Montanhas e natureza

8 09 2021

Sou um apaixonado por viagens, se você me conhece minimamente já sabe disso, não é novidade… Mas há um tipo de viagem que no geral me atrai mais, acaba geralmente me trazendo mais prazer. Não que eu não goste de passeios urbanos, culturais, gastronômicos e afins. Mas pra mim, um movimento de ficar um tempo em meio à Natureza, preferencialmente desconectado do resto do mundo, isso traz todo um encanto a mais. Cachoeiras, então, são a “cereja do bolo”, ainda mais se der pra tomar aquele banho gelado…

Aí acontece que resolvi fazer um post genérico, com uma seleção de fotos no meio da natureza, até para matar um pouco das saudades, sem estar falando de um local ou viagem em especial…

Na Chapada dos Guimarães (MT)
Cachoeira do Taboleiro, na Serra do Cipó (MG)

Quando estou no alto de uma montanha, ou numa trilha no meio do nada, o que sinto nesses momentos, e que me satisfaz, é algo que me traz uma sensação boa de paz, de tranquilidade, e de conexão com a natureza, com o divino, com algo que transcende esse plano, algo mais do que uma simples desconexão com a vida do “dia-a-dia”.

Uma das casas onde me hospedei na Chapada Diamantina (BA)

De tempos em tempos eu sinto que preciso de momentos assim, de “descompressão”, de estar só comigo mesmo, ou ao menos com pessoas diferentes, que no geral – e isso é uma outra coisa que adoro nesse tipo de viagem – são pessoas com uma energia muito boa, um astral muito bom, e por vezes acabam se tornando amigos, ou companheiros para novas viagens, trocas de dicas e experiências, etc. A minha ida ao Nepal contou com dicas de amigos que conheci no Monte Roraima, para onde só fui por conta de um contato que conheci na Serra Fina; na Serra Negra fiz amizades que me chamaram para a Serra do Cipó, e por aí vai…

Por várias vezes me peguei sozinho, simplesmente quase em estado de meditação, enquanto estava no alto de uma montanha vendo as nuvens por cima, ou congelando embaixo de uma queda d’água, ou ainda olhando para a cachoeira e ficando hipnotizado pela imagem e barulho da água caindo, imaginando que ela permanece ali, caindo, por dezenas de milhares de anos, da mesma forma…

No Rocky Mountains Park, no Colorado (EUA)
Banho de cachoeira em Ilhabela (SP)
Cachoeira na Chapada dos Veadeiros (GO)
Caminhando sobre a “Devil’s Bridge”, em Sedona, no Arizona (EUA)
Trilha no Parque das Cataratas do Iguaçu (ARG)
Turma da viagem à Chapada dos Veadeiros (GO) reunida

Para mim, que não sou uma pessoa religiosa, considero essas “fugas para o mato” como o meu momento de comunhão com a natureza, de conexão comigo mesmo, momento de parar para respirar. Para sentir os cheiros, para ouvir os barulhos, dormir com o barulho de uma queda d’água bem pertinho, poder olhar para as estrelas sem luzes para atrapalhar, dormir facilmente por conta do cansaço, sem se importar minimamente em estar em uma barraca, em um saco de dormir…

Uma das minhas fotos preferidas, tirada pelo guia Sherpa sem que eu percebesse,
próximo ao Annapurna, no Nepal
Olhando as nuvens por cima, no alto do Monte Roraima
Geleira em Puerto Natales, no Chile
Nadando nos Lençóis Maranhenses
Olhar de despedida na Chapada Diamantina
Olhando para o vale em Gonçalves (MG)
Parada pra pose na Travessia Petrópolis-Teresópolis

E o que faz uma pessoa como eu, que gosta tanto desse tipo de viagem, que vive em São Paulo, cidade grande, e enfrenta uma pandemia durante a qual fica impossibilitado de viajar? Pois então… essas experiências não podem ser vividas no mundo virtual, ao menos por enquanto a tecnologia ainda não permite isso… podem então imaginar a crise de abstinência pela qual estou passando… a única viagem nos últimos tempos foi uma “fugida” para São Luiz do Paraitinga, numa pousada/refúgio que conheço há bastante tempo para um final de semana, e somente agora, setembro de 2021, estamos tentando planejar uma viagem um pouco mais longa, mas ainda com muitas restrições e cuidados, pois apesar da vacinação estar avançando, a pandemia ainda deve ser motivo de preocupação por um bom tempo…

Espero no futuro poder novamente planejar viagens com um pouco mais de segurança, e em especial conseguir continuar conhecendo lugares especiais, com paisagens lindas e experiências que vão ficando para o resto da vida…

“Viajar é fatal para o preconceito, intolerância e ideias limitadas”
– Mark Twain





Olhando para nossos limites…

1 08 2021
Imagem daqui

Durante essa semana voltou a se falar muito sobre pessoas que chegam a seu limite, em função da ginasta Simone Biles ter desistido de várias provas nas Olímpiadas onde ela era franca favorita, dizendo que não estava mentalmente bem para competir, e que deveria priorizar a sua saúde mental ao invés de colocar-se em risco nas provas (sim, a ginástica de alto desempenho é algo fisicamente perigoso se não for praticado corretamente). Ao ser questionada a respeito de todas as expectativas que haviam sobre sua performance, as medalhas e tal, praticamente “deu de ombros”, respondendo algo como “As expectativas são dos outros, isso portanto é problema deles, eu devo cuidar de mim.”.

Ainda mais exacerbada em tempos de redes sociais, comunicação e acesso a informações em tempo real, a cobrança que colocamos em geral nos atletas é algo que consideramos normal. Mas deveria ser? Fico particularmente incomodado em Olimpíadas, em especial quando se trata de esportes individuais, e um atleta que atinge a 5a, 6a posição, ou mesmo prata ou bronze, e tenta se justificar, dizendo que devia ter feito melhor, que não estava em um bom dia, etc. Quando na verdade não se trata disso, mas trata-se somente do fato de que ele se esforçou, eventualmente foi ao seu limite, mas um outro competidor (ou outros) foi melhor, e isso não deveria ser um problema. Atletas de alto desempenho, para chegarem a uma disputa olímpica, ultrapassaram centenas, milhares de outros atletas que por diversos motivos não chegaram até ali. E o fato de perder, às vezes literalmente por centésimos de segundo, uma final, uma semifinal ou mesmo estar entre os 10, 20 melhores atletas da sua modalidade no mundo inteiro, não deveria ser um problema, algo pelo que haveria a necessidade de se desculpar.

Uma declaração que foi meio contrário a esse “senso comum” foi a do nadador Bruno Fratus ao ganhar a medalha de bronze, dizendo que na final só entrou na piscina e ficou pensando em “Vai ser feliz, independente do que ocorra aqui!”. Acho que isso é bem mais saudável, e me parece que foi o que ocorreu no caso da Rayssa, medalhista de 13 anos do skate, e da Rebeca Andrade (que até agora levou 2 medalhas, pode levar mais uma), da ginástica, que deixaram a pressão de lado, buscaram fazer o seu melhor e aproveitar o momento de estar entre as melhores do mundo. No caso da Rayssa, praticamente só se divertindo, conforme ela mesma disse.

Fazendo um paralelo com nossas próprias vidas, tanto no campo pessoal quanto profissional, o quanto no dia-a-dia não nos esforçamos para satisfazer expectativas de outros, miramos objetivos que não são nossos, e nos esquecemos de simplesmente ter um propósito, e mesmo nos permitirmos ter prazer e diversão ao longo do caminho. A vida cobra muita coisa a toda hora, de todos nós, para conseguirmos objetivos, atingirmos metas, ser aprovado em processos seletivos, desde antes da vida adulta. E muitas vezes não nos permitimos repensar o caminho, fazermos mudanças e questionarmos os propósitos. “Está valendo a pena?”, “Quero mesmo fazer isso?”, “Estou fazendo isso por que quero ou porque outros querem?” e outras várias perguntas. Na vida profissional, somos cobrados para ter uma carreira de sucesso, conseguir ir subindo e evoluindo, precisando estar sempre atualizado… Mas, aqui também, como nas Olimpíadas, não há lugar para todos no topo. E isso não deveria ser um problema. Cada um deveria tratar da vida, da carreira, das conquistas e frustrações de uma maneira mais leve. Vamos ganhar algumas batalhas e perder outras, sempre. Mais importante do que os objetivos deveria ser o caminho percorrido, e, principalmente, o que você consegue tirar ao longo dele. Não deixar que o peso do mundo permaneça em nossas costas, ninguém deveria precisar lidar com isso, jamais. As novas gerações estão tendo um peso ainda maior, por conta da velocidade das coisas, da disponibilidade de informações e acesso a tudo muito rápido, a cobrança tende a ser maior ainda…

Imagem daqui

Que possamos ter mais leveza em tudo, para o bem da nossa saúde, para o bem das pessoas que convivem conosco, e para o bem da sociedade como um todo e das próximas gerações… Às vezes, o peso de que precisamos nos livrar não está no corpo, fisicamente falando, e nem nos pertence…





“Causos” de viagem – parte 7

11 06 2021

Sequência de “causos” marcantes ocorridos nas minhas viagens… já publiquei a parte 1, 2, 3, 4, 5 e 6, ainda não leu?

Ficando sem passaporte na fronteira da Estônia com a Rússia

O passaporte, junto dinheiro e cartões, é algo que você não pode perder no meio de uma viagem, pois vai lhe dar muita dor de cabeça e eventualmente estragar sua viagem. Estava eu em 2013, viajando de trem de Tallin, capital da Estônia, para São Petersburgo, na Rússia. Quando passamos pela fronteira, o trem parou, entrou um oficial russo, daqueles do jeito que a gente vê no cinema, em filmes de espionagem da guerra fria… ele obviamente não falava inglês, e foi passando pelos vagões, recolhendo todos os passaportes, um a um, em seguida saiu do trem com literalmente uma pilha de passaportes na mão, e foi até uma sala que fica na estação. Aí fica aquela ansiedade, ele está demorando… como ele vai saber qual passaporte é de quem, se ele não anotou nada. O que acontece se ele simplesmente não devolver o MEU passaporte? Como faço, pra quem eu reclamo? Felizmente depois de alguns minutos que demoraram para passar, ele voltou e foi calmamente devolvendo todos os documentos, um a um, aparentemente sem errar nenhum… Passou o frio na barriga, e seguimos viagem, cheguei são, salvo e com passaporte em São Petersburgo.

Brasileiro querendo saber de outro esporte que não futebol? Pode esquecer…

Em 2012, estava em San Franciso, na Califórnia, em uma viagem de trabalho. Aproveitando a passagem por lá, fui assistir a um jogo de baseball dos Giants. Já tinha ouvido falar que o estádio, na beira da baía, era bem bonito. Conhecimento do esporte, praticamente nulo… Puxo conversa com o taxista, de origem asiática, para saber como está o time na liga. Ele não sabe. Pergunta de onde sou, digo que sou do Brasil, ele começa a discorrer a respeito da seleção brasileira de 86, dando a escalação quase completa… lembra do Sócrates, Careca, Júnior, Zico… Lembra que o Zico perdeu um pênalti contra a França, comenta que a França tinha um time bom, com Platini e Tiganá (meu DEUS! Ele lembrou do Tiganá!!!), disse que morava em Hong Kong na época e que se lembra das pessoas tristes depois que o Brasil perdeu aquele jogo…
E eu fiquei sem saber dos Giants… Mas fui ver o jogo, mas já é outra estória…

Motorista de charrete em Sarajevo, Bósnia e Herzegovina

Essa foi uma daquelas clássicas de problemas de comunicação, nem todo mundo fala inglês. Estávamos numa praça em Sarajevo, onde saíam umas charretes para um parque ali perto (uns 3, 4 km eu acho). Fomos conversar com o senhorzinho, já com certa idade, que conduzia uma das charretes. Ele não falava inglês, lá fomos nós para a mímica. Descobrimos que custava 20 marcos para nos levar (essa parte todo mundo fala em inglês), mas ele parecia preocupado, tentando nos avisar de algo. Apontava para a estrada, e fazia um movimento de “cortar um dedo”, e falava um monte de coisas em bósnio, que eu não entendia. Achei que tinha que tomar cuidado porque alguém tinha cortado o dedo, sei lá. Subimos na charrete, e depois de um bom tempo, a estrada estava interrompida. Ali percebemos que o “dedo cortado” na verdade era estrada interrompida, e portanto a charrete não conseguia passar, tínhamos que fazer o resto do caminho a pé. Foi o que fizemos, mesmo porque não havia alternativa… e para voltar, o caminho inteiro foi à pé, já que as charretes ficavam somente na praça, no início do caminho…





Sobre perdas, e sobre momentos que não se perdem…

30 05 2021

Queria sentar aqui hoje e escrever sobre alguma viagem legal, relatar experiências, falar das saudades de poder criar e executar planos de viagens, comentar sobre coisas desse mundão enorme que nos cerca… Mas ontem houve um fato que me fez pensar muito a respeito de escolhas e momentos, sobre os quais já falei no post Depois é um tempo que não existe”, e no post “Questão de tempo (About time)”: Ontem, inesperadamente, um grande amigo, Carlos Cavalcanti (Cal ou Caval, como eu o chamava), partiu dessa vida. Não sou religioso, considero-me simplesmente uma pessoa espiritualizada em constante aprendizado. Nesse sentido, gosto de pensar que em algum outro plano, de alguma forma, iremos nos encontrar novamente… Mas a falta que ele fará aqui é praticamente indescritível, quem teve o privilégio de conhecê-lo sabe disso…

Na frente do nosso alojamento, aos pés do Annapurna, nas altas montanhas do Himalaia (Nepal)

Caval era uma pessoa de quem era muito fácil de gostar, logo de cara. Sempre bem-humorado, sempre disposto a topar qualquer programa, jantar, bar, cinema, o que fosse… excelente companheiro de viagens e trilhas, algumas que tive o prazer de fazer em sua companhia. E foi por isso que ele foi o único amigo (maluco?) que topou o convite para aquela que seria uma das viagens mais marcantes que já fiz, para o Nepal e Butão, em 2014. Nosso testemunho consta na página da agência até hoje.

Essa é a imagem que vou guardar de você: celebrando a vida, a amizade e as conquistas, sempre!

O fato de ele ter aceito aquela viagem naquele momento proporcionou a experiência que tivemos. Eu estava em boa forma, acostumado a fazer trilhas com frequência pelo Brasil e América do Sul principalmente. Mas ele não, não estava no melhor condicionamento para encarar dias de caminhadas de 4, 5, às vezes 8 horas em uma altitude relativamente alta para nós, brasileiros “da planície”, por assim dizer. Ele poderia ter sido bem racional e declinado. Mas ele não era assim. Ele topava, ele encarava. Sofreu durante a caminhada? Sim, um tanto. Em um determinado momento tivemos que dar uma encurtada, diminuir um pouco o ritmo e até mudar os planos no final, nos últimos trechos. Mas, segundo ele próprio, valeu a pena. Valeu a pena cada parte do esforço para estar naqueles lugares, ver aquelas coisas, viver aquela experiência toda. E aí, pensando nisso, tenho o gancho da estória do “deixar pra depois”: quantas vezes deixamos de fazer as coisas esperando pelas condições ótimas, quando estiver tudo perfeito?

Olhando para a trilha que passou, e para a que ainda tínhamos pela frente…

Vale a pena perder oportunidades para deixar para um depois que não sabemos se virá? Ele não teria conhecido o Himalaia, não teria vivido as sensações, cores, cheiros, a vida naqueles lugares. Por mais clichê que possa soar, não posso deixar de dizer: Devemos viver, aproveitar, arriscar, tentar, fazer… e não consigo pensar nele, nessa postura de se permitir viver, não deixar pra depois. E no momento difícil de uma perda como a que ocorreu agora, pra mim fica mais forte ainda a questão das opções e escolhas que fazemos ao longo da nossa caminhada pela vida… arrepender-se de escolhas, sim, mas de não ter tentado, acredito que isso deixa um gosto amargo demais na boca…

E espero ter deixado uma mensagem à sua altura, Caval, nesse pequeno texto que fiz aqui pensando em você, e nos momentos que passamos juntos, e pela experiência de ter tido a honra e o privilégio de ser seu amigo. As lágrimas já se foram, vão secando aos poucos, para que você possa fazer a sua passagem… Vá em paz, qualquer dia a gente volta a se encontrar…

Que sua passagem seja tranquila, amigo…

Vai com os anjos, vai em paz

Era assim todo dia de tarde, a descoberta da amizade

Até a próxima vez, é tão estranho

Os bons morrem antes

Me lembro de você e de tanta gente

Que se foi cedo demais

Legião Urbana, “Love in the afternoon”

Página da nossa viagem de 2014 no Facebook

Álbum de fotos da nossa viagem de 2014 no Facebook





“Depois” é um tempo que não existe…

25 04 2021

Há muito tempo atrás li um livro do Richard Bach, chamado “Longe é um lugar que não existe”, de onde tirei a inspiração para o título acima… esse post não tem nada a ver com o livro, qualquer dia escrevo sobre algum dos livros dele, de quem gosto muito como autor.

Mas o que eu queria escrever era sobre as necessidades que temos em fazer as coisas, e na nossa capacidade de postergarmos, inventarmos problemas, desistirmos de coisas, projetos, adiarmos sonhos e metas, por vezes e vezes seguidas, algumas delas indefinidamente… a tal falada procrastinação.

Foto daqui

Estamos atualmente na era das coisas imediatas. Tendo os recursos necessários (tempo, dinheiro), é muito fácil ter acesso a praticamente tudo, quase que instantaneamente. Em alguns casos, realmente de maneira instantânea, num piscar de olhos, num clique de mouse ou no celular. Mas será que essa facilidade toda, que a princípio somente simplifica e facilita a vida, está nos ajudando a realizarmos coisas que realmente nos importam, que realmente nos fazem bem, a nós e aos que nos são importantes? Durante bastante tempo eu deixava alguns planos e projetos de lado por conta de sempre estar esperando o melhor momento, onde desse para fazer as coisas com tranquilidade, da maneira mais perfeita possível. Há muito tempo atrás, lá na terapia, eu acabei entendendo o óbvio: não existe momento perfeito, o que existem são oportunidades, nós as fazemos, as aproveitamos e as perdemos. Desde então, procurei nunca mais deixar de ao menos tentar fazer as coisas que me dessem vontade, que me fizessem bem, mesmo que não houvessem as condições ideais. Dava pra fazer agora, vamos fazer. Não dá pra fazer agora mas dá pra dar um jeito de fazer algo parecido, ou posso me programar para fazer logo mais? Então eu faço de tudo para viabilizar e fazer acontecer. Vejo que as pessoas por vezes adiam as coisas que desejam, e ficam criando empecilhos para viabilizá-las: “Ah, quero fazer uma viagem, mas não tenho dinheiro!”. Então em um determinado momento tem o dinheiro, mas aí não consegue arrumar tempo, ou quer fazer uma viagem mais cara. Se realmente queremos algo e conseguimos colocar como prioridade, não há como não conseguir. Faça uma viagem mais modesta, economiza um pouco daqui e ali, priorize. “Ah, quero voltar a me exercitar, mas não tenho tempo/dinheiro para academia!”. Se realmente quer, qualquer canto pode servir. Caminhar/correr no próprio bairro, numa praça ou parque, comprar alguns equipamentos básicos e fazer algo em casa… Sempre é uma questão de priorizar.

O que temos é somente o hoje, sempre. O ontem já passou, nada que fizemos pode mudá-lo, e o amanhã não existe. Como disse Renato Russo, “se você parar pra pensar, na verdade não há” (o amanhã). Então, porque não parar de adiar aquela visita (depois da pandemia, claro!) ao amigo ou parente de outra cidade que há tanto lhe convida? “Ah, tenho que fazer a revisão do carro, agora não dá.”. Ou aquele café com o colega que não vê há tanto tempo… “Precisamos marcar, vamos ver!”. E esse amanhã pode nunca chegar. Poetas mais diversos já escreveram tanto sobre isso, sobre o tempo que não volta, o que deixamos de fazer e as oportunidades e pessoas se vão, para nunca mais… A certeza de que estaremos vivos amanhã também não existe…

Somos tão condicionados na vida profissional a termos foco, prioridades, sermos cobrados por execuções e entregas a todo momento. Por que razão não fazermos isso com nossas próprias vidas, nossas próprias prioridades pessoais? O hoje está aí para que façamos dele o nosso melhor. E o amanhã, se vier, vai ser fruto de nossas escolhas e prioridades, sempre…

“O hoje é apenas um furo no futuro

Por onde o passado começa a jorrar”

Raul Seixas, em “Banquete de lixo”