartões, é algo que você não pode perder no meio de uma viagem, pois vai lhe dar muita dor de cabeça e eventualmente estragar sua viagem. Estava eu em 2013, viajando de trem de Tallin, capital da Estônia, para São Petersburgo, na Rússia. Quando passamos pela fronteira, o trem parou, entrou um oficial russo, daqueles do jeito que a gente vê no cinema, em filmes de espionagem da guerra fria… ele obviamente não falava inglês, e foi passando pelos vagões, recolhendo todos os passaportes, um a um, em seguida saiu do trem com literalmente uma pilha de passaportes na mão, e foi até uma sala que fica na estação. Aí fica aquela ansiedade, ele está demorando… como ele vai saber qual passaporte é de quem, se ele não anotou nada. O que acontece se ele simplesmente não devolver o MEU passaporte? Como faço, pra quem eu reclamo? Felizmente depois de alguns minutos que demoraram para passar, ele voltou e foi calmamente devolvendo todos os documentos, um a um, aparentemente sem errar nenhum… Passou o frio na barriga, e seguimos viagem, cheguei são, salvo e com passaporte em São Petersburgo.

Brasileiro querendo saber de outro esporte que não futebol? Pode esquecer…

Em 2012, estava em San Franciso, na Califórnia, em uma viagem de trabalho. Aproveitando a passagem por lá, fui assistir a um jogo de baseball dos Giants. Já tinha ouvido falar que o estádio, na beira da baía, era bem bonito. Conhecimento do esporte, praticamente nulo… Puxo conversa com o taxista, de origem asiática, para saber como está o time na liga. Ele não sabe. Pergunta de onde sou, digo que sou do Brasil, ele começa a discorrer a respeito da seleção brasileira de 86, dando a escalação quase completa… lembra do Sócrates, Careca, Júnior, Zico… Lembra que o Zico perdeu um pênalti contra a França, comenta que a França tinha um time bom, com Platini e Tiganá (meu DEUS! Ele lembrou do Tiganá!!!), disse que morava em Hong Kong na época e que se lembra das pessoas tristes depois que o Brasil perdeu aquele jogo…
E eu fiquei sem saber dos Giants… Mas fui ver o jogo, mas já é outra estória…

Motorista de charrete em Sarajevo, Bósnia e Herzegovina

Essa foi uma daquelas clássicas de problemas de comunicação, nem todo mundo fala inglês. Estávamos numa praça em Sarajevo, onde saíam umas charretes para um parque ali perto (uns 3, 4 km eu acho). Fomos conversar com o senhorzinho, já com certa idade, que conduzia uma das charretes. Ele não falava inglês, lá fomos nós para a mímica. Descobrimos que custava 20 marcos para nos levar (essa parte todo mundo fala em inglês), mas ele parecia preocupado, tentando nos avisar de algo. Apontava para a estrada, e fazia um movimento de “cortar um dedo”, e falava um monte de coisas em bósnio, que eu não entendia. Achei que tinha que tomar cuidado porque alguém tinha cortado o dedo, sei lá. Subimos na charrete, e depois de um bom tempo, a estrada estava interrompida. Ali percebemos que o “dedo cortado” na verdade era estrada interrompida, e portanto a charrete não conseguia passar, tínhamos que fazer o resto do caminho a pé. Foi o que fizemos, mesmo porque não havia alternativa… e para voltar, o caminho inteiro foi à pé, já que as charretes ficavam somente na praça, no início do caminho…





“Causos” de viagem – parte 6

16 05 2021


Sequência de “causos” marcantes ocorridos nas minhas viagens… já publiquei a parte 1, 2, 3, 4 e 5, ainda não leu?

Imagem daqui

Atendente sem senso de humor no Sea World, em Miami

Quando estava em Miami visitando o Sea World, havia uma opção de nadar com os golfinhos, em um ambiente controlado, com treinadores, com um pouco de interação com os animais. Na verdade foi um dilema, pois eles ficam ali em cativeiro, por mais que sejam bem tratados, ainda assim é um cativeiro. Fiquei pensando se pagaria para isso ou não, acabei decidindo fazer. Ao comprar esse pacote, era necessário assinar um termo, ler um contrato, vários itens, e o atendente se colocou à disposição para tirar quaisquer dúvidas. Uma das perguntas era se você seria capaz de se comunicar em inglês. Não resisti e fiz uma piada: “Essa pergunta é porque os golfinhos só falam inglês?”. O atendente não sorriu, acho que na verdade nem piscou, e respondeu secamente: “Isso é porque os instrutores que estarão lá com você só falam inglês.”. Fiquei meio sem graça, e continuei lendo. Uma outra questão era que você se comprometia a não perseguir os golfinhos, não bater neles e não mordê-los. Lá fui eu tentar outro comentário: “Nossa, que tipo de pessoa morderia um golfinho?”. Novamente de maneira seca, o atendente respondeu: “Pessoas com necessidades especiais, por exemplo.”. Fiquei mais sem graça ainda, e resolvi parar com considerações espirituosas…

Barganhando em Istambul, Turquia

Sempre que vou a algum lugar novo faço questão de comprar um souvenir que seja, algo pequeno, característico do lugar, para ter como recordação. Em Istambul, fiquei procurando por uma miniatura da Hagia Sofia. No geral várias lojas vendem sempre as mesmas coisas, provavelmente do mesmo fornecedor inclusive. Mas estava procurando e achei uma da qual gostei, mas achei meio caro. Como sabia que os turcos costumam valorizar a barganha, já fui lá e pedi quase 50% de desconto, para iniciar a conversa. O vendedor pegou o souvenir da minha mão, colocou de volta na prateleira e falou “Bye, bye!”, despedindo-se com a mão. Fiquei atônito, enquanto ele virava as costas e voltava para dentro da loja. Acabei achando o mesmo souvenir, realmente pela metade do preço, em outra loja. Fiquei com vontade de voltar lá para mostrar para ele a venda que ele perdeu, mas acabei deixando pra lá…





“Causos” de viagem – parte 5

28 02 2021

Sequência de “causos” marcantes ocorridos nas minhas viagens… já publiquei a parte 1, parte 2, parte 3 e parte 4, ainda não leu?

imagem daqui

Nepalês perdido no aeroporto em Abu Dhabi

Esse ocorreu na viagem de volta do Nepal, especificamente na conexão em Abu Dhabi. Grande parte dos passageiros que estavam por ali no mesmo voo eram nepaleses que estavam indo aos Emirados para trabalharem, em especial na construção civil. Pessoas simples, na sua maioria. Após passarmos pela imigração (que tem uma estória interessante, aqui), um rapaz veio me abordar, falando em (provavelmente) nepalês e apontando para a etiqueta de bagagem na sua mão. Ele estava visivelmente nervoso, com jeito de perdido. Nessas situações me dá um desespero de não poder ajudar. Imaginei que ele estava preocupado em passar pelo saída do saguão (tinha um ponto de controle de segurança) porque ele esperava pegar sua bagagem primeiro. Mas a sinalização (que provavelmente ele não conseguia ler) indicava a retirada de bagagem fora do saguão. Tentei fazer mímica, gestos, sinalizando para ele que ele poderia passar pelo posto de controle. Ele foi, mas ainda bem desconfiado… Fiquei sem saber o resto da estória, se ele conseguiu pegar sua bagagem e chegar bem. Saí de lá pensando no desespero de ter que sair do seu país por não ter opção, ir para um lugar estranho, onde você não saiba se comunicar, para ter um trabalho sabe-se lá em que condições…

Quase assaltado nos jardins do palácio do Czar

Essa ocorreu quando estava em São Petersburgo, na Rússia, no Palácio Peterhof, residência de verão do Czar Pedro, “o Grande”. Nem todas as lembranças de viagens são agradáveis, e essa não é das melhores. Era um dia de verão, eu estava caminhando pelos jardins lotados, tirando fotos e vendo monumentos. Parei no meio de uma aglomeração de pessoas assistindo a uma apresentação musical de uma banda tradicional russa. Distraído, senti algo na minha coxa, quando olhei, tinha um rapaz ao meu lado colocando a mão no bolso da minha bermuda, na altura da coxa. Quando, vi, instintivamente bati na mão dele, que ficou completamente sem graça, disfarçou simulando que estava batendo na própria perna para limpar algo. Gritei com ele em inglês, bravo, e ele saiu andando no meio da multidão… Boa experiência para lembrar de sermos cuidadosos, em qualquer lugar do mundo pode haver pessoas mal-intencionadas.





“Causos” de viagem – parte 4

17 01 2021

Sequência de “causos” marcantes ocorridos nas minhas viagens… já publiquei a parte 1, parte 2 e parte 3, ainda não leu?

Alemã que não esconde a alegria (era após a Copa de 2014) em encontrar um brasileiro numa livraria em Katmandu, Nepal

Estava entrando numa pequena livraria no centro de Katmandu, procurando por alguns postais e ver outras coisas, enfim, xeretando… Percebi que o livreiro vinha conversar com todo cliente que estava na loja, perguntava de onde a pessoa era e, dependendo, começava a conversar na língua da pessoa. Eu o vi falando italiano, francês, uma outra língua que não identifiquei, além do inglês. Quando se dirigiu a mim, eu respondi que era brasileiro, notei uma senhora de meia-idade que estava saindo, ela deu meia-volta, olhou para mim e veio conversar, em inglês:
– Você é do Brasil?
– Sim, sou brasileiro.
Ela abriu um enorme sorriso (era outubro de 2014, 3 meses depois do 7×1 na Copa do Mundo no Brasil):
– Eu sou da Alemanha!
Sorri de volta e disse:
– Você então quer falar de futebol, não é?
– Sim, estamos muito felizes com o futebol!
– Quantos brasileiros você encontrou desde a Copa?
– Você é o primeiro!!
– …

Vendedor de souvenirs engraçadinho em Washington DC, Estados Unidos

Estava eu turistando em Washington DC e fui a uma loja de souvenirs quase ao lado da Casa Branca, tinha inclusive uma cópia do Salão Oval para os turistas tirarem fotos acompanhados do presidente e da primeira dama (em papelão, tamanho natural), que na época era o casal Obama.
Fui comprar uma lembrancinha para a minha coleção, e havia uma pequena miniatura metálica que tinha a Casa Branca, o Capitólio e o monumento a Washington (obelisco) no meio. Achei que representava bem, comprei uma para mim e uma para o meu avô.
Ao passar no caixa, o atendente olhou para mim seriamente e disse:
– When you go home, you’re going by plane or car, bus? (“Quando você for pra casa, você vai de avião ou de carro/ônibus?”)
– By plane (“Avião”), respondi.
– So you can’t put it in your hand luggage, because it may be considered a weapon of mass destruction. (“Então você não pode levar isso na sua bagagem de mão, porque pode ser considerado uma arma de destruição em massa”)
O que ele queria me dizer, com bom humor, é que por ser metálico e ter uma ponta (o obelisco), aquele objeto poderia ser considerado perigoso numa revista para entrar em um avião. Deu a entender que “estão enchendo o saco por tudo, tome cuidado”. Achei curioso, americanos levam essa questão de segurança muito à sério, especialmente depois dos atentados das Torres Gêmeas em 2001 (o ano da minha visita foi 2010).
– Handle with care, ok? (“Manuseie com cuidado, ok?”), respondi, também com cara séria.
– Aí ele abriu um sorriso e deu uma bela gargalhada, assentindo com a cabeça, e murmurando sobre como estava chato o sistema de segurança de embarque…
Bom, tirei minha foto com o casal Obama, saí da loja e fiquei com essa lembrança… Ah, meu voo de Washington para Nova Iorque era sem despacho de bagagem, então a “arma” foi na mala de mão mesmo, felizmente não tive problemas… ainda bem.





“Causos” de viagem – parte 3

27 12 2020
Imagem daqui.

Sequência de “causos” marcantes ocorridos nas minhas viagens… já publiquei a parte 1 e parte 2

Ônibus de excursão errado em Cusco, Peru

Quando contratamos a excursão para passear em Cusco, antes de iniciarmos a Trilha Inca, tínhamos uma espécie de tour privado, com poucas pessoas. Ficou marcado do guia, que havíamos encontrado no dia anterior, ir nos pegar no dia seguinte, no hotel. Importante: na época, não havia celular para falarmos com o guia. No horário marcado, estávamos lá sentados na recepção, aguardando. Entra um guia bem mais novo, falando castelhano super rápido, perguntando meu nome: Cristiano, disse eu. “Ah, venha, venha, estamos atrasados”, ele disse. “Onde está o Jim?”, perguntei, querendo saber do nosso guia. “Venha, venha, depois!”. Desconfiei, mas fomos com ele. Subimos num ônibus grande, cheio de turistas, perguntei ao motorista sobre o Jim, ele também estava todo apressado e me mandou subir. Começamos a sair pela cidade, parando em outros hotéis e pegando mais turistas. A cada parada eu tentava explicar que achava que estava no lugar errado. Até que chegou uma parada e vi o “guia” do lado de fora do ônibus levando um esporro de um casal, e reconheci que era um casal que estava no nosso hotel. Tinham acabado de descobrir que tinham pego o casal errado, no caso, nós. O nome do cara do outro casal era Christian (tremendo azar!). O tal “guia” entrou num carro conosco para nos levar de volta ao hotel. Xinguei ele com todos os nomes que meu castelhano permitia (não pelo erro, mas por não ter me ouvido, o tempo todo dizendo que não devia estar ali e perguntando pelo Jim). Fomos devolvidos ao hotel, e nosso guia de verdade estava esperando… felizmente deu tempo, e tivemos um belo dia de passeios.

Garçom mal-educado em Buenos Aires, Argentina

Estava passando pela frente do famoso Café Tortoni, na não menos famosa Avenida de Mayo. Já havíamos comido, mas pensávamos em voltar ali para tomar um café mais tarde. Achamos que daria para verificar o menu, ter uma ideia do que tinha e dos preços, para voltar mais tarde. Não havia menu na entrada, então entramos e pedimos ao garçom. Ele nos convidou a sentar. Expliquei que voltaríamos mais tarde, agora só queríamos ver o menu. Ele fechou a cara, disse “Se te sientas, te lo daré”, deu as costas e nos deixou ali, parados…

Menino que não sabia usar lápis, no Nepal

Essa foi uma das situações que mais me tocaram em todas as viagens que fiz. Quando fui fazer essa viagem, fui avisado que iríamos passar por vilas com pessoas bem simples, e que as crianças gostavam de receber lápis de cera, livrinhos de pintar, essas coisas, então levei alguns na mochila comigo. Numa vila específica, entreguei um livrinho e um estojinho de lápis para um menino, não tinha mais de 4 anos. Os olhinhos brilharam, ele agarrou os presentes e ficou circulando com eles. Umas turistas que estavam por lá fizeram menção de ajudá-lo, abrir o estojo e o livrinho, ele ficou desesperado, acho que pensou que iam tirar dele. Fiquei com a impressão de que ele jamais tinha visto aquelas coisas, nem sabia o que fazer com elas. Fiquei alguns minutos ali, pensando e observando o menino, e imaginando o abismo entre a realidade dele e a minha, as oportunidades que ele vai ter, em comparação com as crianças no Brasil, ou de outros países. Fiquei pensando o quanto estamos longe de ter um mundo igualitário e justo para todos..

Procurando cerveja na sexta-feira santa em Dublin, Irlanda

Em 2010, peguei duas semanas de “férias” ao sair de um emprego e antes de começar outro. Fui para Barcelona visitar um casal de amigos, Sílvia e Fabiano, que estavam morando por lá. Por sugestão do Fabiano, fui procurar voos low cost para sair de Barcelona, pois eles moravam perto de um aeroporto secundário com muitos desses voos. Acabei achando uma promoção de 30 euros ida e volta Barcelona-Dublin, com limitação de ir numa terça e voltar no sábado de aleluia, sem despachar bagagem. Uma verdadeira pechincha. Topei. A viagem a Dublin foi bem legal, apesar do tempo estar meio frio e chuvoso (a primavera tinha acabado de começar, teoricamente). Mas o engraçado dessa viagem, que deixo para descrever em outro post, foi na minha última noite em Dublin, que era justamente a sexta-feira santa. Eu sabia que a Irlanda era um país bem católico, mas também sabia que era um povo bem festivo e que bebia muito. Mas na sexta-feira santa, por força de lei, era proibido vender bebidas alcoólicas. Fui para o Temple Bar, bairro turístico e boêmio da cidade, e todos os restaurantes estavam com placas indicando isso. A maioria dos bares, fechados, os abertos continham placas semelhantes.
Entrei em um restaurante, pedi uma massa para o jantar, e a garçonete me perguntou o que eu queria beber. “Não posso nem pensar numa Guinness hoje, né?”, perguntei. Ela respondeu séria que não, mas tinham muitos refrigerantes e sucos para eu escolher. Pedi um suco de maçã. “Duplo sem gelo!”, ainda brinquei. E assim minha última noite em Dublin foi completamente sem bebida alcoólica…