Fome de poder (Filme)

24 10 2021
imagem daqui

Esse é um filme bem interessante, que conta a “verdadeira história do McDonald’s”: dois irmãos (os irmãos McDonald) que tinham uma pequena lanchonete e inventaram o conceito de fast food, trazendo os conceitos da produção em série adotados na indústria, e que em se tratando de restaurantes, era algo inédito na época.

Acontece que os irmãos não estavam muito interessados em expandir a rede, e um vendedor de equipamentos (Ray Kroc) para restaurantes se encantou com o sistema, e ficou bastante interessado em entrar como sócio e expandir a rede. Num primeiro momento os irmãos não queriam, mas acabaram cedendo pela insistência dele. Eles acabam montando com ele um contrato extremamente cauteloso, onde Kroc não poderia tomar praticamente nenhuma decisão sem o aval dos irmãos. Or irmãos queriam manter o controle sobre os processos, a qualidade, e estavam preocupados com o crescimento que poderia descaracterizar o estabelecimento e seus produtos. Kroc aceita e começa a expandir a rede. Com o passar do tempo, ele tem muitas ideias para otimizar o negócio, aumentar as margens e acelerar a expansão, mas todas elas são bloqueadas pelos irmãos. Ao longo do tempo ele acaba percebendo que poderia ganhar mais dinheiro com os aluguéis dos terrenos onde as unidades do McDonald’s funcionavam do que com a venda de lanches. Ele foi fazendo mais e mais dinheiro com essa abordagem, até o momento em que se sentiu com poder suficiente para “peitar” os irmãos e passou a implementar decisões sem consultá-los. Ao ficarem sabendo, os irmãos o ameaçam de processo por desrespeitar cláusulas do contrato, ao que ele responde dizendo que ele era muito maior do que eles agora, e que eles jamais ganhariam um processo assim. Xeque-mate.

Ao perceber o que havia acontecido, os irmãos acabam aceitando um acordo onde eles recebem 2.7 milhões de dólares (um valor extremamente baixo para o tamanho e potencial do negócio) e 0.5% de participação nos lucros. Só que essa participação foi feita num acordo verbal, e os irmãos jamais receberam essa porcentagem ou qualquer participação nos lucros da rede.

Uma coisa que me chamou a atenção foram os comentários bastante diferentes a respeito do filme. Como é um filme que conta uma história real, acaba cometendo exageros e omissões, e por vezes enviesado sob um determinado ponto de vista. Vi comentários exaltando a capacidade de visão empreendedora do Ray Kroc, outros comentários falando da falta de caráter e ética dele e da ingenuidade dos irmãos McDonald. Há ainda os que veem na história um exemplo do pior que o capitalismo “selvagem” faz com as pessoas. Na minha opinião, considerando o que foi mostrado no filme e uma ou outra coisa que li a respeito posteriormente, acho que Kroc ultrapassou por várias vezes o limite do que eu considero aceitável em relações de negócios e mesmo pessoais.

De qualquer forma, é um filme interessante sobre a formação de uma das marcas mais valiosas e famosas criadas no século passado. Hoje, esse filme está disponível somente na HBOMax.





Tallinn (Estônia)

12 10 2021

Passei dois dias nessa cidade em 2013, no meu giro pela Europa rumo à Rússia. É uma cidade que tem seu centro histórico da época medieval bem conservado e explorado turisticamente. Gostei do pouco tempo que fiquei por lá, achei que valia um post a respeito.

Vista da Catedral Ortodoxa Alexander Nevsky

Na verdade, eu iria passar um dia a mais na cidade pela minha programação original. Acontece que eu tinha comprado todos os trechos da viagem (avião, navio, trens) com exceção do trecho de Tallin até São Petersburgo, na Rússia. Esse trecho não era vendido online, então fiquei de comprá-lo assim que chegasse à cidade. Foi o que fiz, fiz check-in no Hotel Braavo, e em seguida me dirigi à estação de trens. Mas o problema é que não conseguia me comunicar com a moça no guichê da estação. Ela não falava inglês, e eu não falava estoniano (talvez ela tenha tentado falar em russo ou outra língua, mas pra mim não faria diferença…). Depois de algum tempo e muita mímica, muitos dedos apontados para a tabela de horários e outras tentativas, consegui entender que não havia mais vaga para o trem do sábado que eu queria pegar. Eu teria que ir na sexta, para quando haviam passagens disponíveis. Só que minha hospedagem no AirBnB em São Petersburgo era só pro sábado. Voltei ao hotel onde havia acesso à Internet no wi-fi disponível, para ligar via Skype para minha anfitriã russa para saber se poderia antecipar minha chegada em um dia. Felizmente ela estaria vagando o quarto naquele dia, e então eu poderia ir. Voltei à estação de trens e pude comprar minha passagem, e finalmente começar a explorar Tallin.

Tallin vista de uma das torres da muralha

A coisa mais interessante sobre essa cidade (só fiquei na parte turística/histórica) para mim foi o ambiente medieval que eles criam para os turistas. A arquitetura permite que você realmente sinta-se na Idade Média. As lojas e restaurantes fazem a decoração e eventualmente os uniformes dos funcionários com roupas da época também. Como era verão, havia bastante gente nas ruas, e algumas apresentações teatrais que reproduziam as performances comuns na época medieval também.

Apresentação de teatro ao ar livre

O restaurante que escolhi para comer também era peculiar: a hostess de lá, vestida à caráter como uma respeitável senhora medieva, informou que ali só serviam alimentos que existiam na Europa antes do século XV, ou seja, antes de trazerem os alimentos “descobertos” na América, como milho e batata. Até a cerveja era do tipo e receita da época, e servida em canecas de barro.

A cidade, como todas as da época, era murada, e suas muralhas ainda permanecem parcialmente lá, e abertas para uma caminhada e belas fotos

Parte da muralha da cidade
Caminhando pela muralha
Torre na muralha

Algumas das construções mais famosas da cidade são a Catedral Ortodoxa Alexander Nevsky e a prefeitura (Raekoda), sendo esta uma construção do início do século XV, ostentando uma torre extremamente alta. Normalmente está aberta para visitação, mas na minha rápida passagem por lá acabei não conseguindo ir visitar.

Prefeitura (Raekoda)
Vista da Catedral Alexander Nevsky
Memorial Russalka, em homenagem ao naufrágio do navio russo de mesmo nome

Embora seja uma daquelas áreas bem montada para turistas e explorada como tal, gostei da minha passagem por lá, foram momentos agradáveis, pena que tive que partir logo.

Tallin vista a partir da torre da muralha

Se chegou até aqui, espero que tenha gostado desse curto relato. Abraço e até uma próxima!





Búzios, RJ

7 10 2021
Orla Bardot

Na nossa primeira viagem pós-isolamento (não digo pós-pandemia porque não chegamos lá ainda), no final de setembro de 2021, fomos visitar Armação dos Búzios, ou simplesmente Búzios, no litoral norte do Rio de Janeiro. Foi uma passada bem rápida, de apenas 4 noites, conseguimos conhecer algumas praias mas sem dúvida ficamos com a sensação de precisar ficar mais tempo para ir às outras.

Para hospedagem optamos por ficar perto da Rua das Pedras, região bem central, para podermos sair à noite sem precisar usar o carro. Há por ali uma grande concentração de restaurantes, lojas, bares, muitos com música ao vivo, alguns na orla e outros na paralela. Dá também para caminhar na famosa Orla Bardot, que ganhou esse nome após a visita da atriz Francesa Brigitte Bardot, que trouxe pela primeira vez alguma notoriedade para Búzios. Após a visita da atriz, a cidade passou a ser um destino procurado por turistas, pelo que dizem. No primeiro dia ficamos em Geribá, uma das praias mais conhecidas, ficamos no canto esquerdo da praia, água bem tranquila, mas estava bastante turva. Fiz um pouco de snorkeling e cheguei a incomodar uma tartaruga que estava entre as pedras. Há algumas barracas e quiosques com estrutura, não cobram para usar se você consumir algo.

Pedras no canto esquerdo da praia de Geribá

Em uma das noites, fomos jantar no Pino, um restaurante com preços um pouco salgados, mas com mesas na areia, que chamou nossa atenção. Comida boa, mas um pouco cara. Decoração bem agradável, com música ao vivo. Um outro lugar pelo qual passamos 3 noites diferentes é um bar temático chamado “The House of Rock & Roll”. Como o nome já sugere, há um palco onde se toca muito rock ao vivo, e costuma estar sempre cheio. Nas noites mais frias fomos jantar uma vez na creperia Chez Michou, e uma outra vez na cantina La Gulosa, ambos muito bons e com preços razoáveis.

Vista da nossa mesa no Pino

Outro dia de praia fomos para a Ferradurinha, uma praia bem pequena e tranquila, com poucas barracas que cobram caro pela estrutura e pelo que servem também. Nesse dia não pegamos muito Sol, estava bastante vento, e acabamos aproveitando para almoçar por ali, no restaurante White, ambiente simpático, preço razoável.

No outro dia, com bastante sol, fomos para a praia do Forno, outra praia bem pequena, com pouca estrutura, areias vermelhas e água muito tranquila, conseguimos ver várias tartarugas que vinham até muito perto da areia. No meio da tarde saímos de lá e fomos conferir a João Fernandes, uma outra das mais conhecidas. Bastante movimentada e com muitas opções de restaurantes e bares, também de águas tranquilas. Na saída fomos ao mirante João Fernandes, de onde se tem uma bela visão do pôr-do-sol. A melhor coisa de Búzios é que as praias são bastante próximas do centro em sua maioria, de carro daria no máximo uns 15 minutos para qualquer uma delas, eu acredito.

Tartaruga na praia da Ferradurinha
Praia da Ferradurinha
Entrada da praia do Forno
Praia do Forno
Praia João Fernandes no final da tarde
Pôr-do-Sol visto do mirante João Fernandes

Foi um bom passeio para retomarmos viagens depois de tanto tempo praticamente sem sair de casa. E é um lugar que vale mais visitas, com mais tempo no futuro.