Jericoaquara

4 07 2021
Pôr-do-Sol em Jeri

O que dizer sobre um lugar que virou sinônimo de paraíso de férias nos últimos anos? A 300 km de Fortaleza, até alguns anos atrás era uma vila de pescadores, sem nenhuma estrutura, e foi sendo descoberta aos poucos pelos turistas que “desbravam” locais diferentes e estavam dispostos a encarar horas de transporte por caminhos sacolejantes. Hoje, embora ainda mantenha o charme das ruas de areia, pouca iluminação e cara de cidade tranquila do interior, já conta com hotéis e restaurantes de alto nível, além de pousadas mais simples. Estivemos por lá em 2015, pouco tempo antes da inauguração do aeroporto(2017), que deve ter colaborado para uma aceleração do turismo por lá. Há algumas pessoas que reclamam que os locais vão ao longo do tempo perdendo sua essência com a exploração turística, mas eu particularmente acredito que faz parte do ciclo natural, inevitável: o lugar é desconhecido, os mochileiros começam a se aventurar por lá, começam a contar para os amigos, a propaganda “boca a boca” vai crescendo (ainda mais em tempo de redes sociais), o turismo começa a chegar lentamente, os locais começam a perceber que precisam melhorar um pouco a estrutura, até para poderem cobrar mais, em seguida chegam investidores de fora, comprando pousadas, montando hotéis, etc… Assim foi com Trancoso, Arraial d’Ajuda, Jeri, só para ficar em poucos exemplos…

Mas, voltando a falar de Jeri, as belezas naturais já fazem valer a pena, no meu entender, qualquer perrengue para chegar lá. No nosso caso, ônibus de turismo, de Fortaleza até Jijoca, e de lá uma jardineira sacolejante até Jeri. Com aeroporto, acaba se perdendo toda essa experiência única… rs

Ficamos na Pousada Maxitália, que fica praticamente no começo (ou final) da praia, quase na altura da famosa Duna do Pôr-do-Sol. Não fica de frente para o mar, mas foi uma excelente relação custo-benefício à época. Durante a noite, várias opções para os mais variados bolsos, vale muito a pena deixar-se perder pelas ruazinhas para escolher onde jantar. Na praça central há o Sambarock, com música ao vivo e um ambiente que é a cara de Jeri.

Durante o dia, os passeios que fizemos, além da própria praia de Jeri, tem o imperdível Pôr-do-Sol na duna, para onde todas as tardes uma verdadeira multidão se dirige para o espetáculo diário.

Praia de Jeri: bonita, água deliciosa, e uma boa estrutura
Praia de Jeri, todos indo para a Duna do Pôr-do-Sol, quase na hora…
O famoso pôr-do-Sol da duna
Foto básica de turista, fazendo graça

Um outro lugar imperdível é a Lagoa Paraíso, vale a pena um passeio para passar o dia por lá. É uma lagoa de águas cristalinas, com cores incríveis. Há bastante estrutura no local, inclusive com redes dentro da água para que possamos relaxar e refrescar ao mesmo tempo… nem preciso dizer que adorei a ideia.

Rede dentro d’água: por que ninguém pensou nisso antes?

Um outro passeio muito legal é o clássico buggy pelas dunas, com direito a passar pela Árvore da Preguiça. É uma árvore na praia, que por conta dos ventos fortes acabou crescendo “torta” e por isso acabou virando ponto turístico. Não acho que valha a pena ir só para ver a árvore, mas, se estiver passando por ali, vale uma foto.

Árvore da Preguiça

Outro ponto bem famoso para ser visto é a Pedra Furada, uma pedra com uma fenda que fica perto do mar. Dá pra ir até andando de Jeri até a Pedra furada pelo mar, no período de maré baixa – a caminhada é linda, com praias pouco movimentadas e pedras diferentes. Eu, que sempre gostei de pedras desde pequeno, gostei bastante da caminhada.

Pedra Furada
Pedra Furada

Para quem quer uma praia menos agitada, mas também sem muita estrutura – ao menos assim era em 2015 – é a Praia da Malhada, bastante frequentada por praticantes do kitesurf, e por quem busca uma praia um pouco mais afastada do burburinho da vila de Jeri.

No geral, é um passeio muito bom para passar uns dias e recarregar as energias. Três ou quatro dias são suficientes para ver os pontos turísticos, mas alguns dias a mais simplesmente para curtir as praias e descansar, parece ser um lugar ideal…

Espero que tenha gostado, obrigado por ler até aqui, até uma próxima!





Grand Canyon, EUA

20 06 2021

Durante um certo tempo eu tive a oportunidade de fazer algumas viagens a trabalho, algumas delas internacionais. Como bom ecdemomaníaco que sou, sempre que dava eu tentava encaixar algum passeio, algum desviozinho para algum lugar que estivesse na lista de locais que eu considerasse que valia a pena ser visitado.

Em 2013, numa dessas oportunidades, ia para a Califórnia, e convidei um amigo que mora nos EUA para que uns dias antes fôssemos ao Grad Canyon. Não era muito o tipo de viagem dele, e ele acabou me convencendo a irmos a Las Vegas (o que não era muito o meu tipo de viagem…), mas falo dessa viagem numa outra oportunidade. A questão é que em Vegas existem alguns passeios para o Grand Canyon, e acabei fazendo um desses passeios. E com um detalhe a mais: foi a minha primeira (e até hoje única) viagem de helicóptero!

Primeiro helicóptero da vida!

O tour contratado me buscou cedo no hotel (cerca de 6 da manhã, pelo que me lembro), fomos de micro-ônibus até um pequeno aeroporto perto da cidade, de onde saem os helicópteros. O processo de check-in inclui a sua própria pesagem, para balancear e distribuir corretamente o peso na arenonave. Ou seja, seu lugar para sentar-se depende do seu peso e do peso dos demais ocupantes. Acabei subindo junto com uma família australiana, um casal com dois meninos adolescentes. O voo de helicóptero, devo confessar, não me deixou muito confortável, prefiro a estabilidade d o avião. Mas, pela vista, compensa e realmente não tem comparação.

Melhor vista do Grand Canyon

Durante o voo de ida, passamos sobre grandes formações, e também sobre o Hoover Dam, uma barragem construída entre as formações rochosas, uma verdadeira obra-prima de engenharia, que eu tinha visitado num outro tour no dia anterior. Vista de baixo ela já é impressionante, mas a vista lá de cima é incrível:

Hoover Dam, na divisa dos estados de Nevada e Arizona, visto do helicóptero
Hoover Dam, visto do helicóptero
Vista de dentro da cabine
Olhando lá de cima, nossas perspectivas de tamanho são relativizadas

A vista lá de cima é realmente impressionante, e já vale o passeio. No meu caso, o passeio contratado incluía um almoço e uma caminhada no Sky Walk, que é uma passarela de vidro em forma de ferradura, que fica em cima de um despenhadeiro de mais de 300 metros. Só que antes de chegar lá tivemos uma parada abaixo, na beira do rio, para deixar a família que ia fazer outro tipo de passeio. Aí depois que eles desembarcaram foram os últimos minutos de helicóptero para chegar lá, subindo praticamente na vertical ao lado de um paredão de pedra praticamente sem fim.

Levantamos voo no fundo do vale, e fomos pousar lá no topo daquele paredão

Lá em cima, fiz a caminhada no Skywalk. Não era permitido tirar fotos, se quisesse fotos por lá tinha que pagar para que o fotógrafo deles tirasse, em tese é um serviço explorado pelos índios da região. Acabei andando sem tirar fotos mesmo, a sensação de vertigem é bem forte, e pra mim, que não gosto muito de altura, não foi lá um das coisas mais confortáveis. O piso é de vidro, justamente para dar a sensação de estarmos “andando no céu”. A foto abaixo foi tirada da Internet, dá pra ter uma ideia da dimensão do negócio.

Foto tirada daqui

Antes do almoço, tive um tempo para passear ao redor e ficar admirando (agora com os pés no chão) aquela que é uma das mais famosas formações criadas pela natureza. As formações lembram bastante a Chapada Diamantina, mas com a ausência do verde que emoldura a imagem com uma beleza espetacular.

A vista não alcança onde os paredões terminam
Admirando o trabalho feito pela natureza ao longo de milhões de anos

Acabei conseguindo conhecer, ainda que muito rapidamente, o Grand Canyon naquela oportunidade. Mas pretendo se possível passar mais tempo por lá, explorar outros pontos que me parecem ser bem legais de se visitar. Quem sabe numa próxima oportunidade.

Por hoje é só, obrigado por ler até aqui, espero que tenha gostado, até uma próxima!





“Causos” de viagem – parte 7

11 06 2021

Sequência de “causos” marcantes ocorridos nas minhas viagens… já publiquei a parte 1, 2, 3, 4, 5 e 6, ainda não leu?

Ficando sem passaporte na fronteira da Estônia com a Rússia

O passaporte, junto dinheiro e cartões, é algo que você não pode perder no meio de uma viagem, pois vai lhe dar muita dor de cabeça e eventualmente estragar sua viagem. Estava eu em 2013, viajando de trem de Tallin, capital da Estônia, para São Petersburgo, na Rússia. Quando passamos pela fronteira, o trem parou, entrou um oficial russo, daqueles do jeito que a gente vê no cinema, em filmes de espionagem da guerra fria… ele obviamente não falava inglês, e foi passando pelos vagões, recolhendo todos os passaportes, um a um, em seguida saiu do trem com literalmente uma pilha de passaportes na mão, e foi até uma sala que fica na estação. Aí fica aquela ansiedade, ele está demorando… como ele vai saber qual passaporte é de quem, se ele não anotou nada. O que acontece se ele simplesmente não devolver o MEU passaporte? Como faço, pra quem eu reclamo? Felizmente depois de alguns minutos que demoraram para passar, ele voltou e foi calmamente devolvendo todos os documentos, um a um, aparentemente sem errar nenhum… Passou o frio na barriga, e seguimos viagem, cheguei são, salvo e com passaporte em São Petersburgo.

Brasileiro querendo saber de outro esporte que não futebol? Pode esquecer…

Em 2012, estava em San Franciso, na Califórnia, em uma viagem de trabalho. Aproveitando a passagem por lá, fui assistir a um jogo de baseball dos Giants. Já tinha ouvido falar que o estádio, na beira da baía, era bem bonito. Conhecimento do esporte, praticamente nulo… Puxo conversa com o taxista, de origem asiática, para saber como está o time na liga. Ele não sabe. Pergunta de onde sou, digo que sou do Brasil, ele começa a discorrer a respeito da seleção brasileira de 86, dando a escalação quase completa… lembra do Sócrates, Careca, Júnior, Zico… Lembra que o Zico perdeu um pênalti contra a França, comenta que a França tinha um time bom, com Platini e Tiganá (meu DEUS! Ele lembrou do Tiganá!!!), disse que morava em Hong Kong na época e que se lembra das pessoas tristes depois que o Brasil perdeu aquele jogo…
E eu fiquei sem saber dos Giants… Mas fui ver o jogo, mas já é outra estória…

Motorista de charrete em Sarajevo, Bósnia e Herzegovina

Essa foi uma daquelas clássicas de problemas de comunicação, nem todo mundo fala inglês. Estávamos numa praça em Sarajevo, onde saíam umas charretes para um parque ali perto (uns 3, 4 km eu acho). Fomos conversar com o senhorzinho, já com certa idade, que conduzia uma das charretes. Ele não falava inglês, lá fomos nós para a mímica. Descobrimos que custava 20 marcos para nos levar (essa parte todo mundo fala em inglês), mas ele parecia preocupado, tentando nos avisar de algo. Apontava para a estrada, e fazia um movimento de “cortar um dedo”, e falava um monte de coisas em bósnio, que eu não entendia. Achei que tinha que tomar cuidado porque alguém tinha cortado o dedo, sei lá. Subimos na charrete, e depois de um bom tempo, a estrada estava interrompida. Ali percebemos que o “dedo cortado” na verdade era estrada interrompida, e portanto a charrete não conseguia passar, tínhamos que fazer o resto do caminho a pé. Foi o que fizemos, mesmo porque não havia alternativa… e para voltar, o caminho inteiro foi à pé, já que as charretes ficavam somente na praça, no início do caminho…





“Causos” de viagem – parte 6

16 05 2021


Sequência de “causos” marcantes ocorridos nas minhas viagens… já publiquei a parte 1, 2, 3, 4 e 5, ainda não leu?

Imagem daqui

Atendente sem senso de humor no Sea World, em Miami

Quando estava em Miami visitando o Sea World, havia uma opção de nadar com os golfinhos, em um ambiente controlado, com treinadores, com um pouco de interação com os animais. Na verdade foi um dilema, pois eles ficam ali em cativeiro, por mais que sejam bem tratados, ainda assim é um cativeiro. Fiquei pensando se pagaria para isso ou não, acabei decidindo fazer. Ao comprar esse pacote, era necessário assinar um termo, ler um contrato, vários itens, e o atendente se colocou à disposição para tirar quaisquer dúvidas. Uma das perguntas era se você seria capaz de se comunicar em inglês. Não resisti e fiz uma piada: “Essa pergunta é porque os golfinhos só falam inglês?”. O atendente não sorriu, acho que na verdade nem piscou, e respondeu secamente: “Isso é porque os instrutores que estarão lá com você só falam inglês.”. Fiquei meio sem graça, e continuei lendo. Uma outra questão era que você se comprometia a não perseguir os golfinhos, não bater neles e não mordê-los. Lá fui eu tentar outro comentário: “Nossa, que tipo de pessoa morderia um golfinho?”. Novamente de maneira seca, o atendente respondeu: “Pessoas com necessidades especiais, por exemplo.”. Fiquei mais sem graça ainda, e resolvi parar com considerações espirituosas…

Barganhando em Istambul, Turquia

Sempre que vou a algum lugar novo faço questão de comprar um souvenir que seja, algo pequeno, característico do lugar, para ter como recordação. Em Istambul, fiquei procurando por uma miniatura da Hagia Sofia. No geral várias lojas vendem sempre as mesmas coisas, provavelmente do mesmo fornecedor inclusive. Mas estava procurando e achei uma da qual gostei, mas achei meio caro. Como sabia que os turcos costumam valorizar a barganha, já fui lá e pedi quase 50% de desconto, para iniciar a conversa. O vendedor pegou o souvenir da minha mão, colocou de volta na prateleira e falou “Bye, bye!”, despedindo-se com a mão. Fiquei atônito, enquanto ele virava as costas e voltava para dentro da loja. Acabei achando o mesmo souvenir, realmente pela metade do preço, em outra loja. Fiquei com vontade de voltar lá para mostrar para ele a venda que ele perdeu, mas acabei deixando pra lá…





Peru e Trilha Inca (parte 3 – final)

18 04 2021

Este é o terceiro e último post da sequência, você deve ter lido o primeiro aqui e o segundo aqui.

No nosso 9o dia de viagem, e o 4o na trilha, depois de deixarmos Wyñaywayna a ansiedade crescia cada vez mais para o nosso destino final.

Ao chegarmos na Porta do Sol, a entrada “por cima” de Machu Picchu, ao final da trilha, entendemos o motivo de falarem tanto dessa entrada. Realmente é algo de mágico ver a cidade icônica surgindo à sua frente após uma espécie de portal de pedra

Primeira imagem ao passar pela Porta do Sol
Enfim, Machu Picchu (vista da Porta do Sol)

E então, nesse último dia de caminhada, passamos rapidamente pelas ruínas (iríamos voltar no dia seguinte), e fomos para Águas Calientes, logo abaixo da montanha, onde pela primeira vez em 4 dias nos aguardavam um chuveiro quente e uma cama…

10o dia – Reentrada em Machu Picchu

No dia seguinte, já descansados e recuperados da caminhada, entramos novamente em Machu Picchu, dessa vez “por baixo”, junto com os turistas que não fazem a trilha. Entendemos ali o porquê da sugestão da agência (Pisa Trekking) para deixarmos um dia inteiro para ver a cidade. Ficamos com mais tempo, pudemos caminhar com mais tranquilidade, subimos até o topo da famosa montanha (que la´descobrimos, chama-se Waynapicchu, ou “montanha jovem”, em Quechua. Além disso, voltamos à porta do Sol mais uma vez (o que é uma subidinha para quem caminhou 4 dias, não é mesmo?).

Machu Picchu sob o Sol da manhã

Assim, passamos um dia agradável visitando o conjunto de ruínas mais famosos da região com bastante calma, para no final do dia fazermos o caminho de volta a Cuzco, mas dessa vez de trem. Nossa, mas que sensação estranha no trem… dava a impressão de que se fizéssemos o trajeto caminhando iríamos mais depressa…

Buraco sob as ruínas… Reza a lenda que é uma passagem direta para São Tomé
das Letras, em Minas Gerais… preferi não entrar para investigar
Machu Picchu vista “ao contrário”, do alto da Waynapicchu
Turista indo embora feliz, bilhete do trem na mão

Chegamos ao fim…

E como eu disse no início, foi uma viagem que superou as expectativas, é possível aprender bastante sobre a cultura Inca, sua História e – claro – ver as ruínas que restaram da sua civilização. Há várias alternativas para quem não quer ou não pode fazer a trilha completa: ir direto via Águas Calientes, fazer a trilha curta de poucas horas somente passando por Wyñaywayna , e entrar pela porta do Sol… A escolha de chegarmos no final do dia foi boa, mas acho que chegar vendo o nascer do Sol também deve ser uma experiência legal, enfim, variações, gostos, opiniões são sempre diversas… Uma outra coisa importante é fazer a aclimatação na altitude, como fizemos em Puno. Faz bastante diferença. No meu primeiro dia em Puno eu tinha dor de cabeça de esforço ao subir pequenos lances de escada, o efeito é impressionante…

Espero que tenha gostado, até uma próxima!