Tallinn (Estônia)

12 10 2021

Passei dois dias nessa cidade em 2013, no meu giro pela Europa rumo à Rússia. É uma cidade que tem seu centro histórico da época medieval bem conservado e explorado turisticamente. Gostei do pouco tempo que fiquei por lá, achei que valia um post a respeito.

Vista da Catedral Ortodoxa Alexander Nevsky

Na verdade, eu iria passar um dia a mais na cidade pela minha programação original. Acontece que eu tinha comprado todos os trechos da viagem (avião, navio, trens) com exceção do trecho de Tallin até São Petersburgo, na Rússia. Esse trecho não era vendido online, então fiquei de comprá-lo assim que chegasse à cidade. Foi o que fiz, fiz check-in no Hotel Braavo, e em seguida me dirigi à estação de trens. Mas o problema é que não conseguia me comunicar com a moça no guichê da estação. Ela não falava inglês, e eu não falava estoniano (talvez ela tenha tentado falar em russo ou outra língua, mas pra mim não faria diferença…). Depois de algum tempo e muita mímica, muitos dedos apontados para a tabela de horários e outras tentativas, consegui entender que não havia mais vaga para o trem do sábado que eu queria pegar. Eu teria que ir na sexta, para quando haviam passagens disponíveis. Só que minha hospedagem no AirBnB em São Petersburgo era só pro sábado. Voltei ao hotel onde havia acesso à Internet no wi-fi disponível, para ligar via Skype para minha anfitriã russa para saber se poderia antecipar minha chegada em um dia. Felizmente ela estaria vagando o quarto naquele dia, e então eu poderia ir. Voltei à estação de trens e pude comprar minha passagem, e finalmente começar a explorar Tallin.

Tallin vista de uma das torres da muralha

A coisa mais interessante sobre essa cidade (só fiquei na parte turística/histórica) para mim foi o ambiente medieval que eles criam para os turistas. A arquitetura permite que você realmente sinta-se na Idade Média. As lojas e restaurantes fazem a decoração e eventualmente os uniformes dos funcionários com roupas da época também. Como era verão, havia bastante gente nas ruas, e algumas apresentações teatrais que reproduziam as performances comuns na época medieval também.

Apresentação de teatro ao ar livre

O restaurante que escolhi para comer também era peculiar: a hostess de lá, vestida à caráter como uma respeitável senhora medieva, informou que ali só serviam alimentos que existiam na Europa antes do século XV, ou seja, antes de trazerem os alimentos “descobertos” na América, como milho e batata. Até a cerveja era do tipo e receita da época, e servida em canecas de barro.

A cidade, como todas as da época, era murada, e suas muralhas ainda permanecem parcialmente lá, e abertas para uma caminhada e belas fotos

Parte da muralha da cidade
Caminhando pela muralha
Torre na muralha

Algumas das construções mais famosas da cidade são a Catedral Ortodoxa Alexander Nevsky e a prefeitura (Raekoda), sendo esta uma construção do início do século XV, ostentando uma torre extremamente alta. Normalmente está aberta para visitação, mas na minha rápida passagem por lá acabei não conseguindo ir visitar.

Prefeitura (Raekoda)
Vista da Catedral Alexander Nevsky
Memorial Russalka, em homenagem ao naufrágio do navio russo de mesmo nome

Embora seja uma daquelas áreas bem montada para turistas e explorada como tal, gostei da minha passagem por lá, foram momentos agradáveis, pena que tive que partir logo.

Tallin vista a partir da torre da muralha

Se chegou até aqui, espero que tenha gostado desse curto relato. Abraço e até uma próxima!





Costa Amalfitana, Itália

29 08 2021
Costa Amalfitana, vista da Vila Rufolo

No verão europeu de 2007, fui à primeira vez à Europa, e um dos lugares pelos quais passei e que são inesquecíveis é na Itália, a chamada Costa Amalfitana, região costeira ao sul de Nápoles, e possui uma das mais famosas vistas do Mar Mediterrâneo, com suas cidades que vão se estendendo pelas montanhas, montando um cenário já retratado tantas vezes no cinema quando um pano de fundo pede uma cena digamos assim, “mediterrânea”.

A região é formada por diversas cidades pequenas, sendo as mais famosas Amalfi (da qual a Costa empresta o nome), Ravello, Positano e Cetara. A opção para chegar lá foi de carro a partir de Nápoles, com direito a uma parada para conhecer a cidade de Pompéia, soterrada pela erupção do Vesúvio no ano de 79 d.C. (passagem que fica para um outro post). Essa passagem por Ravello e Amalfi foi parte dessa minha primeira ida à Itália, quando passei também por Florença, Roma e Veneza.

Praça central de Ravello

A cidade de Ravello fica no alto da encosta, mas de lá consegue se acessar as vilas costeiras facilmente, até caminhando. Foi em Ravello onde fiquei hospedado, no B&B I Limoni (B&B significa “Bed & Breakfeast”, ou “cama e café da manhã”), que é uma pequena propriedade onde se plantam limões na encosta, e os proprietários alugavam suítes para turistas. A propriedade fica literalmente de frente para o mar, com uma das vistas mais deslumbrantes que uma hospedagem já me proporcionou.

Vista da varanda do quarto

Para se locomover por ali, é divertido caminhar pelas ruas estreitas, morro acima e morro abaixo. Porque, se for de carro (desaconselhável especialmente na alta temporada de verão, difícil estacionar), vai ficar fazendo zigue-zagues o dia todo pelas poucas estradas que cortam as cidades da costa.

Rua onde fica o B&B I Limoni
Rua em Ravello
Rua em Amalfi

É muito comum que os turistas fiquem cansados de tanto caminhar pelas ladeiras, mas é impressionante ver como os locais (até os mais velhos) perambulam com desenvoltura por ali, até mesmo carregando sacolas de compras, bem mais pesadas do que nossas pequenas mochilinhas do dia-a-dia. A culinária é um espetáculo à parte, massas italianas com frutos do mar em geral, realmente um dos melhores lugares para se comer bem. E o povo é extremamente amável, simpático e orgulhoso da sua terra, como mostra na placa abaixo, numa das ruas da cidade, de frente à praia:

“O dia do juízo, para os amalfitanos que irão para o Paraíso,
será um dia como todos os outros”

Estrada “serpenteando” entre as propriedades
na encosta
Vista noturna da baía
Vista da lua da varanda do B&B

Uma excelente região para passar alguns dias, experimentar uma praia no Mediterrâneo que não seja (ao menos não era na época) badalada como outras, mas com belas paisagens e lugares para fotos e momentos inesquecíveis. Povo amável e receptivo, muito boa comida e imagens para guardar para sempre na memória…





Florença, Itália

15 08 2021

Essa cidade na região da Toscana é uma das poucas que visitei mais de uma vez, e devo dizer que vale muito, muito a pena, especialmente para quem gosta de História e de Arte. Sem tentar fugir do clichê, é literalmente um museu a céu aberto. Berço das obras renascentistas, é uma cidade deslumbrante, para onde quer que olhe. E está a menos de duas horas de trem de Roma, custa literalmente muito pouco dar uma escapada pra lá caso esteja na região. O centro histórico ou cidade antiga é cheio de hotéis e locais de visitação, a maioria imperdíveis, e dá pra fazer tudo a pé mesmo.

Estátua réplica de David, na Piazzale Michelângelo

A presença de David, o herói bíblico imortalizado por Michelângelo numa que é talvez a mais famosa escultura do mundo (talvez rivalizando com a Pietà e a Vênus de Milo) está em toda parte, nas praças, nos anúncios, souvenirs, no famoso avental com o dorso dele (e outras partes). O original, que é realmente impressionante pelo tamanho e pela riqueza de detalhes, fica no museu da Galleria dell’Accademia , e fotos são estritamente proibidas. Para os olhos somente. Se quiser fotos, tem que comprar as oficiais.

Há uma praça chamada Piazza della Signoria, onde chegou a ficar o David original (hoje só tem mais uma cópia), que fica no centro, que é repleta de estátuas, e fica na frente do Palazzo Vecchio, com sua torre do relógio do século XIV, só essa praça já valeria a visita à cidade.

Palazzo Vecchio, visto da Piazza della Signoria

Do outro lado do rio, há a Piazza Michelangelo, de onde se tem uma bonita vista da cidade antiga e (claro!) mais uma estátua de David. Outro ponto icônico da cidade é a Ponte Vecchio, uma ponte em arcos medievais que existe desde a época do Império Romano, originalmente de madeira mas desde sempre conhecida pelo comércio que fica em cima dela.

Vista da cidade a partir da Piazza Michelangelo
Ponte Vecchio, a mais famosa da cidade

Passeando pelas ruas você pode se perder imaginando como as pessoas viviam ali na Renascença, tanto os famosos quanto as pessoas comuns. As famílias ricas, que pagavam os artistas para fazerem obras a seu serviço, os cientistas, tão perseguidos pela Inquisição… e de repente, você se depara com a casa onde viveu Galileu Galilei:

Placa faz alusão ao ex-morador ilustre, e tem um retrato dele na parede

Um museu imperdível (além da Galleria dell’Accademia e da Galleria Ufizzi) é o Museu Dell’Opera di Santa Maria del Fiore, com várias esculturas de Michelângelo e Donatello. Fica atrás da Catedral de Santa Maria del Fiore (Catedral de Florença), famosa pelo seu domo, na mesma praça em que ainda ficam o Batistério de San Giovanni e a torre da catedral, com entrada separada. O bastistério é uma construção octagonal, e três dos seus oito lados se abrem com três grandes portas que são famosas pelas suas decorações, realizadas entre os séculos XIV e XVI. São três portas de bronze muito bonitas e grupos de mármore e bronze sobre elas, e que ilustram histórias bíblicas.

Madalena de Donatello
Catedral e a torre
Catedral e o famoso domo
Torre da Catedral
Vista do alto da torre
Porta do batistério

Uma coisa engraçada que ocorreu na nossa ida à Florença em 2017 foi em relação à hospedagem. Programamos passar somente uma noite na cidade, então fiz a reserva usando pontuação da rede de hotéis e acabei selecionando um muito bem localizado, a menos de 300 metros do batistério. Chegamos cedo na cidade, e no melhor estilo mochilão, fomos ao hotel somente para deixar a bagagem, já que o check-in era só à tarde. Quando voltamos para o check-in, apresentamos os documentos e também a minha carteira do programa de pontos da rede. Na época eu viajava muito a trabalho, então tinha o status mais alto. Quando o rapaz viu o meu cartão, checou no computador e pediu que esperássemos um pouco, pois iriam preparar a suíte presidencial, uma cortesia pela minha categoria(!!!!!). Era uma suíte com 120 metros quadrados, uma sala de estar, dois banheiros, uma cama gigantesca e um monte de mimos… definitivamente não era o tipo de hospedagem com a qual estávamos acostumados… valeu a noite!

Ah, um último detalhe a respeito da cidade: o restaurante Zazá, onde comi um gnocchi ao molho trufado que foi uma das melhores refeições que fiz em viagens até hoje… fica a dica…





Sevilha, Espanha

21 02 2021
Plaza de España, em Sevilha

Em março de 2017 estivemos na Espanha, e dentre os lugares visitados escolhemos Sevilha. Uma parada obrigatória para quem estiver com planos de passar pelo sul da Espanha, na região da Adaluzia. A arquitetura, o clima, a comida, tudo é muito bonito e acolhedor, destaque para a belíssima Plaza de España, construída para uma feira na década de 1920, numa mistura de estilos única, referências a todas as regiões da Espanha em murais e azulejos. Essa praça foi usada como cenário para um “espaçoporto” em ao menos um filme da saga “Star Wars”.

Mural representando Barcelona
Mural representando Cádiz
Mural com Dom Quixote
Praça ao final da tarde
Vista lateral da praça
Torre da praça iluminada à noite
Fonte da praça iluminada

Um outro passeio imperdível em Sevilha é o tour pelo telhado da Catedral de Sevilha. A catedral é a terceira maior do mundo, atrás somente da Basílica de São Pedro no Vaticano e da Basílica de Nossa Senhora Aparecida, em Aparecida do Norte. Consta que é o único passeio do tipo no mundo, onde você consegue ver os detalhes da arquitetura gótica de uma maneira única.

Vitral na roseta principal, dá pra ver de pertinho
Detalhes no passeio pelo telhado
Vista do pátio interno da catedral
Torre dos sinos da catedral
Um dos pares de sinos da catedral
Vista do alto da torre da catedral
Passeando pelo telhado
Vista do lado de dentro da catedral, cidade ao redor
Detalhe da calha

Bem ao lado da catedral fica Alcazar, os Alcáceres Reais de Sevilha, que junto com a catedral são considerados patrimônios da humanidade pela UNESCO. O Alcazar é um complexo de palácios construídos em diferentes épocas, com vários jardins. Ainda hoje é utilizado como hospedagem para a família real e para personalidades que visitam a cidade. Ele também foi usado como cenário para o Reino de Dorne na série Game of Thrones.

Interior de Alcazar, forte influência moura na arquitetura
Um dos salões em Alcazar
Interior de Alcazar
Interior de Alcazar
Detalhe do teto de um dos salões em Alcazar
Interior de Alcazar
Vista dos jardins de Alcazar
Fonte no jardim de Alcazar
Vista dos jardins de Alcazar
Jardins de Alcazar “Reino de Dorne” em Game of Thrones

Uma cidade muito simpática, que certamente fica na lista para uma segunda visita numa próxima oportunidade. Depois dali ainda demos uma circulada rápida por cidades da região, mas fica para um outro post…





Ljubljana, Eslovênia

10 01 2021
Panorâmica de uma noite de verão em Ljubljana, com o castelo no alto

Essa cidade (pronuncia-se “liubliana”) é uma verdadeira jóia, uma cidade pequena, com um centro histórico extremamente bem-cuidado, vale a pena uma visita, sem dúvida. Estivemos lá no verão (europeu) de 2019, quando demos uma volta pelos Bálcãs (Eslovênia, Croácia, Bósnia e Herzegovina, além de Montenegro.

O símbolo da cidade é o dragão, criatura que segundo a lenda, habitava a cidade. O dragão pode ser visto em qualquer loja de souvenirs, e na ponte sobre o rio Ljubljanica, que corta a cidade. A maior atração da cidade é, sem dúvida, o castelo. Subimos até lá pelo funicular, embora fosse possível à pé ou de carro. O castelo possui uma visita guiada, onde a estória da cidade é contada por atores, desde a época das ocupações romanas até eventos contemporâneos. Além dessa visita, há vários eventos culturais que ocorrem por lá.

O interior do castelo é mantido quase que intacto na sua originalidade. A construção do castelo data do século XI, e foi construído no alto da colina onde as primeiras fortificações romanas estavam, em posicionamento estratégico para ter uma visão privilegiada de eventuais ataques e aproximações de inimigos.

Vista do centro histórico a partir do castelo
Vista da cidade a partir do castelo
Pátio interno do castelo
Armadura medieval em exposição no castelo
Lateral externa do castelo
Bandeira de Ljubljana, que fica no castelo (note o brasão, torre com o dragão)
Uma das celas para prisioneiros no castelo
Torre do castelo

Visitar um castelo medieval é sempre muito legal, na minha opinião, em especial para nós, que crescemos em países em que não existe esse tipo de coisa, a não ser nos contos de fadas. Mas, além do castelo, a cidade (o centro histórico onde ficamos) é bem simpática, com muitas construções antigas e ruas estreitas, que seguem ao longo do rio. Na margem do rio há vários restaurantes e bares, com mesas externas, preços não absurdos e um ótimo ambiente, alguns com música ao vivo (Isso no verão, quando estivemos lá! Em meses mais frios deve ser bem diferente).

Há também os vendedores de artesanato à margem do rio, durante a noite, e uma feira dos agricultores locais, durante o dia. Passamos somente 2 noites por lá, e acho que foi o suficiente. Haveriam outras coisas para explorar na Eslovênia (em especial ouvimos sobre um castelo construído nas rochas, o Castelo de Predjama), mas teriam que ficar para uma próxima vez, já que naquela viagem nossos planos eram passar mais dias na Croácia e na Bósnia, sobre as quais escrevi em outros posts.

O símbolo da cidade, em uma das pontes
Prefeitura da cidade
Fonte na beira do rio, castelo no alto ao fundo
Início de noite em Ljubljana
Feira dos agricultores da região

No nosso passeio pelos países que formavam a antiga Iugoslávia, foi nossa primeira parada. Bem interessante, meio que fora dos roteiros “normais”, acho que é um país que tem muito a ser explorado turisticamente, talvez para uma próxima oportunidade…

Despedida, foto da nossa última noite em Ljubljana, na beira do rio