Há muito tempo atrás li um livro do Richard Bach, chamado “Longe é um lugar que não existe”, de onde tirei a inspiração para o título acima… esse post não tem nada a ver com o livro, qualquer dia escrevo sobre algum dos livros dele, de quem gosto muito como autor.
Mas o que eu queria escrever era sobre as necessidades que temos em fazer as coisas, e na nossa capacidade de postergarmos, inventarmos problemas, desistirmos de coisas, projetos, adiarmos sonhos e metas, por vezes e vezes seguidas, algumas delas indefinidamente… a tal falada procrastinação.

Estamos atualmente na era das coisas imediatas. Tendo os recursos necessários (tempo, dinheiro), é muito fácil ter acesso a praticamente tudo, quase que instantaneamente. Em alguns casos, realmente de maneira instantânea, num piscar de olhos, num clique de mouse ou no celular. Mas será que essa facilidade toda, que a princípio somente simplifica e facilita a vida, está nos ajudando a realizarmos coisas que realmente nos importam, que realmente nos fazem bem, a nós e aos que nos são importantes? Durante bastante tempo eu deixava alguns planos e projetos de lado por conta de sempre estar esperando o melhor momento, onde desse para fazer as coisas com tranquilidade, da maneira mais perfeita possível. Há muito tempo atrás, lá na terapia, eu acabei entendendo o óbvio: não existe momento perfeito, o que existem são oportunidades, nós as fazemos, as aproveitamos e as perdemos. Desde então, procurei nunca mais deixar de ao menos tentar fazer as coisas que me dessem vontade, que me fizessem bem, mesmo que não houvessem as condições ideais. Dava pra fazer agora, vamos fazer. Não dá pra fazer agora mas dá pra dar um jeito de fazer algo parecido, ou posso me programar para fazer logo mais? Então eu faço de tudo para viabilizar e fazer acontecer. Vejo que as pessoas por vezes adiam as coisas que desejam, e ficam criando empecilhos para viabilizá-las: “Ah, quero fazer uma viagem, mas não tenho dinheiro!”. Então em um determinado momento tem o dinheiro, mas aí não consegue arrumar tempo, ou quer fazer uma viagem mais cara. Se realmente queremos algo e conseguimos colocar como prioridade, não há como não conseguir. Faça uma viagem mais modesta, economiza um pouco daqui e ali, priorize. “Ah, quero voltar a me exercitar, mas não tenho tempo/dinheiro para academia!”. Se realmente quer, qualquer canto pode servir. Caminhar/correr no próprio bairro, numa praça ou parque, comprar alguns equipamentos básicos e fazer algo em casa… Sempre é uma questão de priorizar.
O que temos é somente o hoje, sempre. O ontem já passou, nada que fizemos pode mudá-lo, e o amanhã não existe. Como disse Renato Russo, “se você parar pra pensar, na verdade não há” (o amanhã). Então, porque não parar de adiar aquela visita (depois da pandemia, claro!) ao amigo ou parente de outra cidade que há tanto lhe convida? “Ah, tenho que fazer a revisão do carro, agora não dá.”. Ou aquele café com o colega que não vê há tanto tempo… “Precisamos marcar, vamos ver!”. E esse amanhã pode nunca chegar. Poetas mais diversos já escreveram tanto sobre isso, sobre o tempo que não volta, o que deixamos de fazer e as oportunidades e pessoas se vão, para nunca mais… A certeza de que estaremos vivos amanhã também não existe…
Somos tão condicionados na vida profissional a termos foco, prioridades, sermos cobrados por execuções e entregas a todo momento. Por que razão não fazermos isso com nossas próprias vidas, nossas próprias prioridades pessoais? O hoje está aí para que façamos dele o nosso melhor. E o amanhã, se vier, vai ser fruto de nossas escolhas e prioridades, sempre…
“O hoje é apenas um furo no futuro
Por onde o passado começa a jorrar”
Raul Seixas, em “Banquete de lixo”






Comentários