Peru e Trilha Inca (parte 1)

4 04 2021

Essa é realmente uma das viagens mais emblemáticas para qualquer mochileiro, ao menos para aqueles que viveram o século XX, eu acho… Para mim foi uma das primeiras viagens com caminhadas nas montanhas, acampamento, etc… acabei resgatando um texto que escrevi a respeito, em 2006, acho que é a melhor referência que tenho dessa viagem…

Existiam, na época, duas maneiras de chegar a Machu Picchu, a primeira seria indo de trem até a cidade de Águas Calientes, e de lá subir (caminhando ou de ônibus) até o parque arqueológico de Machu Picchu, e a segunda seria fazer a trilha de quatro dias pela chamada Trilha Inca “Clássica”, e de lá descer até Machu Picchu. É interessante notar a entrada por cima ou por baixo, porque quem vem por baixo tem a impressão de que a cidade fica no alto. Na verdade, para os padrões da região, os cerca de 2500 metros de altitude é bem baixo… A nossa escolha foi fazer a trilha completa, e a entrada na cidade pela chamada Porta do Sol, através da qual você passa e a cidade se descortina à sua frente, lá embaixo, com essa vista:

Foto clássica na chegada “por cima” a Machu Picchu

“Machu Picchu es un viaje a la serenidad del alma, a la eterna fusión con el cosmos, allí sentimos nuestra fragilidad. Es una de las maravillas más grandes de Sudamérica. Un reposar de mariposas en el epicentro del gran círculo de la vida. Otro milagro más. “

Pablo Neruda

(segue texto escrito por mim em 2006)

De uma maneira geral, foi um grande exercício de superação pessoal, daqueles para mostrar para nós mesmos que somos capazes de fazer. A caminhada de mais de 40 km durante quatro dias no meio do mato, andando e acampando em altitudes entre 2500 e 4200 metros não é uma tarefa que possa ser classificada como trivial (ainda que com carregadores ajudando) para pessoas normais, que não sejam exatamente o que possa ser chamado de “atleta”. E consegui passar por ela. Uma vitória, que já teria por si só valido a viagem. Mas, além disso, houve a experiência de poder sentir um pouco do que foi a civilização Inca. Sobre o guia ao longo desses dias, o Jim, eu acredito que possa ser considerado um patrimônio da trilha, pelo conhecimento e vivência do lugar. Formado em História, conseguiu nos mostrar coisas que transcendem os livros, além das sensações de estar nos lugares, sentir o ambiente e as coisas que fizeram parte da vida desse povo. E foi muito legal tomar conhecimento do quão avançados eram, e a forma brutal como foram “colonizados” cultural e religiosamente pelos europeus católicos. Quando os Incas conquistavam outros povos na América do Sul – e não foram poucos -, eles respeitavam a cultura e religião daquele povo, absorviam o que havia de interessante, útil e passavam a sua cultura e tecnologia para o povo conquistado, a partir de então sob o controle do Império Inca. Um tipo de conquista inteligente. Diferente da colonização católica, que simplesmente não poderia admitir que os povos ditos “selvagens” pudessem ter algo a lhes oferecer em algum campo do conhecimento. E com isso certamente deixaram de aprender muitas coisas valiosas, uma vez que so estavam preocupados em conseguir mão-de-obra, terras e almas pagãs para serem – por vezes forçadamente – convertidas ao catolicismo. As construções incas eram mais resistentes a terremotos do que as dos espanhóis, só para dar um exemplo simples dentre tantos outros.

E o fato de fazer a caminhada toda, o que é feito por uma parcela pequena dos turistas que vão a Machu Picchu, é entrar em contato com um ambiente diferente, uma energia que transcende aquelas matas, aqueles morros e que chega ao seu ápice ao adentrar na cidade perdida através do portal do Sol. Alguns dizem que as pessoas que trilham aquele caminho passam por transformações. Não sei se voltei transformado, mas que algo diferente acontece ali, a mim pareceu inegável… Viver a Trilha Inca, o caminho mais comprido entre Ollantaytambo e Machu Picchu, é perseguir um pouco desta História, é trilhar o mesmo caminho que trilhavam os peregrinos prestes a serem iniciados na religião Inca como sacerdotes. E ver em cada uma daquelas ruínas a beleza e o respeito a natureza que os cercava, através da qual eles entravam em contato com Deus. E não importa o nome, rosto ou rostos que davam a esse Deus, mas era o Deus que estava nas pedras, que estava no Sol, na natureza que lhes era dada como dádiva, mas também sobre a qual tinham responsabilidades, e exploravam com muito cuidado e com uma consciência infinitas vezes maior do que a dos conquistadores, auto-intitulados mensageiros da verdade para propagá-la às almas dos pobres selvagens, para que estes fossem salvos. Talvez os povos da América Latina estivessem melhores hoje se alguma coisa tivesse sido diferente por ali…

Até então, essa viagem a Machu Picchu era uma das mais sonhadas e desejadas da minha lista. Muito planejada e esperada, foi uma viagem fantástica, que realmente excedeu todas as expectativas, muito legal mesmo. Contratamos um pacote completo de viagem com a Pisa Trekking. Optamos pelo passeio mais completo, com dois dias em Puno, conhecendo o Lago Titicaca, dois dias em Cuzco, e a trilha completa de 4 dias até Machu Picchu. A estada em Puno (3800 metros de altitude, bem mais alta do que Cuzco e Machu Picchu) nos ajudou a aclimatar, acostumar o corpo com a altitude para minimizar os efeitos dela altitude quando fôssemos fazer a trilha.

1o dia de viagem: São Paulo – Lima – Juliaca – Puno

No nosso primeiro dia, praticamente só viagem: saímos de São Paulo de madrugada, chegamos em Lima e ficamos no aeroporto aguardando o embarque para Juliaca. Chegando em Juliaca, fomos levados de van para Puno, no hotel Sillustani. No caminho, tivemos nossa primeira impressão do Peru: Juliaca é uma cidade que nos chamou a atenção Vista de Puno a partir do mirante do Condorpor ser muito povoada e muito confusa, em matéria de trânsito, muitas pessoas na rua, ruas lotadas de camelôs, bicicletas e pedestres disputando espaço nas ruas com os carros, uma verdadeira bagunça. Depois de chegarmos ao hotel em Puno, saímos à noite para conhecermos a cidade, que fica na beira do Lago Titicaca. Puno é uma cidade bem pequena, que ainda engatinha na exploração do turismo. Alguns bons restaurantes, alguns museus, um belo mirante (Mirante do Condor), que dá uma visão do Lago (parcial, porque o lago é enorme). Tem uma escadaria enorme para chegar lá em cima (mais de 4000 metros de altitude), mas vale a pena.

Vista da cidade de Puno e o Lago Titicaca ao anoitecer, a partir do Mirante do Condor

2o dia: Lago Titicaca

No dia seguinte em Puno, fomos fazer nosso passeio de barco no Lago Titicaca, os barcos que levavam os turistas eram como um ônibus de excursão: muitos turistas, guia com microfone explicando as coisas, serviço de bordo e tudo o mais. No passeio conhecemos as ilhas flutuantes de Uros, que são ilhas feitas com totora (uma espécie de junco que cresce no lago). Os habitantes de lá constroem casas e barcos também feitos de totora, e ficam oferecendo seus artesanatos aos turistas. Conhecemos as casas e andamos em um dos barcos deles. Depois partimos para uma ilha mais afastada, a ilha de Taquile, onde vive uma comunidade socialista ainda hoje, com decisões sendo tomadas pela comunidade e que vivem praticamente da venda de artesanatos também. Almoçamos em Taquile, em um ponto alto da ilha com uma bela vista do lago(que parece um mar, pois não se consegue enxergar o horizonte). No começo da noite, fomos ao já citado Mirante do Condor.

Barco com turistas no Lago Titicaca
Chegada nas ilhas flutuantes
Peruana bordando na ilha
Casas feitas de totora
Barco de totora

3o dia: Sillustani, caminho para Cuzco

No nosso terceiro dia no Peru, acordamos bem cedo para irmos a Sillustani, um cemitério Inca que fica perto de Puno, no caminho para Cuzco. Lá existem chulpas, que são construções onde eram guardados os mortos. As chulpas são construções cilíndricas, com uns 6, 8 metros de altura, e com uma entrada de mais ou menos 80 cm de altura, sempre virada para o nascer do Sol. E a porta ficava aberta, para que os familiares e amigos pudessem visitar seus mortos… as múmias eram colocadas em posição fetal na parte de dentro da chulpa, nas paredes. Uma coisa muito interessante que notamos lá é que além das chulpas Incas, haviam também em Sillustani chulpas de uma outra civilização que viveu ali antes de ser conquistada pelos Incas. As construções eram mais toscas, sem acabamento ou trabalho fino nas rochas como as dos Incas. Mas o interessante disso é mostrar que quando os Incas conquistavam um povo, não faziam uma conquista predatória, mas sim respeitavam a cultura do povo conquistado, absorvendo para a sua própria o que fosse interessante, e passando sua cultura e tecnologia para os povos conquistados. Uma forma bem mais inteligente de se colonizar um povo do que os católicos europeus fizeram, sem admitir que poderiam aprender algo com os “selvagens” que encontraram na América.

Chulpa Inca em Sillustani
Chulpa pré-inca em Sillustani
Lhama posando para foto em Sillustani
Mais uma chulpa Inca, dá pra ver a perfeição no encaixe e tratamento das pedras
Chulpa Inca


Em seguida, pegamos um ônibus turístico Inka Express, que faz a viagem Puno-Cuzco na chamada rota do Sol, com paradas em alguns pontos turísticos. Paramos em Pukara, onde visitamos um museu, depois em La Raya, a 4350 metros de altitude, onde pudemos ver de perto e fotografar os picos nevados. Passamos ainda pelo belíssimo sitio arqueológico de Raqchi, e pela vila de Andahuaylillas, antes de chegar em Cuzco, a antiga capital do Império Inca. Cuzco é uma cidade muito bonita, arquitetura e relevo lembram em muito Ouro Preto (muitas igrejas antigas e muitas ladeiras), uma cidade turística, com muitas opções e estrutura para os viajantes. Ficamos no Hotel Sueños del Inca, muito bom e não é dos mais caros. Dentre as opções de Cuzco, há um bilhete com um preço único (na época, aproximadamente 50 reais) que lhe dá direito a entrar uma vez em cada um dos museus e sítios arqueológicos ao redor da cidade. No nosso caso, estava incluído no pacote. Dos restaurantes, gostamos muito do Chez Maggi, do Pacha Papa (em San Blás) e do bar cubano La Bodeguita, todos bem próximos à Plaza de Armas.

Picos nevados no caminho para Cuzco
Muitas opções de coisas para comprar, aos pés dos picos nevados
Sítio arqueológico em Raqchi
Raqchi
Foto 100% turista em Raqchi

4o dia: Sítios Arqueológicos em Cuzco

Nesse dia conhecemos o nosso guia para a Trilha Inca: Jim, um peruano formado em História que trabalhava com a Pisa já há mais de dez anos, e fala muito bem o português. Ele foi nosso guia a partir deste dia até deixarmos Machu Picchu, e foi uma das melhores coisas da viagem: muito prestativo, inteligente e conhecedor profundo da História dos Incas e da Trilha em particular.
Entre os sítios arqueológicos que visitamos, vale destacar Sacsayhuaman, ruínas de um lugar onde os Incas se refugiaram para lutar contra os espanhóis que estavam em Cuzco. Construção gigantesca e belíssima, de onde se tem também uma bonita vista da cidade de Cuzco. Visitamos também um antigo cemitério Inca e depois voltamos a cidade, onde conhecemos o Coricancha, um templo Inca em cima do qual foi erguida uma igreja católica. O templo é belíssimo, com as estruturas do prédio original muito bem conservadas, onde pode se notar algumas características da arquitetura dos Incas, como as paredes inclinadas (fortalecem a sustentação), portas duplas presentes principalmente nos lugares considerados sagrados, portas e janelas trapezoidais, entre outras coisas. Depois fomos sozinhos ao Museu Inca, que fica também próximo à Plaza de Armas.

Cuzco e sua arquitetura colonial
Plaza de Armas, em Cuzco
Rua em Cuzco
Ruínas em Sacsayhuaman
Dá pra se ter uma noção do tamanho das pedras
Sacsayhuaman
Sacsayhuaman
Coricancha, em Cuzco. A Igreja católica foi erguida sobre a estrutura do tempo Inca, que conseguia resistir a terremotos
Coricancha à noite, uma das minhas fotos preferidas que tirei, até hoje
Porta dupla (muito comum na arquitetura Inca) no Coricancha
Janelas perfeitamente alinhadas no Coricancha
Paredes trapezoidais no Coricancha

Como já ficou muito grande até agora, o relato continua na semana que vem…





Cataratas do Iguaçu

14 03 2021
Quedas d’água impressionantes

Embora seja um dos destinos mais procurados por estrangeiros no Brasil, levou bastante tempo até eu ir finalmente conhecer esse ponto turístico, um dos mais exuberantes que já vi, em termos de natureza. Foi em novembro de 2019, uma das últimas viagens que fizemos antes da pandemia.

Sempre gostei de cachoeiras, vejo uma beleza ímpar de equilíbrio da natureza nas águas caindo, e pensar que estão nesse ciclo por séculos e séculos, água escorrendo, desgastando as pedras ao longo do tempo, e assim ainda permanecerá por muito tempo. Mas sempre dou preferência àquelas cachoeiras onde se pode entrar para um banho (banho de cachoeira é realmente uma das coisas preferidas a se fazer na vida, ao menos para mim). Obviamente esse não era o caso das quedas na foz do Iguaçu, onde fica o Parque Nacional, na fronteira do Brasil com a Argentina. Existe o passeio do lado argentino, e o passeio do lado brasileiro. Além da trilha ao longo do rio, que termina na maior das quedas, há o passeio de barco onde vc pode chegar bem perto de algumas das quedas. Não são as maiores, mas o banho que você toma (dentro do barco, de roupa e tudo) é inesquecível, vale a pena.

Chegando perto do banho…
Última foto enquanto ainda estava seco…

A sensação é indescritível, não dá pra explicar por fotos, então coloquei aqui um vídeo para passar parcialmente a impressão que tive… pode dar uma olhada aqui.

Só por esse passeio de barco a viagem já teria valido a pena. Sensação única, muito boa. Mas além disso, havia as trilhas tanto do lado brasileiro quanto do lado argentino. As quedas em sua maioria estão do lado argentino, o que proporciona a quem está do lado brasileiro a melhor vista.

Olhando para as quedas, a partir do lado brasileiro
O volume de água é algo realmente impressionante
Foto 100% turista “clássica”, ao final da trilha no lado argentino
Tucano que consegui “capturar” na trilha do lado argentino
Espetáculo da Natureza interminável, emoldurado pelo arco-íris

É uma passeio que deve ser feito ao menos uma vez na vida, acho que em poucos lugares do mundo há algo comparável. Se estiver com receio das trilhas, elas são todas tranquilas, sinalizadas, com corrimão, pontos de descanso, niveladas, completamente acessíveis a todos. Os passeios são bem organizados, tanto do lado brasileiro quanto do lado argentino. Acho que tem que passar no mínimo dois dias por lá, para conhecer os dois lados.

Espero que tenha gostado, até uma próxima!





Ecdemomania

7 03 2021

Há alguns anos atrás descobri essa palavra, que nem sei se realmente existe na Língua Portuguesa. Mas o conceito me encantou: era exatamente a “doença” que eu tenho, essa vontade de sair por aí, conhecer lugares novos, culturas muito diferentes, lugares de que ouvi falar e só vi em fotos, lugares dos quais nunca ouvi falar e nem vi fotos, enfim… Sempre achei que o mundo era grande demais e nosso tempo por aqui demasiado curto, então deveríamos aproveitar o tempo com coisas que nos fazem bem, coisas das que gostamos. Dentre tantas obrigações, por vezes sem escolhas, que a vida nos traz, no tempo que temos para nós mesmos eu acho que deveríamos dedicar ao que nos faz bem, ao que nos dá prazer. E isso é muito pessoal. Para mim, é viajar.

E não tive, durante a infância, muito incentivo nesse sentido. Não tínhamos muito dinheiro, então as viagens nas férias, feriados eram restritas a locais mais próximos, litoral paulista, interior, essas coisas… a minha primeira viagem mais longa, a primeira de avião, foi aos 18, quase 19 anos, numa excursão escolar para Porto Seguro, na Bahia. Somente depois de formado, já com 25 anos, é que pude começar a experimentar e descobrir realmente essa paixão por viajar, e enfim colocar em prática, planejar, juntar dinheiro e começar a colecionar experiências.

E para mim o que tem mais valor é isso, são as experiências. São coisas que ficam na memória e que, diferentemente de dinheiro ou bens pessoais, ninguém pode tirar de você. Permanecem na memória, pelo tempo que a própria memória permita, para serem revistas, revividas em pensamento, para serem trocadas com outros. São as coisas que mais me motivam, ainda até hoje. Quer me ver feliz e empolgado, é só me chamar para conversar sobre lugares diferentes, viagens que já fiz e que ainda não fiz. Como disse, é muito pessoal, para alguns pode não fazer sentido, não ser racional, e talvez essa tal ecdemomania tire mesmo a razão, vai saber. Já ouvi pessoas dizerem que não precisam ir aos locais, se contentam vendo fotos, lendo relatos de outros, e consideram como se já conhecessem o lugar, e que ir até lá seria um desperdício de tempo, dinheiro e energia… Para mim, não, preciso ir, ouvir os sons, sentir os cheiros, experimentar comida, ouvir pessoas falando, ver ao vivo coisas construídas pela Natureza ou por gerações passadas, é isso que faz sentido, ao menos para mim. Quer me ver feliz? Vamos conversar sobre viagens. Mais feliz ainda? Convide-me para viajar e começar a planejar…

Há uma citação de um personagem de Game of Thrones, chamado Oberyn Martell (veja foto abaixo), que diz o seguinte (tradução livre): “O mundo é grande e lindo. A maioria de nós vive e morre no mesmo lugar em que nasceu e nunca viu quase nada dele. Eu não quero ser como a maioria de nós.”. Essa frase faz muito sentido para mim. Não consigo pensar em passar pela vida sem perambular, passear, viver tudo isso. Ao longo dos anos fui montando listas de lugares, com ordem de preferência, e o prazer de montar essa lista era quase tão grande quando “tirar” algum destino da lista depois que ele já havia sido visitado. São Petersburgo, na Rússia, ocupou o topo da lista por muito tempo… por anos seguidos fiquei adiando por buscar uma forma econômica de ir até lá. Até que em 2013 desisti de procurar o jeito barato, aí acabei indo gastando um pouco mais mesmo… Outro lugar que ficou no topo da lista por bastante tempo foi a região dos Bálcãs, na região da antiga Yugoslávia, que visitei em 2019. E ainda restam muitos lugares na lista, que provavelmente não ficará vazia nunca: China, Índia, Noruega, Canadá, Guatemala, Marrocos, Egito, Irã, Capadócia na Turquia, Equador, Ilhas Maurício, Galápagos, Maldivas, Japão, Tailândia… Na medida em que as oportunidades apareçam, e as finanças assim permitam (o câmbio e a pandemia têm que ajudar também, claro!), espero ainda riscar muitos desses destinos… E, dentro do Brasil, por onde já andei bastante também, ainda há muitos lugares a conhecer. Ainda não estive em 5 dos estados brasileiros: Acre, Rondônia, Pará, Piauí e Amapá. Acredito que Piauí e Pará sejam os próximos da lista, quando as oportunidades aparecerem.

Imagem daqui.

Quando falo sobre os lugares mais diferentes em que já estive, acho que os que mais chamam a atenção e geram curiosidade são sem dúvida o Butão, a Rússia, a Estônia, a Bósnia e Herzegovina, além de Cuba e do Nepal. São lugares distantes, cultural e geograficamente falando, e para os quais a maioria das pessoas jamais pensou em viajar. No Brasil, certamente ter ido para o Monte Roraima, na fronteira com a Venezuela, além das travessias dormindo em barracas nas montanhas, são as que chamam mais a atenção.

Se me pedissem para listar os lugares mais legais onde já estive, eu certamente teria dificuldades em escolher. Lugares distintos, com seus encantos únicos, não deveriam ser comparados. Os grandes monumentos e catedrais européias, com séculos de História, os cânions e cachoeiras da Chapada Diamantina, na Bahia, os mergulhos de superfície nos rios de Bonito, no Mato Grosso do Sul, as trilhas nas montanhas do Himalaia e dos Andes, as cidades históricas de Minas, a arquitetura e gastronomia de Curitiba, as incontáveis mesquitas em Istambul, as praias da Croácia, as de Jericoacoara, Fernando de Noronha, Natal, Maceió, Sergipe, Pernambuco… As marcas da guerra nos prédios e nas pessoas em Sarajevo, As trilhas nas serras de Minas, Rio e São Paulo, as Cataratas do Iguaçu, o Grand Canyon nos EUA, o Jalapão no Tocantins, os Lençóis Maranhenses, as montanhas geladas no Colorado e na Patagônia, as subidas ao Monte Roraima, Pico da Bandeira, Pedra da Mina. Não dá para escolher ou comparar. Cada um desses lugares me deixou marcas, lembranças únicas e insubstituíveis.

E dá pra viajar sem dinheiro?

Quando me perguntam como consigo me planejar financeiramente para conseguir viajar tanto (na verdade nem acho tanto, queria poder viajar mais, na verdade… hehehe), como todos os objetivos que temos, com planejamento e disciplina é possível fazer. Há épocas que dá pra fazer viagens maiores, mais caras, outras a gente se contenta com viagens mais modestas. Ao longo do tempo abri mão de outras coisas porque houveram épocas em que o importante era viajar, em outras o mais importante eram outros projetos. Mas sempre procurei, dentre o dinheiro que poupava, deixar uma parte para financiar as viagens. Claro que cada um tem sua situação particular, obrigações e tudo… mas mesmo em tempos de grana curta eu sempre dava um jeito de dar uma escapada, nem que fosse um final de semana com banho de cachoeira ou uma trilha, ou um bate-e-volta em algum lugar próximo.

Imagem daqui

Para mim, viajar é parte indispensável e indissociável da vida, poder me movimentar, sentir a vida pulsando, estar em contato direto com a natureza, aprender coisas novas, conhecer pessoas e trocar experiências que jamais poderiam ocorrer se eu ficasse sempre no mesmo lugar… Enfim, se algum dia encontrarem a cura para essa tal ecdemomania, eu certamente escolherei não ser curado nunca…

Se chegou até aqui, espero que tenha gostado, hoje foi um texto mais pessoal… até uma próxima!





“Causos” de viagem – parte 5

28 02 2021

Sequência de “causos” marcantes ocorridos nas minhas viagens… já publiquei a parte 1, parte 2, parte 3 e parte 4, ainda não leu?

imagem daqui

Nepalês perdido no aeroporto em Abu Dhabi

Esse ocorreu na viagem de volta do Nepal, especificamente na conexão em Abu Dhabi. Grande parte dos passageiros que estavam por ali no mesmo voo eram nepaleses que estavam indo aos Emirados para trabalharem, em especial na construção civil. Pessoas simples, na sua maioria. Após passarmos pela imigração (que tem uma estória interessante, aqui), um rapaz veio me abordar, falando em (provavelmente) nepalês e apontando para a etiqueta de bagagem na sua mão. Ele estava visivelmente nervoso, com jeito de perdido. Nessas situações me dá um desespero de não poder ajudar. Imaginei que ele estava preocupado em passar pelo saída do saguão (tinha um ponto de controle de segurança) porque ele esperava pegar sua bagagem primeiro. Mas a sinalização (que provavelmente ele não conseguia ler) indicava a retirada de bagagem fora do saguão. Tentei fazer mímica, gestos, sinalizando para ele que ele poderia passar pelo posto de controle. Ele foi, mas ainda bem desconfiado… Fiquei sem saber o resto da estória, se ele conseguiu pegar sua bagagem e chegar bem. Saí de lá pensando no desespero de ter que sair do seu país por não ter opção, ir para um lugar estranho, onde você não saiba se comunicar, para ter um trabalho sabe-se lá em que condições…

Quase assaltado nos jardins do palácio do Czar

Essa ocorreu quando estava em São Petersburgo, na Rússia, no Palácio Peterhof, residência de verão do Czar Pedro, “o Grande”. Nem todas as lembranças de viagens são agradáveis, e essa não é das melhores. Era um dia de verão, eu estava caminhando pelos jardins lotados, tirando fotos e vendo monumentos. Parei no meio de uma aglomeração de pessoas assistindo a uma apresentação musical de uma banda tradicional russa. Distraído, senti algo na minha coxa, quando olhei, tinha um rapaz ao meu lado colocando a mão no bolso da minha bermuda, na altura da coxa. Quando, vi, instintivamente bati na mão dele, que ficou completamente sem graça, disfarçou simulando que estava batendo na própria perna para limpar algo. Gritei com ele em inglês, bravo, e ele saiu andando no meio da multidão… Boa experiência para lembrar de sermos cuidadosos, em qualquer lugar do mundo pode haver pessoas mal-intencionadas.





Sevilha, Espanha

21 02 2021
Plaza de España, em Sevilha

Em março de 2017 estivemos na Espanha, e dentre os lugares visitados escolhemos Sevilha. Uma parada obrigatória para quem estiver com planos de passar pelo sul da Espanha, na região da Adaluzia. A arquitetura, o clima, a comida, tudo é muito bonito e acolhedor, destaque para a belíssima Plaza de España, construída para uma feira na década de 1920, numa mistura de estilos única, referências a todas as regiões da Espanha em murais e azulejos. Essa praça foi usada como cenário para um “espaçoporto” em ao menos um filme da saga “Star Wars”.

Mural representando Barcelona
Mural representando Cádiz
Mural com Dom Quixote
Praça ao final da tarde
Vista lateral da praça
Torre da praça iluminada à noite
Fonte da praça iluminada

Um outro passeio imperdível em Sevilha é o tour pelo telhado da Catedral de Sevilha. A catedral é a terceira maior do mundo, atrás somente da Basílica de São Pedro no Vaticano e da Basílica de Nossa Senhora Aparecida, em Aparecida do Norte. Consta que é o único passeio do tipo no mundo, onde você consegue ver os detalhes da arquitetura gótica de uma maneira única.

Vitral na roseta principal, dá pra ver de pertinho
Detalhes no passeio pelo telhado
Vista do pátio interno da catedral
Torre dos sinos da catedral
Um dos pares de sinos da catedral
Vista do alto da torre da catedral
Passeando pelo telhado
Vista do lado de dentro da catedral, cidade ao redor
Detalhe da calha

Bem ao lado da catedral fica Alcazar, os Alcáceres Reais de Sevilha, que junto com a catedral são considerados patrimônios da humanidade pela UNESCO. O Alcazar é um complexo de palácios construídos em diferentes épocas, com vários jardins. Ainda hoje é utilizado como hospedagem para a família real e para personalidades que visitam a cidade. Ele também foi usado como cenário para o Reino de Dorne na série Game of Thrones.

Interior de Alcazar, forte influência moura na arquitetura
Um dos salões em Alcazar
Interior de Alcazar
Interior de Alcazar
Detalhe do teto de um dos salões em Alcazar
Interior de Alcazar
Vista dos jardins de Alcazar
Fonte no jardim de Alcazar
Vista dos jardins de Alcazar
Jardins de Alcazar “Reino de Dorne” em Game of Thrones

Uma cidade muito simpática, que certamente fica na lista para uma segunda visita numa próxima oportunidade. Depois dali ainda demos uma circulada rápida por cidades da região, mas fica para um outro post…