Olhando para nossos limites…

1 08 2021
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Durante essa semana voltou a se falar muito sobre pessoas que chegam a seu limite, em função da ginasta Simone Biles ter desistido de várias provas nas Olímpiadas onde ela era franca favorita, dizendo que não estava mentalmente bem para competir, e que deveria priorizar a sua saúde mental ao invés de colocar-se em risco nas provas (sim, a ginástica de alto desempenho é algo fisicamente perigoso se não for praticado corretamente). Ao ser questionada a respeito de todas as expectativas que haviam sobre sua performance, as medalhas e tal, praticamente “deu de ombros”, respondendo algo como “As expectativas são dos outros, isso portanto é problema deles, eu devo cuidar de mim.”.

Ainda mais exacerbada em tempos de redes sociais, comunicação e acesso a informações em tempo real, a cobrança que colocamos em geral nos atletas é algo que consideramos normal. Mas deveria ser? Fico particularmente incomodado em Olimpíadas, em especial quando se trata de esportes individuais, e um atleta que atinge a 5a, 6a posição, ou mesmo prata ou bronze, e tenta se justificar, dizendo que devia ter feito melhor, que não estava em um bom dia, etc. Quando na verdade não se trata disso, mas trata-se somente do fato de que ele se esforçou, eventualmente foi ao seu limite, mas um outro competidor (ou outros) foi melhor, e isso não deveria ser um problema. Atletas de alto desempenho, para chegarem a uma disputa olímpica, ultrapassaram centenas, milhares de outros atletas que por diversos motivos não chegaram até ali. E o fato de perder, às vezes literalmente por centésimos de segundo, uma final, uma semifinal ou mesmo estar entre os 10, 20 melhores atletas da sua modalidade no mundo inteiro, não deveria ser um problema, algo pelo que haveria a necessidade de se desculpar.

Uma declaração que foi meio contrário a esse “senso comum” foi a do nadador Bruno Fratus ao ganhar a medalha de bronze, dizendo que na final só entrou na piscina e ficou pensando em “Vai ser feliz, independente do que ocorra aqui!”. Acho que isso é bem mais saudável, e me parece que foi o que ocorreu no caso da Rayssa, medalhista de 13 anos do skate, e da Rebeca Andrade (que até agora levou 2 medalhas, pode levar mais uma), da ginástica, que deixaram a pressão de lado, buscaram fazer o seu melhor e aproveitar o momento de estar entre as melhores do mundo. No caso da Rayssa, praticamente só se divertindo, conforme ela mesma disse.

Fazendo um paralelo com nossas próprias vidas, tanto no campo pessoal quanto profissional, o quanto no dia-a-dia não nos esforçamos para satisfazer expectativas de outros, miramos objetivos que não são nossos, e nos esquecemos de simplesmente ter um propósito, e mesmo nos permitirmos ter prazer e diversão ao longo do caminho. A vida cobra muita coisa a toda hora, de todos nós, para conseguirmos objetivos, atingirmos metas, ser aprovado em processos seletivos, desde antes da vida adulta. E muitas vezes não nos permitimos repensar o caminho, fazermos mudanças e questionarmos os propósitos. “Está valendo a pena?”, “Quero mesmo fazer isso?”, “Estou fazendo isso por que quero ou porque outros querem?” e outras várias perguntas. Na vida profissional, somos cobrados para ter uma carreira de sucesso, conseguir ir subindo e evoluindo, precisando estar sempre atualizado… Mas, aqui também, como nas Olimpíadas, não há lugar para todos no topo. E isso não deveria ser um problema. Cada um deveria tratar da vida, da carreira, das conquistas e frustrações de uma maneira mais leve. Vamos ganhar algumas batalhas e perder outras, sempre. Mais importante do que os objetivos deveria ser o caminho percorrido, e, principalmente, o que você consegue tirar ao longo dele. Não deixar que o peso do mundo permaneça em nossas costas, ninguém deveria precisar lidar com isso, jamais. As novas gerações estão tendo um peso ainda maior, por conta da velocidade das coisas, da disponibilidade de informações e acesso a tudo muito rápido, a cobrança tende a ser maior ainda…

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Que possamos ter mais leveza em tudo, para o bem da nossa saúde, para o bem das pessoas que convivem conosco, e para o bem da sociedade como um todo e das próximas gerações… Às vezes, o peso de que precisamos nos livrar não está no corpo, fisicamente falando, e nem nos pertence…





Sobre perdas, e sobre momentos que não se perdem…

30 05 2021

Queria sentar aqui hoje e escrever sobre alguma viagem legal, relatar experiências, falar das saudades de poder criar e executar planos de viagens, comentar sobre coisas desse mundão enorme que nos cerca… Mas ontem houve um fato que me fez pensar muito a respeito de escolhas e momentos, sobre os quais já falei no post Depois é um tempo que não existe”, e no post “Questão de tempo (About time)”: Ontem, inesperadamente, um grande amigo, Carlos Cavalcanti (Cal ou Caval, como eu o chamava), partiu dessa vida. Não sou religioso, considero-me simplesmente uma pessoa espiritualizada em constante aprendizado. Nesse sentido, gosto de pensar que em algum outro plano, de alguma forma, iremos nos encontrar novamente… Mas a falta que ele fará aqui é praticamente indescritível, quem teve o privilégio de conhecê-lo sabe disso…

Na frente do nosso alojamento, aos pés do Annapurna, nas altas montanhas do Himalaia (Nepal)

Caval era uma pessoa de quem era muito fácil de gostar, logo de cara. Sempre bem-humorado, sempre disposto a topar qualquer programa, jantar, bar, cinema, o que fosse… excelente companheiro de viagens e trilhas, algumas que tive o prazer de fazer em sua companhia. E foi por isso que ele foi o único amigo (maluco?) que topou o convite para aquela que seria uma das viagens mais marcantes que já fiz, para o Nepal e Butão, em 2014. Nosso testemunho consta na página da agência até hoje.

Essa é a imagem que vou guardar de você: celebrando a vida, a amizade e as conquistas, sempre!

O fato de ele ter aceito aquela viagem naquele momento proporcionou a experiência que tivemos. Eu estava em boa forma, acostumado a fazer trilhas com frequência pelo Brasil e América do Sul principalmente. Mas ele não, não estava no melhor condicionamento para encarar dias de caminhadas de 4, 5, às vezes 8 horas em uma altitude relativamente alta para nós, brasileiros “da planície”, por assim dizer. Ele poderia ter sido bem racional e declinado. Mas ele não era assim. Ele topava, ele encarava. Sofreu durante a caminhada? Sim, um tanto. Em um determinado momento tivemos que dar uma encurtada, diminuir um pouco o ritmo e até mudar os planos no final, nos últimos trechos. Mas, segundo ele próprio, valeu a pena. Valeu a pena cada parte do esforço para estar naqueles lugares, ver aquelas coisas, viver aquela experiência toda. E aí, pensando nisso, tenho o gancho da estória do “deixar pra depois”: quantas vezes deixamos de fazer as coisas esperando pelas condições ótimas, quando estiver tudo perfeito?

Olhando para a trilha que passou, e para a que ainda tínhamos pela frente…

Vale a pena perder oportunidades para deixar para um depois que não sabemos se virá? Ele não teria conhecido o Himalaia, não teria vivido as sensações, cores, cheiros, a vida naqueles lugares. Por mais clichê que possa soar, não posso deixar de dizer: Devemos viver, aproveitar, arriscar, tentar, fazer… e não consigo pensar nele, nessa postura de se permitir viver, não deixar pra depois. E no momento difícil de uma perda como a que ocorreu agora, pra mim fica mais forte ainda a questão das opções e escolhas que fazemos ao longo da nossa caminhada pela vida… arrepender-se de escolhas, sim, mas de não ter tentado, acredito que isso deixa um gosto amargo demais na boca…

E espero ter deixado uma mensagem à sua altura, Caval, nesse pequeno texto que fiz aqui pensando em você, e nos momentos que passamos juntos, e pela experiência de ter tido a honra e o privilégio de ser seu amigo. As lágrimas já se foram, vão secando aos poucos, para que você possa fazer a sua passagem… Vá em paz, qualquer dia a gente volta a se encontrar…

Que sua passagem seja tranquila, amigo…

Vai com os anjos, vai em paz

Era assim todo dia de tarde, a descoberta da amizade

Até a próxima vez, é tão estranho

Os bons morrem antes

Me lembro de você e de tanta gente

Que se foi cedo demais

Legião Urbana, “Love in the afternoon”

Página da nossa viagem de 2014 no Facebook

Álbum de fotos da nossa viagem de 2014 no Facebook





“Depois” é um tempo que não existe…

25 04 2021

Há muito tempo atrás li um livro do Richard Bach, chamado “Longe é um lugar que não existe”, de onde tirei a inspiração para o título acima… esse post não tem nada a ver com o livro, qualquer dia escrevo sobre algum dos livros dele, de quem gosto muito como autor.

Mas o que eu queria escrever era sobre as necessidades que temos em fazer as coisas, e na nossa capacidade de postergarmos, inventarmos problemas, desistirmos de coisas, projetos, adiarmos sonhos e metas, por vezes e vezes seguidas, algumas delas indefinidamente… a tal falada procrastinação.

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Estamos atualmente na era das coisas imediatas. Tendo os recursos necessários (tempo, dinheiro), é muito fácil ter acesso a praticamente tudo, quase que instantaneamente. Em alguns casos, realmente de maneira instantânea, num piscar de olhos, num clique de mouse ou no celular. Mas será que essa facilidade toda, que a princípio somente simplifica e facilita a vida, está nos ajudando a realizarmos coisas que realmente nos importam, que realmente nos fazem bem, a nós e aos que nos são importantes? Durante bastante tempo eu deixava alguns planos e projetos de lado por conta de sempre estar esperando o melhor momento, onde desse para fazer as coisas com tranquilidade, da maneira mais perfeita possível. Há muito tempo atrás, lá na terapia, eu acabei entendendo o óbvio: não existe momento perfeito, o que existem são oportunidades, nós as fazemos, as aproveitamos e as perdemos. Desde então, procurei nunca mais deixar de ao menos tentar fazer as coisas que me dessem vontade, que me fizessem bem, mesmo que não houvessem as condições ideais. Dava pra fazer agora, vamos fazer. Não dá pra fazer agora mas dá pra dar um jeito de fazer algo parecido, ou posso me programar para fazer logo mais? Então eu faço de tudo para viabilizar e fazer acontecer. Vejo que as pessoas por vezes adiam as coisas que desejam, e ficam criando empecilhos para viabilizá-las: “Ah, quero fazer uma viagem, mas não tenho dinheiro!”. Então em um determinado momento tem o dinheiro, mas aí não consegue arrumar tempo, ou quer fazer uma viagem mais cara. Se realmente queremos algo e conseguimos colocar como prioridade, não há como não conseguir. Faça uma viagem mais modesta, economiza um pouco daqui e ali, priorize. “Ah, quero voltar a me exercitar, mas não tenho tempo/dinheiro para academia!”. Se realmente quer, qualquer canto pode servir. Caminhar/correr no próprio bairro, numa praça ou parque, comprar alguns equipamentos básicos e fazer algo em casa… Sempre é uma questão de priorizar.

O que temos é somente o hoje, sempre. O ontem já passou, nada que fizemos pode mudá-lo, e o amanhã não existe. Como disse Renato Russo, “se você parar pra pensar, na verdade não há” (o amanhã). Então, porque não parar de adiar aquela visita (depois da pandemia, claro!) ao amigo ou parente de outra cidade que há tanto lhe convida? “Ah, tenho que fazer a revisão do carro, agora não dá.”. Ou aquele café com o colega que não vê há tanto tempo… “Precisamos marcar, vamos ver!”. E esse amanhã pode nunca chegar. Poetas mais diversos já escreveram tanto sobre isso, sobre o tempo que não volta, o que deixamos de fazer e as oportunidades e pessoas se vão, para nunca mais… A certeza de que estaremos vivos amanhã também não existe…

Somos tão condicionados na vida profissional a termos foco, prioridades, sermos cobrados por execuções e entregas a todo momento. Por que razão não fazermos isso com nossas próprias vidas, nossas próprias prioridades pessoais? O hoje está aí para que façamos dele o nosso melhor. E o amanhã, se vier, vai ser fruto de nossas escolhas e prioridades, sempre…

“O hoje é apenas um furo no futuro

Por onde o passado começa a jorrar”

Raul Seixas, em “Banquete de lixo”





Um ano dentro de casa…

21 03 2021
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Essa semana completei um ano cumprindo o isolamento social, tão falado e tão necessário para o mínimo controle da pandemia do COVID-19.

Um ano que vi pouquíssimas pessoas do meu convívio social, limitei minhas saídas de casa para poucos momentos, ao longo do tempo fomos vendo como nos sentíamos seguros e confortáveis com a situação, saindo para caminhadas no condomínio, na avenida aqui ao lado, andar de bicicleta… De uma maneira geral, tomando cuidados simples individualmente, nos mantivemos seguros. Dentro de casa, adaptação total para home office em tempo integral. Eu já fazia boa parte do trabalho em casa, mas a Laura não. Montamos na medida do possível os dois pontos de trabalho e conseguimos ficar bem.

Mas temos a consciência de que somos privilegiados, e muito mais ainda numa situação como essa: temos condições de trabalhar de casa, empregos que nos permitem isso com um mínimo de adaptação, não dependemos de ficar saindo de casa, utilizando transporte público ou ir a locais com outras pessoas. Mas muita gente não consegue, não pode fazer isso. Por isso acho que o fato de ainda estarmos, depois de um ano, discutindo sobre a necessidade ou não de medidas rígidas para controlar a circulação do vírus mostra muito sobre como fizemos as coisas erradas até agora…

Eu, que sou completamente avesso a julgar os outros, sei que cada um tem seus limites, e acho que as pessoas fazem as suas escolhas e arcam com as consequências delas, para o bem e para o mal. Mas o problema em questão é que as escolhas que as pessoas fazem impactam outras vidas, a partir do momento em que não há mais recursos para atender doentes em quase nenhum lugar do país. É um grande problema coletivo que precisa de contribuições e sacrifícios individuais, e é isso que as pessoas não enxergam, ou não querem enxergar. É ruim não poder circular, não poder fazer o que gostaria? É, mas são limites que a situação nos impõe, sem alternativas. E é pelas pessoas que não têm escolha, que devemos fazer esse esforço. De novo, é um problema coletivo, gigante, que necessita de contribuições e sacrifícios individuais. Talvez se as pessoas conseguissem enxergar dessa maneira conseguiríamos conter o avanço da doença enquanto ainda não temos vacinação em massa.

Ao longo desse tempos todos aprendemos coisas que podemos fazer à distância, reuniões familiares restritas às telas de computadores e celulares, lives dos artistas preferidos, nada disso substitui à altura a vida real, mas como se diz no popular, “é o que temos para hoje”. A minha rotina pessoal nos últimos doze meses tem se restringido a bastante trabalho, estudo, aulas virtuais de Yoga (que têm me ajudado a manter o equilíbrio e a calma), quando estava aberta a academia cheguei a nadar, sempre com distanciamento e com horário marcado, além das caminhadas e pedaladas. E torcendo muito para que a vacinação acelere para que possamos ter um mínimo de normalidade de novo, para que possamos nos abraçar de novo…





Último do ano… e que ano…

31 12 2020
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E chegamos a 31 de dezembro de 2020, o ano pelo qual ninguém esperava… que fosse assim como foi… Tudo completamente diferente, inesperado, que brincou com a nossa soberba de achar que temos o mínimo controle sobre qualquer coisa… Um ano que veio para nos mostrar como somos pequenos, frágeis e insignificantes como espécie, e nos lembrar que estamos por aqui de passagem, em todos os sentidos…

Não sou uma pessoa pessimista, procuro sempre olhar as coisas por prismas diferentes, tanto quanto possível. Durante esse ano só tenho a agradecer pela quantidade de privilégios que tenho: estou saudável, mantive meu emprego, meu trabalho e minha rotina me permitiram seguir com o isolamento de forma bem efetiva. Sofro com a distância, com as impossibilidades e limitações impostas de ver e estar com pessoas queridas, mas não posso comparar minha situação com pessoas que não tiveram opção, tiveram seus sonhos adiados ou bruscamente interrompidos, muitos deles em definitivo. Valores tiveram que ser revistos e ressignificados, estórias tiveram que ser suspensas ou reescritas, por vezes brutal e inesperadamente.

Isso acabou trazendo um tom diferente para essa virada de ano, mais cheio de esperança, mas principalmente de uma ansiedade acumulada. Como já disse um texto que circula por aí, por vezes atribuído a Drummond, outras ao jornalista Roberto Pompeu de Toledo, o tempo cortado em fatias e chamar de ano foi uma ideia de gênio, “industrializou a esperança fazendo-a funcionar no limite da exaustão”. Leva-nos todos a crer no milagre da esperança pela renovação pela simples troca da folhinha do calendário. Um dia e uma noite como outros quaisquer ganham um significado monstruoso. E com esse ano, não poderia ser diferente…

Acho que 2020 trouxe às claras o que de melhor e pior existe em cada um de nós. Ninguém se tornou bom ou mau, esperançoso ou pessimista, inteligente ou estúpido por causa do ano. Mas as situações trazidas por ele fizeram sim aflorar o que cada um tem a oferecer, a si próprio e ao mundo de uma maneira geral. Individualismo, ignorância, de uma certa forma estavam vindo numa crescente antes da pandemia. Por outro lado, um sentimento coletivo de que muito precisa ser melhorado, e rápido, para que consigamos manter a vida sustentável nesse nosso único planeta, também vinham ganhando espaço. O ano que se encerra apenas potencializou tudo isso. E cabe a cada um de nós entender o que fazer e – mais importante – o que aprender com isso. Não acho que tenha sido um ano perdido, por mais que tantos tenham sofrido e sigam sofrendo tanto, enquanto sociedade, seguimos. Talvez transformados, mas seguimos. Projetos interrompidos têm que ser substituídos por outros, outras coisas e pessoas virão, melhores ou piores, mas sobretudo diferentes.

E que cada um saiba fazer o “diferente” da melhor maneira para si e para que os cercam, que se olhe mais para o coletivo, para o que possamos entregar para os outros… Este é o meu desejo para a nova “fatia de tempo” que se inicia hoje à meia-noite.

Feliz 2021!